quinta-feira, 7 de abril de 2016

POEMA "NA MÃO DE DEUS" de ANTERO DE QUENTAL

Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternament
e!

Antero de Quental, in "Sonetos"
 
   POETA – ANTERO DE QUENTAL (um dos nossos melhores sonetistas)
   AÇORES  18 Abr 1842 // escolheu morrer a 11 Set 1891
   Poeta/Filósofo/Político (agitador político no tempo de D. Luis)

Análise: “Na mão de Deus”, o poeta remete ao pensamento de que o seu conflito ideológico religioso e    existencial tenha chegado a um resultado, ou seja, tenha o mesmo se encontrado, quando escreve:

“Na mão de Deus, na sua mão direita/descansou afinal meu coração/Do palácio encantado da   ilusão/Desci passo a passo a escada estreita”.

O coração descansou na mão direita de Deus. E a sua alma? Esperemos que durma na mão de Deus eternamente, como diz no último verso deste poema. (Celeste Cortez)



1. Compara o sentido dos versos  1 e 2 com o dos versos 13-14.

2. Que outros dois versos sintetizam o mesmo sentido de renúncia?

3. Relativamente à ideia de renúncia, de resignação, seleccionar:

a)- os verbos que melhor a traduzem;
b)- as comparações que a reforçam;

4. Relacionar sono e morte.


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