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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Rosa Lobato Faria

ROSA LOBATO FARIA (Lisboa1932-2010)


Afirmas que brigámos. Que foi grave. 
Que o que dissemos já não tem perdão.
         Que vais deixar aí a tua chave
         e vais à cave içar o teu malão.


Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo - é minha! - a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
        E o sol que dá no quarto de manhã? 
        É meu o teu cachorro que eu tratava?
        É teu o me
u canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?
De quem é esta briga? Não me lembro.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

POETAS - POEMAS


Sidónio Muralha


Escritor português, nascido em 1920, em Lisboa, e falecido a 8 ou 9? de dezembro de 1982, em Curitiba, no Brasil. Foi para o antigo Congo Belga, em 1944. A partir de 1962, fixou residência no Brasil. No espaço de tempo entre a publicação de Beco (1941) e Passagem de Nível (1942) e a partida para África, pertenceu ao grupo juvenil de que emergiu o Neorrealismo coimbrão, situando-se nesses anos as suas mais conhecidas obras poéticas. Em 1950, chegou a editar em Portugal Companheira dos Homens, obra que reforça a opção por uma poesia militante e de intervenção. O fôlego criativo só voltou a recuperar a sua fluência no Brasil, enveredando então por novos domínios de expressão como a ficção e a literatura infantil.
Figura importante do Neorrealismo português (sendo autor de um dos volumes da coleção "Novo Cancioneiro") e um dos seus principais poetas, publicou, entre outras obras, Os Olhos das Crianças (1963), O Pássaro Ferido (1972) e Poemas de abril (1974).



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Depois daquela noite os teus seios incharam;
as tuas ancas alargaram-se;
e os teus parentes admiraram-se
e falaram, falaram…
Porque falaram duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural?
Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
Mas tudo terminou porque falaram.
Tu fraquejaste e tudo terminou.
- Os teus seios desincharam;
só a tristeza ficou.
Ficou a tristeza duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural…
- Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…


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