sábado, 29 de janeiro de 2022

TODOS PODEMOS SER HERÓIS



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domingo, 16 de janeiro de 2022

GERAÇÃO "À RASCA", publicado no jornal Açoriano Oriental, a 28 de Março 2011.

 À rasca!

Se antes, ninguém se atrevia a dizer “estou à rasca”, sem primeiro pedir desculpa, por usar um termo calão, hoje dizê-lo parece ter ganho actualidade. É sinal de protesto, rebeldia e até serviu de mote a uma manifestação de rua, de uma geração que assim se intitulou para gritar que vive “em dificuldade”. Em bom português, este adjectivo tem conotações muito mais negativas, do que simplesmente, estar em dificuldade. Usa-se para qualificar o mau gosto, a má qualidade e classifica muito negativamente, a realidade, à qual é atribuído. Rasca significa então reles. E, uma pessoa ou uma coisa reles, não presta.

Compreendo que os jovens precisem de expressar o seu protesto, mas assumir que são ou estão à rasca é, desde logo, sintetizar as suas dificuldades numa designação que desqualifica e é sinónimo de desistência. Apresentando-se como geração à rasca, reduzem-se às circunstâncias, dificuldades, frustrações e faltas de reconhecimentos. Esquecem-se de si mesmos, do que são, dos sonhos que têm e das ambições que podem fazer a diferença. Havia que classificar o protesto? Talvez! Mas recorrer a um adjectivo que empobrece o sujeito ao qual é aplicado e significa perda de meios, incapacidade, falta de qualidade, só pode matar a esperança.

As palavras têm força e os jovens, protagonistas de mudanças sociais, são capazes de forçar a sociedade, os movimentos políticos e cívicos, quando defendem os direitos humanos e apregoam o que falta para se poder sair dessa dificuldade, do desespero. São utopias, mas que apregoam o sonho não o desespero. Ainda hoje, há quem use a expressão “Paz e Amor”, um mote que teve a força para inspirar atitudes positivas, canções de protesto, alimentar ambições e entusiasmar os maus audazes.

Rotular uma geração de rasca, ou mesmo que seja à rasca, apesar do contexto de liberdade, democracia, acesso à escola pública e alargamento das universidades e do ensino profissional, é promover o eterno fatalismo português. É alimentar, não o sonho de ser melhor e de querer mais, mas o desespero de não ter e de não conseguir. Esquecem-se que a liberdade que apregoam foi conquistada por outros jovens, há menos de quarenta anos; que a escola pública para todos onde andaram, é um ganho da democracia que sempre conheceram como regime.

A geração jovem não tem de viver agradecendo a liberdade ou a democracia que as gerações anteriores conquistaram para o seu país, mas também não devia, apenas e só, gritar o desespero e a frustração por achar que não lhes dão o lugar e o reconhecimento que lhes é devido. Herdamos um país pouco escolarizado, sem um tecido económico capaz de resistir às crises, com um sector primário marcado por décadas de atraso, que não investiu no ensino para todos e fez da universidade um privilégio. Por não terem sido ambiciosos para o futuro, vivemos o presente com dificuldades.

Não queiramos fazer o mesmo às gerações vindouras. Sabemos que a escolarização, a formação e a qualificação continuam a ser as únicas estratégias de desenvolvimento que podem fazer Portugal ser diferente e fazer melhor. Enquanto não acreditarmos nisso, mesmo que os resultados ainda não sejam os que desejamos, vamos estar à rasca!

(publicado no Açoriano Oriental, a 28 Março 2011)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

SAUDADES DE MINHA MÃE, por Celeste Cortez

                   
 Faria hoje anos minha mãe. Nasceu em 1917. Faleceu uns dias antes de completar 68 anos de vida, em 1981. Celebro a sua vida e as saudades que me deixou. Mas um dia, sem se despedir, faleceu no Hospital de Coimbra, onde esteve internada.
Há dias em que, sem dar por isso, estou a pensar como seria se ela cá estivesse. Teria a possibilidade de a abraçar, de a beijar, de a continuar a amar. Dir-lhe-ia todos os dias, até mais de uma vez, que a amava muito. Só depois das mães partirem, sabemos quanto nos fazem falta, quanto as amamos e quantas coisas ficaram por dizer. Fica uma saudade imensa, saudade feita de silêncios, outras vezes com vontade de gritar para retirar essa saudade do lugar que faz doer. Porque as mães vão embora para sempre? Beijinhos para o Céu querida mamã

PARA SEMPRE -  Carlos Drummond de Andrade


Por que Deus permite
que as mães vão embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 Ela fez-me falta. Faz-me falta. E fez também falta às pessoas a quem ajudava sem querer dar nas vistas:

  •  À Cândida que era cega e não tinha dinheiro para viver. A mamã comprava uma galinha, condimentava-a saborosamente, cozinhava-a com arroz e mandava entregar a casa da Cândida dois ou três bocados, dos maiores... e que não tivessem osso.
  • Ao Larula, que, por ser doente mental, se esquecia das horas de regresso a casa e acabava por encontrar uma palheira (casa de fazenda), da nossa quinta onde se guardava a palha para os animais, os objectos de lavoura. Logo que a mamã se apercebeu que o Larula procurava a palheira, mandou por lá uns fardos de palha para fazer de colchão, uns cobertores e até um travesseiro.
  • Quem seria capaz de pagar da sua magra pensão mensal a um trabalhador que preparasse um grande espaço de terra e plantasse "flores para os finados"? E a mamã, com muita dificuldade, ia regando as flores, ia dando-lhes ânimo para crescerem e serem bonitas. Chegada a hora, pagava mais uma vez a quem lhe fosse cortar as flores e fizesse umas coroas ou ramos e mandava entregar a casa das pessoas que conhecia cuja pensão era bem magra  e que teriam de comprar as mesmas para por na campa dos seus finados.
São tantas as recordações que me vêm à memória e me deixam saudade, querida mamã. Neste momento recordo uma pequena parte de um poema de Fernanda de Castro (1900-1994) que soube descrever o que são saudades:     

As coisas falam comigo

numa linguagem secreta,
que é minha, de mais ninguém.
Quero esquecer, não consigo.
Vou guardar na mala preta
esta dor que me faz bem.      

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"  

Eu não guardei as saudades na mala preta, porque ela não é, nem nunca foi, suficientemente grande para guardar tanta saudade. Essas eu deixo-as no meu coração que tem o tamanho deste mundo e do outro.  E não para despedida, porque nunca me despedirei de quem amo, envio um beijo para o Céu neste dia de homenagem a minha mãe, com os meus agradecimentos por tudo o que fez por mim - e isso não tem conta pelos números que aprendi. 

                        

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

TENHO UM REI NO CÉU , por Celeste Cortez

  
       




 ARTUR DE CAMPOS SILVA - 6-1-1915-24-11-1973. 

Hoje é dia de Reis. O papá foi o rei do meu coração. Um rei que me deixou muitas saudades. 

Partiu cedo deste mundo, com 58 anos vividos. Nasceu no dia Reis, no dia em que se cantam os Reis nas terras de Portugal. O papá foi o REI do meu coração, um rei que soube educar sem ralhar. Um Rei que só nos deixou bons exemplos. Relembro alguns: 
  • Recordo-o a visitar a cadeia da cidade da Beira onde viveu tantos anos e levar-me algumas vezes consigo, quando eu era ainda bem jovem. Dizia-me que era para o ajudar a levar os biscoitos que a mamã tinha feito para os presos. Belo exemplo.
  •      Recordo-o em África, a tocar o seu bandolim ou o seu violino, sabendo tão pouca música mas tinha um tocar que vinha do coração, porque sentia a música, amava o ritmo. Recordo-o naquela noite de chuva intensa - chuvas de África - a regressar encharcado e apenas com uns pedaços partidos do violino, nas mãos, porque a chuva tinha invadido a parte baixa da vivenda e rebentado a mala de porão onde o guardava. E as suas lágrimas soltaram-se, pela primeira vez, à minha frente, ainda menina e moça. E eu sofri pela sua tristeza.
  •      Lembro-me quando ia visitar os pobres, em grupos da Ação Católica, não só em todos os anos em que foi dirigente, umas vezes como tesoureiro, outras como secretário. 
  •       Foi padrinho de algumas crianças que já crescidas, se quiseram batizar na Igreja Católica: alguns chineses e alguns africanos. 
  •     Recordo-o como parecia voltar a ser criança, cheio de alegria e felicidade,  quando finalizava uma demonstração dos grupos étnicos que ensaiava - Grupo Actor Eduardo Brazão e Solar dos Beirões.

  • Recordo-o quando, com o Sr. Paralta, no dia da inauguração da Rádio Pax, fomos fazer um pequeno teatro, lindo, lindo, que tinha escrito para a ocasião. 
  •    Quando fazia poesia para os Teatros e Ranchos Folclóricos que ensaiava. 
                    NO MEIO DOS "MASCOTES" DO SOLAR DOS BEIRÕES
                      
    


  •   Recordo-o vestido de estudante e eu também, no carro alegórico que representava Coimbra, no dia em que a Beira fez 50 anos,  e como se sentiu feliz por o nosso carro alegórico ter ganho o PRIMEIRO PRÉMIO.
  •    Foi desde jovem, sempre ouvi dizer, um bom dramaturgo, ensaiador e actor de teatro. 
  •    Ainda me recordo - e as pessoas de Alvarelhos que estão vivas ainda relembram, as lindas canções que escrevia (letra e trauteava a música), para os seus grupos corais e folclóricos.
  •   Recordo, recordo como era bom para todos nós e como fazia o bem sem olhar a quem, e como fazia tudo sem dar nas vistas. 
  •  Vim a ter conhecimento, no dia triste 2 de Março de 2004, em que o corpo frio, sem vida, do nosso Fernando (meu irmão),  que a capela da sua terra,  tinha sido erigida com peditórios que organizou, principalmente através das cartas que enviou para os emigrantes da aldeia e da vila, que estavam no Brasil e na América. Não sei como fez isto, se pensar na sua timidez. Ah, já sei: Pôs a timidez no bolso esquerdo e escreveu com a mão direita e com essa entregou também os donativos e, a capela, ali está, linda e grande. (Não foi o único que ajudou, evidentemente. A capela foi acabada com outros peditórios anos mais tarde). Mas o que interessa é a obra começada, com paredes, chão e telhado e isso foi feito e funcionou até muitos anos depois ser acabada.
  • Papá, aqui estou para lhe dizer como tenho saudades suas. Como me recordo que, por fazer anos no dia de Reis, íamos primeiro com um enorme grupo da Ação Católica e mais tarde da Rádio Pax, cantar a diversas casas, começando pela do Governador da Beira, pedindo para os pobres. Acabava a festa na sua casa papá, onde havia uma mesa posta com o tradicional bolo rei e outros bolos, sobremesas, salgadinhos e iguarias possíveis,  que a mamã confecionava para festejar o dia, o seu dia. 
  • E, acabo de me recordar, que numa visita ao Carregal, há uns anos, um senhor, que era de Alvarelhos, me confidenciou que o que sabia de leitura e escrita, tinha sido o papá a ensiná-lo, quando ambos eram crianças, porque naquela altura não havia escola na aldeia.  E, disse-me ainda aquele senhor,  que o Senhor Artur, como ele o chamava, tinha ensinado outros que mais tarde vieram a ser comendadores. Muito me orgulho. O senhor, de que não me recordo o nome, pai da Zeza e da Mélita que tem uma loja de modas no Carregal, foi de certeza encontrar-se consigo no Céu. Também era boa pessoa. 
  •  Quem da família sabia que o papá era de "sangue azul"? Nunca falava disso, e eu só o soube há bem poucos anos, ao receber documentos que me enviaram e agora releio na Genealogia, feita e publicada - não por mim - mas por quem me quis dar essa novidade,  após certidões que não deixam lugar a dúvidas. Fiquei ainda mais certa que o papá era o arquétipo das pessoas que Deus precisa no Céu, quando tem falta de Anjos, por isso o chamou tão cedo. 
Hoje, por ser um dia especial, o dia de Reis, o dia do nascimento do meu querido pai, o meu primeiro Rei que partiu para o Céu, daqui lhe envio um açafate de camélias, cada pétala beijada pelos filhos Celeste e Nelson, genro Tó e pelos netos e netas.  


     

Querido papá, continue a festa que os Anjos lhe prepararam no Céu.         
                                        Até sempre.  



GALILEU GALILEI (1564-1642), por Carlos Brandão de Almeida



 

Quantos anos temos?

 

Perguntaram ao velho Galileu Galilei (1564-1642), o consagrado homem de ciência italiano:
- Quantos anos de idade tem, mestre? Galileu cogitou paulatinamente e respondeu: 
- Oito ou talvez dez, por aí! 
Claro que ao curioso indagador, a surpreendente resposta se afigurou uma evidente contradição, face às pronunciadas rugas que lhe engelhavam o rosto. 
Apercebendo-se, divertido, da estupefacção do perguntador, ele esclareceu: 
- Eu explico ao meu curioso discípulo: tenho, com efeito, apenas os anos que me restam de vida, porque os vividos já não são meus. Não os tenho mais, do mesmo modo que também já não retenho as moedas que gastei. Galileu expressava, assim, a mais lógica realidade que escapa, usualmente, às nossas aligeiradas meditações. 
Ora, atendendo a que o legado de vida que nos foi atribuído já foi, maioritariamente, consumido, restando-nos um precioso saldo de existência, parece desejável que o remanescente seja vivido jubilosamente e com o maior aprazimento, evitando-se as soturnas lamentações e a nostalgia do tempo que já passou. O tempo que nos resta é um porvir que é nosso. Aproveitemo-lo na íntegra, tirando partido de tudo o que nos pode tornar felizes. Conquistemos novos amigos e confraternizemos mais com os que temos. Lembremo-nos do que nos ensina um provérbio turco “quem procura um amigo sem defeitos, fica sempre sem nenhum”. Procuremos, saudavelmente, viver sem recalcamentos evitando reacções intempestivas de desalento e de raiva. É que, quando às vezes julgamos estar a magoar alguém, estamos sim a ferir-nos a nós próprios, como aconteceu com a infeliz da cobra enraivecida. A história reza assim: 
Um dia uma cobra entrou numa carpintaria, rastejando para um canto. Ao passar por cima dum serrote feriu-se ligeiramente. Julgando-se atacada ela, raivosamente, mordeu a folha do serrote. Mas do impetuoso ataque resultou claro um ferimento mais grave. Então, não compreendendo o que lhe estava a acontecer e pensando que o serrote continuava a atacá-la, ela decidiu lutar enrolando-se à volta do serrote para sufocá-lo com todo o seu corpo. Logo, ao comprimir com toda a sua força o serrote, a pobre cada vez se feria mais, acabando por morrer. 
LIÇÃO: A ira é sempre um sentimento malévolo que importa evitar, adoptando-se antes, em situações extremas, o perdão ou o menosprezo. 
Carlos Brandão de Almeida

OS POLIFENÓIS E O VIRUS SARS-COV2

Já tinha ouvido dizer. Já tinha lido. Se for uma notícia verdadeira, é fantástico que assim seja:
O ácido tânico * encontrado nas uvas e no vinho inibe duas enzimas
principais do coronavírus. Com o contato, o último não consegue mais penetrar nas células humanas.
No final do ano, pesquisadores americanos demonstraram in vitro que os* polifenóis * presentes nas uvas e no vinho alteram a forma como o vírus Sars-Cov2 que causa a Covid-19 se replica e se espalha.

A * Taiwan Medical University * descobriu que os taninos do vinho
inibem efetivamente a atividade de duas enzimas-chave do vírus, que
não podem mais entrar no tecido celular.

"De todos os compostos naturais que testamos em laboratório, o ácido tânico é o mais eficaz", disse Mien-Chie Hung, bióloga molecular e presidente da universidade, à TVBS. Ele também lembrou os bons resultados obtidos com tratamentos experimentais com ácido tânico em 2003 durante a pandemia de SARS.

O pesquisador tem esperança de que um tratamento farmacêutico seja desenvolvido em breve. Enquanto isso, recomenda que os cidadãos consumam alimentos e bebidas ricos em taninos para aumentar sua imunidade. * É o caso de uvas, vinho, banana, chá e vegetais *.
Mas poderemos ler no link seguinte, em francês.

* Se se confirmar, divulgue essa novidade aos seus amigos e caso tenha inimigos, a eles também. Afinal trata-se de uma ajuda à saúde. 

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