sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O PESO DO COPO - texto de CARLOS BRANDÃO DE ALMEIDA


O PESO DO COPO

H
á uns dilatados anos, integrei a direcção duma colectividade de cultura e recreio dos subúrbios de Lisboa.
Peço ao autor do artigo, meu amigo Carlos Brandão de Almeida
desculpa por não ter conseguido colocar a foto do copo
que veio com o artigo. O ARTIGO É TÃO BOM QUE MESMO ASSIM,
SEM FOTO COMO TEM ESTADO, TEVE INUMERAS
VIZUALIZAÇÕES. 
Quando se celebrou um dos aniversários do clube, resolvemos organizar diversas actividades comemorativas do evento. Como a agremiação tinha uma valência cultural, incluímos no programa dos festejos várias acções de cariz erudito e artístico. De entre elas, salientava-se a realização de uma sessão com leitura de poesia, um episódio teatral e uma conferência sobre um tema da actualidade que, cada vez mais, atormentava as pessoas: a gestão das tensões da vida moderna. Para conferencista, convidámos o decano dos docentes da escola secundária local, um professor muito admirado e considerado no meio estudantil.
Resultado de imagem para copo com águaA reunião começou com a abordagem genérica à situação em que a sociedade se movia, particularmente dentro da esfera discente.
Inesperadamente, o orador pediu um copo com água. Satisfeito o pedido, o palestrante começou por levantar o copo e interpelou a plateia:
- Quanto é que os senhores e senhoras acham que pesa este copo de água?
Vários assistentes exprimiram a sua opinião que, na generalidade, variava entre as 20 e 300 gramas.
O pedagogo então parafraseou:
- Devo esclarecer que não me importa o peso absoluto do copo. Importa-me sim por quanto tempo vou poder segurá-lo. Se o sustento durante alguns minutos, tudo bem!
Mas, se o pretender manter durante um dia, vocês terão que chamar uma ambulância para me levar ao hospital!
O peso é exactamente o mesmo desde o início ao fim da experiência, mas quanto mais tempo o mantiver seguro, mais pesado ele vai ficando.  
A dissertação ia ficando cada vez mais interessante e a assistência cada vez mais curiosa.
O conferencista logo satisfez a curiosidade da assembleia, concluindo:
- Pois, meus senhores e minhas senhoras, peço-vos que ponderem esta realidade: se carregarmos os nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde não conseguiremos continuar com o esforço pois a carga vai-se tornando cada vez mais pesada.
Assim sendo, é preciso largar o copo e descansar algum tempo, para o poder segurar de novo.
Concluiremos, para finalizar, que temos necessidade de, periodicamente, deixar as nossas cargas de lado. Isto alivia-nos e torna-nos capazes de continuar a nossa missão.
É salutar que antes de regressarmos a casa deixemos o peso do trabalho, ou doutras preocupações, arrumados a um canto. Não os devemos transportar para o nosso lar. Amanhã teremos tempo de recolhê-los e tratar deles.
A vida é curta, aproveitemo-la!

                                                                  Carlos Brandão de Almeida

2018.03.31



quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ALA - Julião Bernardes - Labirinto

NA ALA - ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PORTUGAL, o poeta e dizedor de poesia JULIÃO BERNARDES, com o poema LABIRINTO. 

sábado, 9 de novembro de 2019

Escritor Ignácio de Loyola Brandão toma posse este mês na Academia Brasileira de Letras

Escritor Ignácio de Loyola Brandão toma posse este mês na Academia Brasileira de Letras: O escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão tomará posse da cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras, no próximo dia 18 deste mês, numa cerimónia no palacete Petit Trianon, no Rio de Janeiro, informou hoje a instituição.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Monday Mural MURAL - The fisherman

Painted in Bairro da Torre,  Cascais in 2016, by Portuguese artist Daniel Eime, who uses stencils to paint this type of work.

Taking part in Monday Mural.





Sophia de Melo Breyner Andresen

a pOETA sophia de melo breyner andresen, A PRIMEIRA PORTUGUESA A RECEBER O GALARDÃO "prémio camões", EM 1999. celebra-se o 1ooº. aniversário do seu nascimento a 6-11-2019. Faleceu em Lisboa a 4 de julho de 2004.
foi-lhe concedido pelo Presidente da República de Portugal, 
O Grande-Colar da Ordem Militar Sant'Iago da Espada é o mais alto grau desta ordem e é concedido pelo Presidente da República a chefes de Estado estrangeiros, podendo também ser atribuído a “pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção”, lê-se no portal das ordens honoríficas portuguesas na Internet. 

(Soneto) de sophia de melo breyner andresen:
PORQUE OS OUTROS SE MASCARAM MAS TU NÃO


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

O LÁPIS DO AVÔ, por Carlos Brandão de Almeida

O lápis do avô 
OS terráqueos debatem-se com um problema reconhecidamente insolúvel: por um lado, aspiram a viver o maior tempo possível. Por outro, não querem enfrentar as infalíveis limitações que a velhice acarreta. Nada a fazer, senão aceitá-las e adaptá-las às contingências despontadas. A adaptação requer criatividade para urdir novos objectivos de vida. Exemplos não faltam: frequência de academias seniores, prestação de serviços comunitários, inscrição em agremiações culturais, cívicas ou desportivas. E, para maior deleite: cuidar dos netos quando para essa agradável função forem chamados  
O papel dos avós na educação supletiva dos seus netos pode revestir-se de enorme importância pois permite às crianças a aquisição de saberes que muitas vezes as escolas não lhes propiciam. E, para que esses conhecimentos tenham alguma valia formativa, as mensagens deverão expressar princípios morais de elevado valor humano. E, ainda, para serem apelativas, importa revesti-las de forma atraente em jeito de historieta. Dou um exemplo duma dessas histórias: 
Um menino observa o seu avô escrevendo num caderno e perguntou: 
- Avô, o que é que estás a escrever? 
- Olha João, estou a escrever um conselho para ti. Gostava que aprendesses esta mensagem. 
- Então eu ouvirei com muita atenção. Conte lá avô. 
- Queria que percebesses que, mais importante do que as palavras que estou a escrever, é este lápis que estou a usar! Espero que tu sejas como ele, quando cresceres. 
O menino olhou para o lápis e, não vendo nele nada de especial, intrigado, comentou:
Mas, avô, este lápis é igual a todos os que já vi. Afinal, o que tem ele de tão especial? 
- Bem, depende do modo como tu o olhas. Há cinco qualidades nele que se conseguires vivê-las, serás uma pessoa de bem e um cidadão exemplar. 
- Mas, um simples lápis tem assim tantos talentos? 
- Tem sim, olha a primeira qualidade é a de, com um simples lápis, podermos executar obras grandiosas. No entanto, nunca te esqueças de que existe sempre uma mão que guia os seus passos e que sem ela o lápis pouca utilidade tinha: a mão do homem e, para os crentes, a mão de Deus. 
A segunda virtude: o lápis regenera-se de vez em quando após ter sido afiado. O afiador agride-o e ele sofre um pouco mas, depois, torna-se mais útil. Se nós aprendermos a suportar as adversidades da vida, tornamo-nos numa melhor e mais forte pessoa. 
O terceiro atributo é o de que aceita que se apague o que escreveu erradamente. Aprende pois, meu neto, que o teres que corrigir uma coisa que fizeste, não é necessariamente mau, mas algo importante para te trazer de volta ao caminho certo. 
A quarta aptidão é de que o que realmente importa no lápis não é a madeira, mas a grafite que está dentro dela. Portanto, valoriza sempre o que mora dentro de ti. O teu carácter será a todo o momento mais importante do que a tua aparência exterior. 
O neto, muito atento e interessado perguntou ao avô: 
- Então avô qual é a última qualidade? 
-Olha, Joãozinho, o lápis, quando escreve, deixa sempre uma marca. Da mesma maneira, tudo o que fizeres na vida deixará traços e marcas. Para que esses marcos sejam valiosos tens que procurar ser consciente em cada acção que praticares. Afinal, nós só temos uma vida: ESTA! E só um momento: ESTE!”. 
Não será difícil aos avós vestirem as vossas lições de uma roupagem atractiva, adaptando ou inventando histórias. 
Carlos Brandão de Almeida 
Vilarosa, 2019.10.13 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

PÃO POR DEUS, diz-nos um grupo de crianças quando bate à nossa porta

No dia 1 de Novembro, há alguns anos atrás, fui surpreendida ao abrir a porta, após o toque da campainha, por um grupo de crianças que me disse: "PÃO POR DEUS". Eu sabia que isso se fazia, mas não sabia a história. Ela aqui fica. Devia ser mais divulgada, ser acarinhada por educadores escolares, não apenas por ser uma tradição portuguesa, mas porque incita à solidariedade, porque a criança que tem o saco das ofertas, vai dividir pelo grupo o resultado do peditório. 

E porquê no dia 1 de Novembro? Por ser dia de Todos os Santos? Não propriamente, mas acaba por ter uma conexão. Por ter sido no dia 1 de Novembro de 1755 que Portugal, principalmente Lisboa, teve um enorme terramoto (ou tsunami?)? 

Um ano após o terramoto, a população, aproveitando a festividade religiosa, organizou um peditório com a intenção de lembrar os seus mortos. (Dia 1,  Dia de Todos os Santos, os nossos Fiéis Defuntos).  Naquela altura a fome e a miséria ainda se fazia sentir na cidade. Os pobres de Lisboa, local mais afetado pelo terramoto, batendo às portas pediam esmola, mesmo que fosse apenas pão. E pela grande necessidade pediam "Dê-me uma esmolinha, dê-me "Pão por Deus". Muitos pobres receberam não apenas pão, mas também bolos (por isso em alguns lugares se referem ao "DIA DO BOLINHO"). As crianças que pedem,  representam as almas dos mortos que, segundo a crença, se não estiverem com Deus,  neste dia erram pelo mundo, o que não é verdade. Ai as lendas!... 

Mas um amigo, historiador, diz-nos que a história acima, referindo que os mendigos em Lisboa pediam "O PÃO POR DEUS"  que se teria iniciado um ano após o terramoto, não é verdadeira. Aqui fica. Estamos sempre a aprender:

..."É tradição muito mais antiga que 1755... essa história é amplamente contada, mas incorrecta... No século V já existia na Península e no século XV estava totalmente difundida em Portugal... Em 1755 só se exponenciou em Lisboa, por via do Terramoto, uma vez que os vivos mendigavam pão pelas ruas, pelo que, para não acontecer, o Marquês mandou distribuir trigo dos celeiros de toda a região de Lisboa, Ribatejo e Oeste por Lisboa... O que explica até porque Lisboa era o local de menor expressão dessa tradição no país. 

Ensine os seus filhos a fazer um saco, mesmo de diversos tecidos, assim temos duas actividades que ajudam: o espírito de trabalho em grupo e a solidariedade. E se eles e o seu grupo em vez de dividirem as ofertas as forem oferecer a quem precisa, melhor ainda.  
Feliz dia de "O PÃO POR DEUS".


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