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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MIA COUTO - Explicação de "May-be-man"

Não se podem copiar textos de quem os escreve. Podem no entanto copiar-se pequenos bocados do texto. Extractos. Mas tem, obrigatoriamente, dizer-se que se copiou, escrevendo o nome do verdadeiro autor. Eu por exemplo, copio algumas coisas da wikipédia, mas escrevo: este artigo só foi possível graças à wikipédia. Ou só foi possível com a ajuda da wikipédia. Porque eu, não sei tudo. Tenho de ler dos que sabem mais. Dos sábios mestres.
Às vezes dá-me cá uma raiva - como dizia o saudoso Raul Solnado - quero falar bem, mas não sai como eu gostaria, não digo as coisas como as diriam os sábios mestres. Ponho-me em bicos dé pés para chegar aos "calcanhares" deles, mas não chego, fico com dores de cotovelo, não, queria dizer que fico com dores de tornozelo, mas... não consigo falar assim. Paciência.Quando fôr grande vou escrever assim, irei falar assim como eles.

Então, quando não se consegue falar ou escrever como os "sábios mestres", temos de copiar um bocadinho (o tal extracto) do que eles escrevem ou dizem. Mas, repito, dizemos sempre de quem foi copiado.
E posto isto, vamos ao artigo do "may be man" (talvez, homem, talvez) escrito por MIA COUTO, que extraí de um artigo grandão, do escritor, do grande escritor MIA COUTO. O artigo completo foi publicado no dia 1 de Novembro de 2010, não sei em que jornal. Quando eu souber...digo. O.K.?
Começa MIA COUTO: Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o "May be man". E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Simplesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.

Dada a explicação do "may be man"... um híbrido entre o nada e o vazio, fica compreendido. Mas se lerem o artigo completo, vão deliciar-se. 

VIVA MIA COUTO. ABAIXO O MAY BE MAN.  Subscrevo o artigo do Mia, com todo o entusiasmo: Celeste Cortez



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para Ti - poema de Mia Couto


2010 - Dezembro - 06 - NA UNIVERSIDADE SÉNIOR DEI AULAS "ENTRE A POESIA E A MAGIA DA NATUREZA. NA PARTE DE POESIA, DEMOS MIA COUTO. ENSAIÁMOS O QUE FIZ PARA O DIA 13 DESTE Mês, NOSSA FESTA DE NATAL. TODOS ENTRAMOS, todos colaboramos (eu e os alunos). O Victor Ricardo Pereira, vai dizer o poema de Mia Couto, PARA TI.

PARA TI: Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada e para ti foi tudo
Para ti dei voz às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos vivendo de um só
amando de uma só vida

in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Uma simples flor alegra a nossa vista. Magia da natureza. A flor acima, tipo cacto, nasce nas falésias, à beira mar, em Cascais.

Ela aqui fica a adornar um poema de MIA COUTO, que não precisa de adorno, que diz tudo em poucas linhas

HORÁRIO DO FIM:

Morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

Morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

A estrada por onde já não vamos. Nunca é o justo momento. Nunca. Nunca estamos preparados.

MIA COUTO nasceu na Beira, em 1955. Vive no Maputo. É escritor, poeta, biólogo.
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