sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

PAI - em homenagem ao meu

 ARTUR DE CAMPOS Artur (Cortez da Silva) de Campos 06-01-1915 - 26-11-1973


Tudo isto, papá, ao seu retrato pertence:
Carácter, sentido do dever, simplicidade  
Amor ao próximo, bondade, humildade,
Lealdade, justiça, honestidade


 Querido papá hoje - a 6 de Janeiro de 2014 -  faria 99 anos. Despediu-se desta terra não tinha ainda 59. Nunca esqueci que nesse dia, onde quer que me encontrasse,  parecia que o céu  iria desabar a qualquer instante, ao ponto de uma colega dos Serviços de Economia ter comentado: pareces o Asterix. Sorri-lhe, sorri-lhe sem vontade, sentia-me triste, sentia que o meu coração pesava muito mais quilos do que o meu corpo que na altura não pesava mais de 55 quilos. Ao chegar a casa, havia um telegrama à minha espera: a triste notícia de o papá ter fechado os olhos para sempre. E tão longe de mim, sabendo que não seria fácil ir dar-lhe um abraço. Chorei? Não sei. Sei apenas que ficou um vazio no meu coração, um vazio que me fazia sofrer. Como se do coração lhe tivesse sido retirado um bocadinho, que nada nem ninguém poderia preencher. O meu coração ficou mais pobre.

Papá deixou-me saudades. Sinto-as sempre, mas neste dia revivem e fazem sangrar o meu coração. A  única maneira que encontrei de matar essas saudades, é recordá-lo. Recordá-lo pelo facto de nunca me ter batido, nem quando eu era pequena para me educar, dizia as palavras certas na hora exata e era o suficiente para me educar. Recordá-lo quando fez de meu professor pela falta de meios para continuar a manter-me no Colégio das Freiras, que era caro para o seu bolso de funcionário público honesto, com três filhos para criar. E que bem sabia ensinar - exigente é certo com os meus resultados. Semanalmente eu tinha de enviar os exercícios para a Escola Comercial Portuguesa, na Rua do Arsenal, nº.54 - 3º. esquerdo, Lisboa - Portugal. (Já não existe!) Já se encontrava em Lisboa quando fiz o liceu nocturno, com três filhas já crescidotas e duas também no Liceu. Como teria ficado  feliz se tivesse estado a meu lado quando fui estudando mais e mais num país estrangeiro. Recordo-o como poeta, escritor, embora pela sua simplicidade nada tenha publicado em livros. Escrevia para um jornal de Portugal e não tenho os seus escritos. Fez letras para o teatro e ranchos folclóricos - isso é ser letrista, isso é ser poeta. Só conheço algumas porque se as trouxe consigo para Portugal não pensei nisso quando deixei a casa com outras pessoas. Os papeis "andavam por ali" e não pensei guardá-los. Recordo-o como ensaiador de teatro e ranchos folclóricos, primeiro ainda muito jovem - eu era pequena - em Portugal, depois em África no Actor Eduardo Brazão e no Solão dos Beirões. Recordo-o mais tarde como meu chefe - exigente, exigindo que o meu trabalho fosse mais eficiente do que das demais colegas. Grande ensinamento, grande aprendizagem para a vida.Recordo as vezes que fui  consigo à cadeia da Beira, visitar os presos. Não lhes levava só biscoitos feitos pela mamã, levava-lhe também algumas revistas, jornais e livros! Recordo, recordo como era bom para todos nós e como fazia o bem sem olhar a quem, e como fazia tudo sem dar nas vistas.  Vim a ter conhecimento que a capela da sua terra, onde o nosso Fernando esteve quando o seu corpo estava frio, tinha sido erigida com peditórios que organizou, principalmente através das cartas que enviou para os emigrantes da aldeia e da vila, que estavam no Brasil. Não sei como fez isto, se pensar na sua timidez. Ah, já sei: Pôs a timidez no bolso esquerdo e escreveu com a mão direita e com essa entregou também os donativos e, a capela, ali está, linda e grande. (Foi acabada com outros peditórios anos mais tarde). Mas o que interessa é a obra começada, com paredes, chão e telhado e isso foi feito e funcionou até muitos anos depois ser acabada.
Papá, aqui estou para lhe dizer como tenho saudades suas. Como me recordo que, por fazer anos no dia de Reis, íamos primeiro com um enorme grupo da Acção Católica e mais tarde da Rádio Pax, cantar a diversas casas, começando pela do Governador da Beira, pedindo para os pobres. Acabava a festa na sua casa papá, onde havia uma mesa posta com o tradicional bolo rei e outros bolos que a mamã confeccionava para festejar o dia, o seu dia. Nasceu no dia de Reis. Será sempre um Rei especial no meu coração.  No coração dos seus filhos, genro e netos. Um abraço meu e de todos nós. E agora continue a festa que os Anjos lhe prepararam no Céu. Até sempre.  





                                  
                                   




  






















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