terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

AMÉLIA LUZ - POETA BRASILEIRA

A poetisa Amélia luz, com seu marido à direita da foto, tendo no lado esquerdo o Dr. António Gomes da Costa, Presidente do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro. 


AMÉLIA LUZ, de seu nome AMÉLIA MARCIONILA LUZ, é uma poeta brasileira.  

Publicamos a seguir um poema seu, muito profundo, de muito conhecimento, sob o título:
Ibéria, Histórica Ibéria.
Quando o homem recortou a península
Olhando o céu, dividiu as estrelas,
Contemplando o mar soprou as caravelas
Que vazaram as espumas do oceano
Em busca da expansão ultramarina...
Portugal, herói aventureiro das águas.
A Escola de Sagres: “Navegar é preciso!”
Atravessei o Atlântico em caravelas errantes
Conheci Camões, Pessoa e Eça
De quem herdei e falo a língua-mãe!
Na Hispânia convivi com povos guerreiros
Califados e clero em disputas terrenas
Nas lutas enganosas pela fé.
Cristianismo, Islamismo e Judaísmo,
Aromas misteriosos de incenso forte
E brilho de fogo nos olhos dos mouros...
A valentia semítica enfrentando tempestades
Buscando oásis nos montes da Serra Morena
Ou nas planícies da Andaluzia...
Invadidos e invasores nas rotas sangrentas de Leão e Castela,
Raízes latinas que palpitam na minh’alma
Em sombras e clarões, através dos séculos...
Romanos penetrando em centúrias na península
General, o guerreiro Cipião,trazendo na boca o latim,
Plantando a “flor do Lácio” em novo e rico chão.
A força da Península em missão civilizadora,
O Império Colonial Espanhol e Português,
Batizando a América, meu berço, minha origem!
De barro português fui feita: descobridores cobiçosos,
Bravos bandeirantes, feitores, escravocratas,
Algozes capitães do mato, tropeiros, garimpeiros,
Senhores de Engenho, Barões do Café,
Ou pedreiros, padeiros, feirantes,
Mascates, ferreiros ou carapinas!!!
Ibéria, Ibéria, a mediterrânea, olé... olé...
Portugal, Portugal, ultramar e latino,
Dentro do meu coração de além-mar...
Chora o mesmo fado, a canção, o verso,
Na poesia de todo dia, que teima a bater-me à porta...


SEGUE-SE NOVO POEMA DE AMÉLIA LUZ. Este descrevendo quem é SACI PERERÊ, (entidade fantástica do Folclore Brasileiro):

O gomo do bambu partiu e,
uma coisinha estranha de lá saiu,
gemendo, espreguiçando...
Mamãe Saci colocou-lhe um barrete vermelho,
-“Para lhe dar boa sorte” – disse!
Papai Saci deu-lhe alguns conselhos
E um velho cachimbo, ensinando-lhe
(só de brincadeirinha) as primeiras baforadas!
Sacizinho firmou a sua perninha, (era uma só),
deu alguns rodopios, treinou seu agudo assobio
e saiu pela mata e pela fazenda
fazendo muitas estripulias:
assustou o pobre lenhador,
soltou a bezerrada do pasto,
espantou as galinhas que estavam no choco,
quebrou todos os ovos do galinheiro,
fazendo ainda estragos no milharal e na horta!
Sinhozinho, no alpendre apavorou-se...
Era noite de sexta-feira, noite de lua cheia
e a situação estava ficando muito feia.
Chamou Nhá Nastaça para rezar
com galho de guiné e assim,
espantar os maus espíritos.
Correu até a sala. Carrilhão batia seis horas,
 
sol se escondia, noite chegava.
Com a taça na mão procurou água na moringa
viu que estava toda derramada,
nem uma só gota para molhar a goela seca.
O danadinho passou por aqui - pensou assustado!
Escutou bem perto um assobio ensurdecedor,
um arrepio correu-lhe pela espinha,
 
os cabelos dos braços arrepiaram, tal o medo!
Um vento forte vazou a sala...
Pela janela do casarão,
o Sacizinho saiu voando em disparada!
Crendice? Feitiço? Coisafeita???
Que nada! Era mesmo o Coisarruinzinho
visitando o patrão e fazendo as suas atrapalhadas!!!


Mas temos mais para mostrar desta Poeta querida. Amélia Luz também é poeta aldravianista, Aqui ficam algumas aldravias dela: (este tipo de poesia está descrito neste blogue, basta procurar por ALDRAVIA. 

QUÉDÊ A ALDRAVIA? Não olhe para trás nem para baixo leitor, a aldravia está mesmo, mesmo na cara do palhaço. Boa!



Bartolomeu marinheiro


BARTOLOMEU MARINHEIRO, 
Afonso Lopes Vieira 



Era uma vez 
um capitão português 
chamado Bartolomeu
 
que venceu
 
um gigante enorme e antigo.
 
Bartolomeu, em menino
 
pequenino,
 
ia para o pé do mar...
e ficava a olhar 
o mar...
 
E Bartolomeu cismava...
 
Ó que lindo, ó que lindo,
 
o mar, e a sua voz profunda e bela!
 
Uma nuvem no céu, era uma caravela
 
que novos céus andava descobrindo...

Ó que lindo, os navios, 
que vão suspensos entre a água e o céu,
 
com velas brancas e mastros esguios,
 
e com bandeiras de todas as cores!
 
Bartolomeu cismava
 
porque ouvia
 
tudo o que o mar contava
 
e lhe dizia.

domingo, 29 de janeiro de 2017

ALMADA NEGREIROS - A FLOR


A FLOR

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!
    
ALMADA NEGREIROS, nasceu em S.Tomé, quando seu pai, tenente de cavalaria,era administrador do Concelho. Faleceu em Lisboa em 1970. 



sábado, 14 de janeiro de 2017

homenagem ao Professor Doutor CARLOS-ANTERO FERREIRA

 FALECEU O PROFESSOR DOUTOR CARLOS-ANTERO FERREIRA 12 de janeiro 2017.


         Eu e o Tó tivemos a honra de ser chamados de "amigos" por este Grande Homem. No dia do seu falecimento publiquei algumas fotos e dizeres na minha página. Falei da sua grandiosidade como homem de Artes e Letras, como ser humano, como...

Eis que acabo de encontrar uma publicação que vem confirmar o que escrevi atempadamente afirmando o Dom do Amor pelos outros que este nosso confrade e amigo tinha. 

          Bem haja Professor Doutor Arquitecto Carlos-Antero Ferreira por ter sido quem foi, pela amizade, bondade, sabedoria. Um dia nos voltaremos a encontrar, eu o Tó e o Professor, à frente de uma mesa de café, ou numa academia qualquer, conversando, rindo... porque academias de amizade haverá sempre desde que esteja lá o Professor Carlos-Antero Ferreira.


Eu e o Professor Doutor Carlos Antero Ferreira, em Dezembro de 2013,
na ALA - ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PORTUGAL,
no lançamento do meu livro de poesia aldravista "CÂNTICO DE PALAVRAS",
que foi apresentado pelo Professor. 
Ao poeta Carlos-Antero Ferreira, a minha homenagem, publicando um poema seu escrito em Abril do ano 2015. Como sempre a sua poesia são lições. Esta é uma Lição de História Mitológica.

o Poema Genial do Professor Carlos-Antero Ferreira
A SECRETA PINTURA
Este poema foi ofertado pelo autor ao grande pintor português, nosso confrade na ALA - Academia de Letras e Artes, Luis Athouguia.

NO DIA PRIMEIRO O OLHO RECEBEU
o esplendor original e tudo que mostrava
ser fruto da criação: possuir forma e cor,
enquanto as divindades nasciam
inventadas de afluente maternidade
em intrépidas sagas e
imponderáveis alcovas de
antiquíssimas mitologias.
Mais tarde, mais tarde,
os séculos e os milénios agenciariam,
― como se hoje fora,
rigorosamente arrolar as existências
e disciplinadamente organizar o património
dos seres e das coisas,
segundo normas e regras rígidas
e severos critérios.
Ninguém aliás se deu conta
E ninguém ainda sabe,
De quem foi a ideia original
E a ordem para que assim se cumprisse!
Na aurora mais que primitiva,
de pé no cimo da Montanha,
tendo na mão aberta e estendida o olho que
recebera o esplendor primordial,
pintura de Luis Athouguia 
e das nove Musas rodeado,
um jovem cuja nudez uma leve túnica cobria,
recebia a revelação de que toda a matéria
terá forma e terá cor.
Perante macia folha de papel de algodão
e tendo nas mãos suaves pastéis,
o mesmo jovem que uma leve túnica cobria
havia de criar sem saber que o fazia,
em magnífica desordem
― mas com sábia sabedoria!
o léxico de todos os mistérios
o inventário de todos os enigmas.
No laboratório da secreta pintura,
acumulam-se códigos e referências a
rituais, sacrifícios, oferendas,
oráculos, ficções de magia,
oníricas visões,
cintilações do cosmo,
epopeias.
Passeiam-se Orfeu e os argonautas,
ciclopes e titãs,
e os imortais,
e os deuses dos ventos enlouquecidos,
e as quatro idades
e os dois hemisférios,
e todos os engenhos,
e antes de todos
o Alfa e o Ómega,
o infinito no finito,
Pássaros bisnaus insinuam-se
pela gula dos incautos
e nas funduras dos mares de Poseidon
chocam-se fragmentos de coral
e seres de todo inexplicáveis
movimentam-se no silêncio pesado
do tempo circular e um cometa
― ou será Pégaso?
passa fora dos limites do quadro!
Não é casual ou fortuito
o fogo das forjas de Hefesto,
e pela fome de imortalidade
antagonizam-se e lutam os arquétipos,
levantam-se tótemes,
invocam-se as divindades.
Há muito Epimeteu abriu a boceta de Pandora,
mas com a esperança que ficou no fundo
há-de redescobrir-se o perfume das flores
e o fresco orvalho nas manhãs dos bosques
― mas atenção!
que apesar das felizes dádivas das Ninfas,
há lágrimas ocultas
prontas a despenhar-se no abismo
pelas faces lívidas de máscaras venezianas,
enquanto o Pintor,
das formas muitas universal inventor,
e deveras prevenido do fatal exemplo de Babel
pede de empréstimo a fundo perdido
― máxima ousadia!
inspiração maior aos 22 capítulos
do grande mural do Livro do Apocalipse,
que o apóstolo João em Patmos escreveu.
Carlos-Antero Ferreira
Casa do Monte, Monte Estoril, em Abril de 2015

Mais um poema do Professor Doutor Carlos-Antero Ferreira, já publicado neste blogue:

O RESPEITO UNIVERSAL
     Folhinha de cordel ou lengalenga p'ra cantar na rua
do livro de poemas: "Breve Tratado dos Dias"

O professor chamou à escola
Os pais dos meninos
E fê-los sentar dois a dois
Muito direitos nas carteiras d'escrever.

E em severa prelecção, que assim, que assado,
Mas sobretudo que em nome da educação,
Do bom nome da instituição e da nação,
Assim não podia ser, assim não podia ser!

Na presença do professor,
Bem dissera e avisara o director,
Que o respeito tinha de ser respeitado
E os meninos comportar-se!

E para que não esquecessem, não esquecessem,
Por antecipado castigo mandou
Que todos vinte vezes escrevessem
A norma que em forma de ditado ditou:
      - Os meninos têm de comportar-se!
        Os meninos têm de respeitar!

Na sala de aula com paredes antigas
Onde do tempo a líquida memória se esvaía
E um solene presidente olhava, dependurado
Em murcha fotografia desbotada -

Os pais calados e deveras penitenciados
Ao professor ouviram compenetrados,
Os joelhos apertados
Os braços paralelos
Pelos cotovelos dobrados
Em ângulo recto dobrados,
E as mãos à frente abertas
Tal qual há milénios o escriba acocorado
Se via no compêndio de História estampado.

Resultou a prelecção:

Os pais, calados e deveras penitenciados,
Os rostos apagados em lisas faces venezianas
Brancas máscaras, e os meninos,
De olhos um pouco esbugalhados,
Aprendendo depressa a magistral lição.

E em dia de sol e de festa,
Em regozijo total e a bandeira hasteada,
A escola, exemplo nacional
Foi pelo ministério premiada
E em nome do respeito universal
o professor muito louvado


E o director com pompa condecorado.

Monte Estoril, Setembro 2010

OUTRO POEMA INVENÇÃO DO 5º. QUADRANTE... do Professor Doutor Carlos-Antero Ferreira

Rendidos,
Os poetas inscreveram-se nas
Aulas de Gaspar Monge
Porque lhes disseram
Que era forçoso disciplinar a
Poesia que faziam
- Os conteúdos rebeldes,
ou libertinos, ou levianos,
e a forma sem rei nem roque,
métrica ou rima.
E disseram também que para tanto
Nada melhor que a geometria
- De preferência a descritiva!
Mas depressa se cansaram
Do que na Politécnica ensinava o mestre.
E na mais tumultuosa
Reunião Geral de Poetas
- Convocada pelo sindicato
e até hoje registada pela história,
Deliberaram abolir a linha-de-terra
E o horizonte,
Eliminar as cotas e os afastamentos,
Expulsar do quadro os planos bissectores...
E proclamar a Revolução...
Que consistiu em inventar o 5º.quadrante
Que só existe, saibam todos!
Na imaginação dos poetas
- Mágicos e acrobatas,
geómetras e ilusionistas
de incansáveis piruetas!

Monte Estoril, Julho de 2010

 *Professor catedrático Carlos-Antero Lopes Ferreira;
Decano da Faculdade de Arquitectura de Lisboa,
Membro do Comité do Património Cultural do
Conselho da Europa, etc. 
diversos livros de estudos publicados. 
1970 - 1º.livro de poesia:  "A cidade e o Mar"
1982 - 2º.livro de poesia:  "E as palavras tinham sido inventadas"
2011 - "Breve Tratado dos Dias"

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

FERNANDA DE CASTRO (1900-1994) poemas



Reminiscência

"...Lisboa, Santarém, Porto, Leiria..." 
(eu sabia de cor toda a corografia)
O Senhor Inspector
deu-me a nota mais alta em geografia
e disse gravemente:
- "Continua. Hás-de ser gente..." -


"Ângulo recto, agudo,
cateto, hipotenusa..."
(Já manchara de giz a minha blusa
mas respondia a tudo
e a Professora sorria
enquanto eu papagueava a Geometria)


- "...D.Sancho, o Povoador...
D.Dinis, o Lavrador...
(Tinha então boa memória,
sabia as datas da história...)
1380
1640
1143
em Arcos de Valdevez...
(Muito bem, a pequena é simpática).


- "Vamos lá à gramática." -
"...E, nem, não só, mas também...
conjunções copulativas"
(Eu pensava na alegria
que ia dar a minha mãe,
nas frases admirativas
da velha D.Maria,
a minha primeira mestra:
- Tão novinha e ficou "bem"!" -
e esta suavíssima orquestra
acompanhava, em surdina,
o meu primeiro exame de menina
aplicada, orgulhosa e inteligente...)


- "Vá ao quadro, menina! Docilmente
fiz os problemas, dividi fracções,
disse as regras das quatro operações
e finalmente
O Senhor Inspector felicitou-me,
quis saber o meu nome
e declarou-me
que ficara "distinta" sem favor.


Ah! que esplendor!
Que alegria total e sem mistura,
que orgulho, que vaidade!
Olhei de frente o sol e a claridade
não me cegou.
As estrelas, fitei-as como iguais.
Melhor: como rivais,
e  a Humanidade
pareceu-me um rebanho sem vontade,
uma vasta colónia de formigas...
(As minhas pobres, tímidas amigas!)


Pouco depois, em casa, 
a testa em fogo, o olhar em brasa,
gritei num desafio
à Terra, ao Céu, ao Mar, ao Rio:
- "O mãe, eu já sei tudo!"
No seu olhar tranquilo, de veludo,
no seu olhar profundo,
que era todo o meu mundo,
passou uma ironia tão velada,
uma ironia
tão funda, tão calada,
que ainda hoje murmuro, cada dia:
"- Ó mãe, eu não sei nada!"

MÃE - TANTAS SAUDADES


                    
Mamã,

Nasceu em 1917, teria agora cem anos. O que são 100 anos nesta época em que imensas pessoas perfazem essa idade? Mas a mamã deixou-nos quando tinha percorrido ainda um caminho menos longo, apenas com 68 anos acabados de fazer!
Embora eu já fosse senhora da minha vida e mãe de filhas, não quer dizer que não me fizesse falta. Uma mãe faz sempre falta. 
Mas fez também falta às pessoas a quem ajudava sem querer dar nas vistas:
 À Cândida que era cega e não tinha dinheiro para viver. A mamã comprava uma galinha, condimentava-a saborosamente, cozinhava-a com arroz e mandava entregar a casa da Cândida dois ou três bocados, dos maiores... e que não tivessem osso.

Ao Larula, que, por ser doente mental, se esquecia das horas de regresso a casa e acabava por encontrar uma palheira (casa de fazenda), da nossa quinta onde se guardava a palha para os animais, os objectos de lavoura. Logo que a mamã se apercebeu que o Larula procurava a palheira, mandou por lá uns fardos de palha para fazer de colchão, uns cobertores e até um travesseiro.
Quem seria capaz de pagar da sua magra pensão mensal a um trabalhador que preparasse um grande espaço de terra e plantasse "flores para os finados"? E a mamã, com muita dificuldade, ia regando as flores, ia dando-lhes ânimo para crescerem e serem bonitas. Chegada a hora, pagava mais uma vez a quem lhe fosse cortar as flores e fizesse umas coroas ou ramos e mandava entregar a casa das pessoas que conhecia cuja pensão era bem magra  e que teriam de comprar as mesmas para por na campa dos seus finados.
São tantas as recordações que me vêm à memória e me deixam saudade, querida mamã. Neste momento recordo uma pequena parte de um poema de Fernanda de Castro (1900-1994) que soube descrever o que são saudades:     

As coisas falam comigo

numa linguagem secreta,
que é minha, de mais ninguém.
Quero esquecer, não consigo.
Vou guardar na mala preta
esta dor que me faz bem.      

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"   

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DIA DE REIS - REIS MAGOS - DIA DO NASCIMENTO DE MEU PAI, O MEU REI.

Pintura de El Greco (1541/1614 (pintura de 1568 +-)
os REIS MAGOS 
- e O MEU REI, MEU PAI.  
          Quem eram os Reis Magos? 
          No livro dos Salmos (Sl.71,11) "Os Reis de toda a terra hão-de adorá-Lo". Adorá-Lo, ao Menino Jesus. 
    Assim sabemos que estes Reis vieram do Oriente montados nos seus camelos e se dirigiram a Belém para ofertar os seus presentes ao Menino. Tinham sido guiados por uma estrela. 
          Os seus nomes eram Baltasar, rei da Arábia, de cor escura, era mouro, de barba cerrada, com quarenta anos de idade, partira do Golfo Pérsico na Arábia. Melchior rei da Pérsia de cor clara, partiu de Ur, terra dos Caldeus, era um velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas. Gaspar, rei da Índia de cor amarela, era um jovem de vinte anos, robusto, partiu de uma distante região montanhosa perto do Mar Cáspio. 
          O ouro representava nobreza e era presente oferecido apenas aos reis. O incenso ou olíbano representava a fé, a espiritualidade e era presente oferecido apenas aos sacerdotes. A mirra representava perfume suave e sacrifício, oferecendo-se aos profetas. Era usada para embalsamar corpos e representava a imortalidade (neste caso da alma). 
          O Rei Mago MelchiorEstes três Reis, simbolicamente representavam os Reis de todo o mundo, porque representavam as raças humanas
          Atribuiu-se à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro, poderia ter sido em outro dia mas não poderia ter sido no dia do nascimento do Menino, porque houve distâncias a percorrer.  
          Devemos aos Magos a tradição de oferecer presentes no Natal, em celebração do nascimento de Jesus. Há muitos países onde a troca de presente não é feita no Natal mas sim no dia de Reis, dia 6 de Janeiro. Nesta celebração também há muitos pais que se fantasiam de Reis Magos para a entrega de presentes, bem diferente da vestimenta do Pai Natal. 
          Quanto aos seus nomes, Gaspar significa "Aquele que vai inspecionar. Melquior ou Belchior quer dizer "Meu Rei é Luz". Baltasar é "Deus manifesta o Rei".
          As relíquias dos Reis Magos foram transladadas no século VI de Constantinopla (Istambul) até Milão (Itália). Em 1164, sendo já venerados como santos, as relíquias foram colocadas na Catedral de Colónia, na cidade de Colónia (Alemanha), onde ainda se encontram.

          
          Se você tem um Rei de quem gostou muito, eu também tive um Rei que continua dentro do meu coração, meu pai, que nasceu em 1915 e partiu em 1973. Relembro-o tantas vezes que nem tem conta. 
          O meu Rei Pai, nasceu também no dia de Reis, no dia 6 de Janeiro. Por isso hoje lhe presto esta pequena mas sentida homenagem. 
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