segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

CASCAIS - FORTALEZA DE NOSSA SENHORA DA LUZ

     A Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, de Cascais, um dos mais significantes monumentos históricos de Cascais, a seguir descritos pelo amigo e confrade DR. JOÃO ANIBAL DA VEIGA HENRIQUES, com quem naturais e habitantes de Cascais ouviram e visitaram a Fortaleza, na noite gelada e chuvosa de quarta-feira, 30 de Novembro de 2022, numa alusão velada, mas assumida, como ele diz, à ANTEMANHÃ DO 1º.DE DEZEMBRO DE 1640, que restaurou a INDEPENDÊNCIA NACIONAL DE PORTUGAL.  


          Impagáveis são os momentos, não só das histórias da História que ouvimos, da visita,  também da voz tão especial da fadista DEOLINDA BERNARDO, que já conhecíamos por meu marido ter cantado fado, num dia em que ela também cantou numa sardinhada, em 2011, ao ar livre, no Bairro dos Pescadores, em Cascais. (FOTO ACIMA). Quanta alegria por a rever, e a sua voz se não está na mesma, está ainda mais empolgante, sem deixar de ser espontânea e levando todos - ou quase todos - os presentes a cantar, a libertarem a criança que está dentro de cada um.  

     Seguem-se as palavras do GeÓlogo e Historiador, de quem tenho a honra de ser amiga e confrade João Anibal da Veiga Henriques: 

... "Como se de um segredo se tratasse, Cascais guarda nas velhas arribas sobranceiras ao mar uma inusitada “Matrioska” patrimonial. A torre joanina de Santo António, construída em 1488 e porventura um dos mais significantes monumentos históricos de Cascais, surge envolvida pela Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, edificada em torno da anterior já no final do Século XVI e por sua vez abraçada pelas impactantes muralhas da Cidadela de Cascais, fortificação construída por ordem de Dom João IV depois da restauração da independência nacional em 1640.

   Assumidamente guarda avançada de Lisboa, que zelava estrategicamente pelo controle do acesso à capital através da barra do Tejo, a antiga Torre de Santo António e posteriormente a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, desempenhou um papel de grande relevo em vários momentos importantes da História de Portugal. E o seu uso militar, que se prolongou durante muitos séculos, foi determinante na definição daquilo que haveria de dar corpo à Identidade Municipal.

   Utilizada como estação rádio-naval, quando o avanço técnico da guerra fez diminuir o seu poderio militar, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz passou 500 anos de costas voltadas aos cascalenses que, impedidos de ali entrar e de conhecer o monumento, criaram em seu torno uma aura quase mística de deslumbramento, de curiosidade e de interesse que aumenta paulatinamente.

   Na noite gelada da passada Quarta-feira, 30 de Novembro, numa alusão velada (mas assumida) à antemanhã que devolveu Portugal aos portugueses no dia primeiro de Dezembro de 1640, a Fortaleza da Luz abriu novamente as suas portas às gentes de Cascais. E foi literalmente com “fortaleza cheia”, que os historiadores Drª. Margarida Magalhães Ramalho e Dr. Joaquim Boiça desvendaram, através de uma conversa aberta que eu tive a honra de moderar, os segredos maiores deste importante monumento de Cascais.

   As visitas que ambos os especialistas guiaram através dos segredos imensos deste espaço, concretizaram assim o desiderato de devolver pontualmente a fortaleza às gentes de Cascais. E estas, embaladas pela voz harmoniosa da fadista Deolinda Bernardo, sentidamente calcorrearam os cantos e recantos onde cada pedra esconde uma história que merece ser contada.

    Foi uma noite grande para Cascais, esta que se prolongou madrugada fora enquanto durou a força praticamente inesgotável desta fadista extraordinária. E a porta voltou a fechar-se, sempre na expectativa de que volte a abrir-se definitivamente, ao sabor das palavras que deram forma ao convite inicialmente concretizado…

   Quando Fernando Pessoa escreveu a sua “Mensagem”, o Monstrengo ainda assustava quem dali se aproximava. Mas como a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz se conjuga, rimando, entre a espuma das ondas do mar e o verdejante amplexo da Serra de Sintra, pressentiu—se o Infante que marcou mais uma madrugada fria mas cheia de esperança com a certeza de que o Império efectivamente se vai concretizar: “Quem te sagrou criou-te português. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!

   Um agradecimento especial a todos os que tornaram possível esta noite de emoção, com especial sublinhado para a Drª. Margarida Magalhães Ramalho, para o Dr. Joaquim Boiça e para a fadista Deolinda Bernardo. As imagens são da autoria da fotógrafa Julia Lombao Pardo. Votos de um excelente final de ano, com a inovação de Nossa Senhora da Luz, em Cascais…João Aníbal Henriques"


A ANTEMANHÃ DE CASCAIS NA FORTALEZA DE NOSSA SENHORA DA LUZ


1 comentário:

  1. Celeste, querida amiga. Revisitando LETRAS À SOLTA encontro essa interessante história de Cascais. Lembro que assino LUZ por causa de Nossa Senhora da Luz, padroeira dos Açores. Ilha Terceira, de onde vieram os meus antepassados para as lavouras de café nas imediações do Rio Muriaé em Minas Gerais, Brasil, região onde moro. Sempre em laços para sempre atados entre Brasil e Portugal nossas histórias se misturas num caldeamento de muitas faces. Aqui muitos são os costumes daí. Encontramos lojas, mercearias, docerias, que vendem até uma cópia dos Pastéis de Belém. A Língua Portuguesa dos Trópicos sabemos diferenciada mas com as raízes em Camões, Eça, Pessoa, Herculano e tantos outros. Assim, deixo o meu comentário. Sou Amélia, neta de outra Amélia que recebeu esse nome do pai, o ,português Capitão Joaquim Antônio Vieira Cardoso, sesmeiro, por parte de mãe. Em homenagem à Imperatriz Amélia, esposa de Dom Pedro IV aí em Portugal. Muito bom ter essas raízes lusas, motivo de orgulho para nós. Esse país continente deixado por Portugal que teve a habilidade de manter unido o país de norte a sul no tempo do Império de Dom Pedro II, Filho do Dom Pedro IV. A Espanha não conseguiu essa façanha. a América Espanhola foi toda dividida em pequenos países que se conflitam até hoje com raras exceções. O Brasil permaneceu gigante pelas botas dos Bandeirantes dilatou fronteiras e no sul chegamos ao Uruguai pelas estratégias portuguesas. Muito bom ler o seu comentário. Obrigada.

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