domingo, 6 de fevereiro de 2011

"LIXO" PSEUDO-MUSICAL

LIXO PSEUDO-MUSICAL, por Carlos Brandão de Almeida

13-12-2010: Festa de Natal da ACTIS-UTI: Na foto, da esquerda para a direita: Celeste A.de Campos Cortez Silvestre,(Celeste Cortez), Florbela Brandão de Almeida, Carlos Brandão de Almeida e Henriqueta, colegas na Universidade Sénior - Actis - Sintra. O Carlos escreveu este artigo e outros neste blogue e espero que escreva muitos mais. O Carlos foi durante anos o director-"fazedor" do jornal da Universidade. Bem haja amigo.

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Esta foto nada tem a ver com o oportuno artigo que se segue:

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LIXO PSEUDO-MUSICAL

Imaginemos um endinheirado cidadão americano que resolveu empreender uma jornada cultural pelo Velho Continente. Ao optar pela via rodoviária, fez-se acompanhar pelo seu bem equipado Oldsmobile. Chamemos ao nosso turista John Smith, (amigo: mas que falta de imaginação!).
O senhor Smith aportou à cidade de Cádiz, metrópole espanhola de onde iniciou o seu périplo. Seguiu, via Sevilha, para Portugal, onde matuta empanzinar-se em comes e emborrachar-se em vinhos das nossas afamadas castas. Nada parvo este Smith!
Numa manhã soalheira, o John, com a sua banheira, ultrapassou a fronteira de Vila Real de Stº António, visivelmente encantado com a planície andaluza e deliciado com a audição radiofónica da excitante música sevilhana.
Percorridos alguns quilómetros, decidiu sintonizar uma estação de rádio portuguesa, procurando identificar-se com a cultura musical do país que visitava. Em vão. O nosso homem só abicha escutar sons seus bem conhecidos, originários dos States.”Well, with this song I think I am driving across the USA”, congemina o frustrado ouvinte, farto de procurar, debalde, ouvir música portuguesa.
Infelizmente é uma constatação que diariamente fazemos: a maioria das estações de rádio portuguesas privilegia a música estrangeira, particularmente a anglo-saxónica, em detrimento do sol-e-dó nacional. As melodias lusitanas foram banidas por douta decisão dos meninos e meninas que programam os canais de rádio lusos. Mas, também a música europeia é olimpicamente ignorada. E é ouvi-los, os locutores e locutoras, a declamar, com ênfase, os títulos das musiquetas do outro lado do Atlântico. E que dicção tão bem articulada. Melhor do que quando pronunciam a sua língua natal. Muitos destes apregoadores afirmam-se, quando lhes convém, anti-americanos, mas, curiosamente, contribuem para que os nossos euros se encaminhem para o erário ianque.
É de lamentar, por outro lado, que não só os programas de rádio nos atulhem de sons ruidosos, de barulhos desconexos e de berros espasmódicos. Também a nossa pobre e desimaginativa televisão nos enfarta com imagens de moços berrando estridentemente e pinoteando com presteza Vejam-se os concursos dos Ídolos (SIC) e da Operação Triunfo (RTP1) que, supostamente, se destinavam a descobrir valores vocais portugueses, cantando no seu idioma pátrio.
Não quero com estas observações que, já sei, os jovens considerarão caretas, desvalorizar a música norte-americana. Nada disso. Há muito boa música anglo-saxónica de excelente qualidade e que eu muito admiro. O que detesto são as resmas de pseudo música que nos impingem por conveniências comerciais
Tenho saudades das bonitas melodias, das harmonias envolventes, das vozes límpidas e cristalinas, dos belos sons portugueses, franceses, italianos, espanhóis, brasileiros, etc. que, faz tempo, nos deliciavam, romanticamente, os sensores auditivos.
Está-me cá a parecer que estão por aqui a fazer falta uns Conjurados de 1640 que venham varrer do nosso espaço etéreo os Migueis de Vasconcelos que por aí andam espalhando tanto lixo audiovisual e nos devolvam música e intérpretes de qualidade.

2010-12-23 Carlos Brandão de Almeida

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