sexta-feira, 8 de maio de 2015

O passeio de Santo António, de Augusto Gil - 1873-1929



 POETA AUGUSTO GIL – (1873-1929)


Saíra Santo António do convento,
A dar o seu passeio costumado
E a decorar, num tom rezado e lento,
Um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
O divino sermão piedoso e brando,
E nem notou que a tarde esmorecia,
Que vinha a noite plácida baixando…

E andando, andando, viu-se num outeiro,
Com árvores e casas espalhadas,
Que ficava distante do mosteiro
Uma légua das fartas, das puxadas.

Surpreendido por se ver tão longe,
E fraco por haver andado tanto,
Sentou-se a descansar o bom do monge,
Com a resignação de quem é santo…

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
O Menino Jesus baixou do céu,
Pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
Um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
Ele trazia… o coração no peito.

Sem suspeitarem de que alguém os visse,
Trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
– Ó Frei António, o que foi aquilo?…

O Santo, erguendo a manga de burel
Para tapar o noivo e a namorada,
Mentiu numa voz doce como o mel:
– Não sei o que fosse. Eu cá não ouvi nada…

Uma risada límpida, sonora,
Vibrou em notas de oiro no caminho.
– Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
– Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho.

– Tu não estás com a cabeça boa…
Um passarinho a cantar assim!…
E o pobre Santo António de Lisboa
Calou-se embaraçado, mas por fim,

Corado como as vestes dos cardeais,
Achou esta saída redentora:
– Se o Menino Jesus pergunta mais,
…Queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
E contra aquele amor sem casamento,
Pegou-lhe ao colo e acrescentou:
– Jesus, são horas…

E abalaram pró convento.


quinta-feira, 7 de maio de 2015









um link para ouvir Cântigo Negro, de José Régio, na voz do grande declamador português
http://www.youtube.com/watch?v=qKyWRJZnu2o&feature=related

Ao volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra (Poema de Álvaro de Campo...

FERNANDO PESSOA - POESIAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação, sem propósito, sem nexo, sem consequência,
sempre, sempre, sempre,
esta angústia do espírito por coisa nenhuma,
na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida…
Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo!
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestararm, ai de mim!, eu próprio sou!

À esquerda o casebre – sim, o casebre – à beira da estrada.
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
é agora uma coisa onde estou fechado,
que só posso conduzir se nele estiver fechado,
que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.

À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
no pavimento térreo,
sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
e ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?

Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?

Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
e, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
acelero…
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,
à porta do casebre,
o meu coração vazio,
o meu coração insatisfeito,
o meu coração mais humano do que eu, mais exacto que a vida.

Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao volante,
na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim….

Poesias de Álvaro de Campos,

domingo, 3 de maio de 2015

SAUDADES DE MINHA MÃE - "Esta dor que me faz bem" de Fernanda de Castro

POETA (poetisa) FERNANDA DE CASTRO (Lisboa 1900-Lisboa 1994) 

Fernanda de Castro, de nome completo Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro, esposa de António Ferro. Deu início aos Jardins Escola em Portugal. 

Esta Dor que me Faz Bem

As coisas falam comigo
uma linguagem secreta
que é minha, de mais ninguém.
Quem sente este cheiro antigo,
o cheiro da mala preta,
que era tua, minha mãe?

Este cheiro de além-vida
e de indizível tristeza,
do tempo morto, esquecido...
Tão desbotada e puída
aquela fita escocesa
que enfeitava o teu vestido.

Fala comigo e conversa,
na linguagem que eu entendo,
a tua velha gaveta,
a vida nela dispersa
chega à cama onde me estendo
num perfume de violeta.

Vejo as tuas jóias falsas
que usavas todos os dias,
do princípio ao fim do ano,
e ainda oiço as tuas valsas,
minha mãe, e as melodias
que cantavas ao piano.

Vejo brancos, decotados,
os teus sapatos de baile,
um broche em forma de lira,
saia aos folhos engomados
e sobre o vestido um xaile,
um xaile de Caxemira.

Quantas voltas deu na vida
este álbum de retratos,
de veludo cor de tília?
Gente outrora conhecida,
quem lhe deu tantos maus tratos?
Serão todos da família?

Ai, vou fechar na gaveta
a lembrança dolorosa
dos teus laços de cetim,
dos teus ramos de violeta,
do leque de seda rosa
com varetas de marfim.

As coisas falam comigo
numa linguagem secreta,
que é minha, de mais ninguém.
Quero esquecer, não consigo.
Vou guardar na mala preta
esta dor que me faz bem.

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"   

sábado, 2 de maio de 2015

POETA - MARTA MESQUITA DA CAMARA ou MARTHA DE MESQUITA DA CAMARA

Quando se é novo, o nosso coração,
É repique festivo d’alegria,
Há sempre em nós o sol do meio-dia,
Iluminando a vida n’um clarão!

Depois o tempo passa e ele, então,
É um sino tangendo “Avé-Maria!
A noite vem descendo, triste e fria
Já se começa a ver a escuridão…





              Anoiteceu. Há na velhice agora,
Envolvidos na bruma do mistério
Breves lampejos, vagas claridades…
A vida já é noite sem aurora,
E o nosso coração um cemitério, 
Onde vagueiam sombras e saudades!

Este poema encontrei-o publicado no blogue ser jovem - novacalliope, sem nome de autor. Mas este poema é de Martha Mesquita da Camara
Aulas de Poesia Análise e Interpretação – Celeste Cortez, 5-5-2014



terça-feira, 28 de abril de 2015

A MULHER QUE PASSA, VINICIUS DE MORAES (análise)

A mulher que passa (Vinicius de Moraes-1913-1980,(poema de 1938)
VINICIUS DE MORAES, (meia idade)
 poeta,dramaturgo
 Foto da internet com a devida vénia
e agradecimentos. 

VINICIUS DE MORAES, qual D. Juan apaixona-se por todas as mulheres bonitas, elegantes, ou que a ele pareceram assim. A beleza é subjectiva, cada pessoa tem o seu conceito. Casou nove vezes, fora... as vezes que não casou!
Descendente de avô e mãe pianistas, de cantores (seu pai e um tio), cedo se inclinou para letrista de canções (poeta) e composição (musicar canções), quer só 
ou acompanhado de outros compositores brasileiros bem conhecidos, como Tom Jobim, etc. Gostava de viver a vida, de copo de uísque na mão e rodeado de amigos.
Foi diplomata, mas porque dentro de si havia um homem show, um homem espetáculo, o palco era  a sua casa predileta. Assim, faltando ao trabalho nas Embaixadas Brasileiras onde deveria estar trabalhando, acabou por ser exonerado compulsivamente. Depois da sua morte foi renomeado, digamos assim, tendo ficado com o título de Embaixador. Porque na verdade, percorrer o mundo a dar show de poesia/show de canções/show de gentileza/show de simpatia/ é levar o seu país a ser mais conhecido, mais divulgado.     

A versão original da música, com o nome de Menina que passa, era diferente e continha a seguinte letra, composta por Vinicius:(informação da Wikipédia):
Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar
Quando na tarde vazia
Tão linda no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheio de balanço
Caminho do mar
Porém, nem Tom nem Vinicius gostaram da letra da canção. Então a versão definitiva foi refeita mais tarde por Vinicius, inspirado em Helô (Heloísa) Pinheiro, que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso (hoje o Bar tem o nome de:  Garota de Ipanema), em Ipanema.
Tom e Vinicius frequentavam assiduamente o bar, que dispunha de pequenas mesas na calçada. A Garota de Ipanema, Heloísa, morava na rua Montenegro, número 22 e somente dois anos e meio depois, já com namorado, ficou sabendo que era a inspiração da canção. Provavelmente em retribuição à homenagem, Heloísa, quando se casou, convidou Tom Jobim e sua esposa Teresa para serem padrinhos.
ANÁLISE DO POEMA DE VINÍCIUS DE MORAES, pela professora escritora Celeste Cortez - Aulas de Análise e interpretação de Poesia – 27-04-2015(em Sintra) 28-4-2015 em Cascais.

ANÁLISE DO POEMA DE VINÍCIUS DE MORAES “ A MULHER QUE PASSA” – Poeta Vinicius de Moraes 1913-1980 (poema escrito em 1938).     Aulas de Análise e interpretação de Poesia – 27-04-2015, pela escritora Celeste Cortez professora da ACTIS - Universidade Sénior de Sintra e da Academia Sénior da Cruz Vermelha Portuguesa – Polo de Cascais, Portugal: 


                   MULHER QUE PASSA
             
       Meu Deus, eu quero a mulher que passa  
                    
       Seu dorso frio é um campo de lírios
                    Tem sete cores nos seus cabelos
                    Sete esperanças na boca fresca!

 Meu Deus, eu quero a mulher que passa  

Cisnes mansos. Foto de Tó Cortez.
Repare no pescoço fino, que lembram braços delicados.  
Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.

Teus belos braços são cisnes mansos  

Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

 Poema A MULHER QUE PASSA de VINICIUS DE MORAES (1913-1980) escrito em 1938.

          O título e o tema revela-nos “o ser efémero”, transitório, repentino.  A própria pontuação também sugere. O poeta é um autor do modernismo, porém neste poema existem características românticas, todo o poema o denuncia, é próprio do feitio de Vinicius de Moraes, um romântico conquistador de mulheres. VINICIUS foi contemporâneo e amigo, visitante da casa da nossa grande fadista Amália Rodrigues, onde se faziam tertúlias literárias, onde se encontrava o grande poeta português Ary dos Santos e a poeta (que afirmou não querer ser poetisa) Natália Correia.
Vinicius foi mulherengo, teve oficialmente 9 mulheres.   

Refere os aspetos físicos de uma mulher que ele idealiza – ou apenas vê passar - e a considera perfeita admirando todas as partes do corpo dela de uma maneira sensual. Como poeta imaginador, ele sofre por que quer essa mulher. 

1 - Meu Deus, eu quero a mulher que passa - O poeta quer a mulher que passa. Pede-a a Deus, como se estivesse a rezar uma oração. Renova a sua prece diversas vezes no poema, com a mesma frase.   

Seu dorso frio é um campo de lírios - A “mulher que passa” é fria, é indiferente. Fria como um campo de lírios que nascem em lugares húmidos. Mas ser “fria” é ser indiferente. Ela passa indiferente, não o conhece, passa sem o ver. 

Sete cores – sete esperanças: O poeta eleva aquela mulher ao ponto de a comparar ao arco iris que tem sete cores. Ou pensaria nos sete pecados mortais? Apenas imaginação poética, talvez.

2 – Meu Deus, eu quero a mulher que passa!  O poeta insiste. 

Ó! Como és linda, mulher que passas – O poeta está em transe, apaixonado. Ele diz que ela é linda. O poeta é normalmente bom observador, tem bom gosto.   Ele deseja a mulher que passa e exalta a sua fisionomia, sendo que a mulher que passa é uma mulher qualquer. Surge como se fosse espontânea, despreocupada com a multidão e com o que acontece ao seu redor. Ela, mulher, podendo até ser uma pessoa simples porque o poema não demonstra, tem a capacidade de transformar o ambiente pela sua presença e passagem.

Que me sacias e suplicias, dentro das noites dentro dos dias! Saciar/aquecer; Suplicias/fazer sofrer/sofrimento. As 24 horas do dia, os sete dias da semana, sempre.  O poeta demonstra a sua gratidão à mulher que na sua imaginação o aquece, que o enternece, que o sacia dias e noites,  mas que também o faz sofrer. Nesta frase o poeta explora o efeito da linguagem, transmitindo-a aos leitores,  despertando-lhes impressões de intenso sensualismo.

Teus sentimentos são poesia, teus sofrimentos, melancolia – Bela rima poética, musicalidade. O poeta por estar em transe, adivinha os sentimentos e os sofrimentos da sua musa inspiradora.

Teus pelos leves como a relva macia. E os belos braços são cisnes mansos. Esta comparação é extraordinária: Imaginemos a beleza dos cisnes a deslizar num lago. O seu pescoço altivo. O poeta dá-nos a visão de os braços dela serem alvos, longos, bem torneados. Não podemos deixar de aceitar que ela é bela, sublime, uma vez que é colocado pelo poeta como um ser superior. Ele entra em transe, a mulher atrai a sua atenção. Silenciosa parece falar.  Porquê? Pelos seus gestos, comportamentos. Torna-se misteriosa para o poeta.

3 - Meu Deus, eu quero a mulher que passa! O poeta suplica. Quer. Quer mesmo. Insiste no seu pedido ao Criador. Mas a mulher passa, porque não é palpável, pelo menos não é palpável para o poeta, ela não é sua, quando passa nem sequer tem consciência que o poeta a deseja, segue em frente passando altiva e serena. Imaginemos o poeta sentado a uma mesa do café ou encostado a um pilar, vendo-a passar. Quantas vezes? Quantas vezes teria passado à sua frente, ele imaginando fazer-lhe um poema, até que o poema brotou de dentro do poeta romântico. Sim, este poema pertence ao estilo romântico.

Como te adoro, mulher que passas: O poeta confessa a sua adoração pela mulher que passa, deseja que ela preencha a sua vida.
E repete: que vens e passas, que me sacias dentro das noites, dentro dos dias.

Por que me faltas, se te procuro? Ela não sabe que o poeta a procura, ignora.

Por que me odeias quando te juro que te perdia se me encontravas e me encontrava se te perdias?  Pura imaginação do autor… mas poderá ser um apelo à sensualidade

Por que não voltas, mulher que passas? Por que não enches a minha vida? Voltar neste caso, poderá ser “voltar-se” para o lado onde ele está a espionar a sua passagem todos os dias..… Tendo em atenção que esta mulher existiu. O poeta inspirou-se numa moça que passava em frente ao bar onde ele estava todos os dias (Foi Heloísa Pinheiro). 

Por que não voltas mulher querida - Se bem que o verbo “voltar” pareça que ela já tinha sido sua e estejam separados, pode apenas significar que ela deixou de passar ali na hora em que ele esperava vê-la passar para se saciar com a sua visão .
sempre perdida, nunca encontrada… Afinal a frase “nunca encontrada” pode denunciá-lo. O poeta sentiu, sentia dentro de si que a mulher já era dele, já a amava sem que ela fosse sua companheira fisicamente.

Por que (por que razão) não voltas à minha vida para o que sofro não ser desgraça? Julga-se um desgraçado sem a sua amada imaginária.

Sempre perdida, nunca encontrada? – Para ele, poeta, não está encontrada fisicamente, apenas virtualmente, apenas no seu coração louco de poeta.

Eu quero-a agora, sem mais demora a minha amada mulher que passa: Roga, suplica, quer, exige.
Que é tanto pura como devassa: Na sua imaginação ela estimula ao pecado, porque gera sentimentos de pureza mas também de devassidão “pura e devassa”. Desperta desejos mundanos, carnais. Refere o estímulo que ela lhe causa para pecar.
Que boia leve como a cortiça: Da mesma maneira que a cortiça continua ao cimo sem se afundar, essa mulher nunca sairá do pensamento do poeta. 
e tem raízes como a fumaça - Na fumaça, o fumo evola-se em espirais, evapora-se, mas sai sempre do mesmo lugar, como se tivesse uma raiz de onde se vai evaporando.











sábado, 25 de abril de 2015

LÍNGUA PORTUGUESA - OLAVO BILAC (1865/1918)

“LÍNGUA PORTUGUESA”, 

OLAVO BILAC, BRASIL (1865/1918)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!



análise . a finalizar durante esta semana: Volte para ler.

paradoxo : Do poema acima "és a um tempo esplendor e sepultura" .Porque a língua portuguesa vai-se expandindo, (Brasil/Africa) e o latim vai caindo em desuso, vai morrendo, como o autor diz. o POETA faleceu em 1918. 




















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