sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
DIA DE REIS -SAÚDADES DO MEU REI - O MEU SAUDOSO PAI, que nasceu neste dia.
Querido e saudoso papá - Rei do meu coração: Hoje, 6-01-2021, se fosse vivo faria 106 anos. Há muito gente que atinge esta idade. Nasceu no dia Reis, no dia em que se cantam os Reis nas terras de Portugal. O papá foi o REI do meu coração, um rei que soube educar sem ralhar. Um Rei que só nos deixou bons exemplos. Relembro alguns:
- Recordo-o a visitar a cadeia da cidade da Beira onde viveu tantos anos e levar-me algumas vezes. Dizia-me que era para o ajudar a levar os biscoitos que a mamã tinha feito para os presos. Belo exemplo.
- Recordo-o em África, a tocar o seu bandolim ou o seu violino, sabendo tão pouca música mas tinha um tocar que vinha do coração, porque sentia a música, amava o ritmo. Recordo-o naquela noite de chuva intensa - chuvas de África - a regressar encharcado e apenas com uns pedaços partidos do violino, nas mãos, porque a chuva tinha invadido a parte baixa da vivenda e rebentado a mala de porão onde o guardava. E as suas lágrimas soltaram-se, pela primeira vez, à minha frente, ainda menina e moça. E eu sofri pela sua tristeza.
- Lembro-me quando ia visitar os pobres, em grupos da Ação Católica.
- Foi padrinho de algumas crianças que já crescidas, se quiseram batizar na Igreja Católica: alguns chineses e alguns africanos.
- Recordo-o como parecia voltar a criança, cheio de alegria e felicidade, quando finalizava uma demonstração dos grupos étnicos que ensaiava - Grupo Actor Eduardo Brazão e Solar dos Beirões.
- Recordo-o quando, com o Sr. Paralta, no dia da inauguração da Rádio Pax, fomos fazer um pequeno teatro, lindo, lindo, que tinha escrito para a ocasião.
- Quando fazia poesia para os Teatros e Ranchos Folclóricos que ensaiava.
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| Querido papá, continue a festa que os Anjos lhe prepararam no Céu. Até sempre. |
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
SAUDADES QUERIDA MÃE
PARA SEMPRE
Que as mães
vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho
Carlos Drummond
de Andrade
Esta dor que me faz bem, Fernanda de Castro
As coisas falam comigo
uma linguagem secreta
que é minha, de mais ninguém.
Quem sente este cheiro antigo,
o cheiro da mala preta,
que era tua, minha mãe?
Este cheiro de além-vida
e de indizível tristeza,
do tempo morto, esquecido...
Tão desbotada e puída
aquela fita escocesa
que enfeitava o teu vestido.
Fala comigo e conversa,
na linguagem que eu entendo,
a tua velha gaveta,
a vida nela dispersa
chega à cama onde me estendo
num perfume de violeta.
Vejo as tuas jóias falsas
que usavas todos os dias,
do princípio ao fim do ano,
e ainda oiço as tuas valsas,
minha mãe, e as melodias
que cantavas ao piano.
Vejo brancos, decotados,
os teus sapatos de baile,
um broche em forma de lira,
saia aos folhos engomados
e sobre o vestido um xaile,
um xaile de Caxemira.
Quantas voltas deu na vida
este álbum de retratos,
de veludo cor de tília?
Gente outrora conhecida,
quem lhe deu tantos maus tratos?
Serão todos da família?
Ai, vou fechar na gaveta
a lembrança dolorosa
dos teus laços de cetim,
dos teus ramos de violeta,
do leque de seda rosa
com varetas de marfim.
As coisas falam comigo
numa linguagem secreta,
que é minha, de mais ninguém.
Quero esquecer, não consigo.
Vou guardar na mala preta
esta dor que me faz bem.
Fernanda de Castro
em E Eu, Saudosa, Saudosa
em E Eu, Saudosa, Saudosa
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
domingo, 15 de dezembro de 2019
Memories are made of this, Quinta do Conde, 13-11-1992, vídeo de Jorge C...
Celeste Cortez
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
A PUBLICAÇÃO DO MEU ÚLTIMO LIVRO
![]() |
A VIAGEM DO NICOLAU PELO MUNDO DA FANTASIA, teve primeiramente o título "AVENTURAS DO NICOLAU PELO MUNDO DA FANTASIA".
... porque de 70 páginas as "aventuras" foram reduzidas para 48, por uma questão de conter custos financeiros, a editora propôs e foi concordado com a autora, esta mudança de título.
A publicação de livros meus ou de outros autores tem, no meu ver de autora, um custo exagerado.
Se há editoras que publicam gratuitamente, isso sucede a autores já com nome famoso, e regra geral a autores que trabalham na comunicação social, como na televisão, no teatro, e por aí. É lógico que sendo já conhecidos do público, a editora não precisa de gastar em publicidade. Naturalmente entre todos os livros enviados por autores da comunicação social, a editora escolherá os melhores.
Os outros autores, terão de trabalhar muito, deixar passar anos, até serem reconhecidos como bons, mesmo que recebam dos seus leitores centenas de comentários elogiosos à sua obra.
De vez em quando, um autor ainda jovem, consegue ser publicado em grande editora, naturalmente porque seu trabalho é mesmo bom, mas também há casos de sorte. Parabéns aos sortudos. Esses chegarão ao topo, receberão prémios no seu país e quiçá no estrangeiro.
A escrita dá muito trabalho? Sim dá, só não o sabe quem não escreve, mesmo que seja um artiguinho, uma pequena crónica para o jornal do burgo. Exige compromisso e disciplina, e quando um autor tem uma vida social, profissional e familiar a fazer, o tempo que fica para a escrita é pouco. Até parece que o autor não tem os mesmos direitos que os que não escrevem, porque quase lhe é vedado "gastar o seu tempo" no facebook, no instagram, ir ao ginásio regularmente, ouvir novelas da televisão. Mal do que não passa por cima de uns telefonemas com as amigas e amigos, ou de uma ida diária para tomar um cafézinho lá fora, com pessoas de quem gosta.
Naturalmente, e embora se fale e debata sobre igualdade de direitos (e deveres), o homem escritor que seja casado, tem muito, mas muito mais tempo para a escrita, porque tem, por sorte, (assim o desejo), uma esposa dedicada que faz a comida e quem sabe, até lhe levará um copo de sumo de laranja quando ele está matraqueando até altas horas no computador. O contrário, maridos que preparam refeições também os há, mas terem a delicadeza, a preocupação de fazer um sumo, serão poucos, antes pelo contrário, pensarão: para quê incomodar? "Ela", "a minha amada" se está tão concentrada olhando para o papel e escrevendo, escrevendo sem parar, não devo mesmo interromper, sem sequer para lhe dar um beijo. Deixo isso para depois, pensará!
Há casos em que grandes escritoras são mulheres, mulheres extraordinárias que conseguiram, mesmo tendo uma família constituída. Terão por certo uma capacidade acima do vulgar e também algum dinheiro para pagamento a uma secretária que, após escrever o livro lho passa a limpo, ou após a escritora o revêr, tem quem o formate. Terá dinheiro para uma faxineira, como se diz no Brasil ou uma empregada doméstica a tempo inteiro, como dizemos em Portugal.
Também quem começou mais cedo na vida escrevendo, teve mais tempo para ser reconhecido, porque nesta época que atravessamos, cada vez há mais escritores e, como parece, não tem aumentado o número de leitores.
Hoje os jovens, na sua grande maioria, só olham a escrita através do telemóvel (do celular no Brasil), e não compram livros. Também há mais facilidade para os ler através das Bibliotecas e Clubes de Leitura que há nos Colégios, estabelecimentos de ensino, na Universidade, etc.
Quem de jovem, ou de adulto, como é o meu caso, teve outro tipo de emprego, como empresária durante tantos anos, foi protelando a escrita e hoje tem, como é lógico, mais dificuldade de se inserir na lista de escritores do seu país e muito mais difícil na lista dos escritores mundiais, porque essas listas estão cada vez mais extensas. Leia-se sobre este assunto Gabriel Zaid, "Livros de mais - publicar na era da abundância", traduzido e prefaciado pelo também escritor e maestro Miguel Graça-Moura.
A escrita é paixão, é amor, quem lhe resiste? Não eu, que já publiquei alguns livros, embora só quatro tenham o ISBN, porque há seis livros que não pedi ISBN, por inexperiência. Eles são de co-autoria com alunos meus, idealizados e formatados por mim, em alguns todas as fotos são minhas. Esses livros são dos temas que se abordam nas aulas, nas disciplinas de Estudos Africanos ou de Cultura Geral, de Poesia, de História, que leciono, gratuitamente em Universidades Sénior, DESDE 1998, por sentir que é um dever passar aos outros aquilo que me foi dado.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
O PESO DO COPO - texto de CARLOS BRANDÃO DE ALMEIDA
O PESO DO COPO
H
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á uns
dilatados anos, integrei a direcção duma colectividade de cultura e recreio dos
subúrbios de Lisboa.
Quando se
celebrou um dos aniversários do clube, resolvemos organizar diversas
actividades comemorativas do evento. Como a agremiação tinha uma valência
cultural, incluímos no programa dos festejos várias acções de cariz erudito e
artístico. De entre elas, salientava-se a realização de uma sessão com leitura
de poesia, um episódio teatral e uma conferência sobre um tema da actualidade
que, cada vez mais, atormentava as pessoas: a gestão das tensões da vida
moderna. Para conferencista, convidámos o decano dos docentes da escola
secundária local, um professor muito admirado e considerado no meio estudantil.
A reunião começou com a abordagem genérica
à situação em que a sociedade se movia, particularmente dentro da esfera
discente.
Inesperadamente,
o orador pediu um copo com água. Satisfeito o pedido, o palestrante começou por
levantar o copo e interpelou a plateia:
- Quanto é
que os senhores e senhoras acham que pesa este copo de água?
Vários
assistentes exprimiram a sua opinião que, na generalidade, variava entre as 20
e 300 gramas.
O pedagogo
então parafraseou:
- Devo
esclarecer que não me importa o peso absoluto do copo. Importa-me sim por
quanto tempo vou poder segurá-lo. Se o sustento durante alguns minutos, tudo
bem!
Mas, se o
pretender manter durante um dia, vocês terão que chamar uma ambulância para me
levar ao hospital!
O peso é
exactamente o mesmo desde o início ao fim da experiência, mas quanto mais tempo
o mantiver seguro, mais pesado ele vai ficando.
A
dissertação ia ficando cada vez mais interessante e a assistência cada vez mais
curiosa.
O conferencista
logo satisfez a curiosidade da assembleia, concluindo:
- Pois,
meus senhores e minhas senhoras, peço-vos que ponderem esta realidade: se
carregarmos os nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde não
conseguiremos continuar com o esforço pois a carga vai-se tornando cada vez
mais pesada.
Assim
sendo, é preciso largar o copo e descansar algum tempo, para o poder segurar de
novo.
Concluiremos,
para finalizar, que temos necessidade de, periodicamente, deixar as nossas
cargas de lado. Isto alivia-nos e torna-nos capazes de continuar a nossa
missão.
É salutar
que antes de regressarmos a casa deixemos o peso do trabalho, ou doutras
preocupações, arrumados a um canto. Não os devemos transportar para o nosso
lar. Amanhã teremos tempo de recolhê-los e tratar deles.
A vida é
curta, aproveitemo-la!
Carlos
Brandão de Almeida
2018.03.31
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