terça-feira, 12 de agosto de 2014

TRÊS GOTAS DE ÁGUA, Afonso Lopes Vieira

Busto de Afonso Lopes Vieira, em Lisboa 
AFONSO LOPES VIEIRA




Três gotas d' água

E como a água escasseia, temos necessidade de a poupar.  









Três irmãs, três gotas d' água
Que o infinito condensa,
Sua mãe nuvem do céu

Lá daquela altura imensa
Desprendeu...


A flor morria à míngua d'água
mas sentindo a gota,  ficou viçosa e a cor reavivou 

           Vem uma cai sobre a flor
           Que à míngua d'água morria
           E mal a gota sentia
           Voltava-lhe o viço e a cor...







A gota de água que caiu perto do ninho, o passarinho bebeu-a




Caiu outra ao pé dum ninho
Que o passarinho bebeu...                                  





                                             Mas, a terceira no mar tombando
A gota de água triste dizia que nas ondas arrogantes desapareceria,
mas a onda do mar, com gratidão, achou que aquela gotinha a fez maior
Dizia chorando:

Nestas ondas arrogantes
Desapareço mesquinha;
Responde a onda marinha
Já sou maior que era dantes...

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