sábado, 8 de agosto de 2015

POETA SIDÓNIO MURALHA (1920- Lisboa- Curitiba 1982)



SIDÓNIO MURALHA - 1920-1982 -Emigrou para o antigo Congo Belga, em 1944. A partir de 1962, fixou residência no Brasil. Dedicou grande parte da sua obra à literatura infantil. Recebeu prêmios nacionais e internacionais. É considerado um dos melhores poetas para crianças em língua portuguesa.
Entre os livros editados para crianças estão:
A Dança dos Pica-Paus, A Revolta dos Guarda-Chuvas, Sete Cavalos na Berlinda, Todas as Crianças da Terra, O Trem Chegou Atrasado, Os Três Cachimbos, A televisão da bicharada, O Companheiro, A amizade bate à porta, Valéria e a vida, Bichos, bichinhos e bicharocos, Um personagem chamado Pedrinho, Voa pássaro, voa, Catarina de todos nós, Helena e a cotovia, Terra e mar vistos do ar, O rouxinol e sua namorada.

Além de muita poesia dedicada às crianças, escreveu outros poemas. Vamos deixar para o nosso leitor o poema "Romance", que nos fala com pudor, e num lirismo admirável, de uma gravidez acidental e aborto forçado, por conveniênciais sociais. Tema raro na poesia portuguesa daquele tempo e mesmo na atualidade. 


Depois daquela noite os teus seios incharam;
as tuas ancas alargaram-se;
e os teus parentes admiraram-se
e falaram, falaram…
Porque falaram duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural?
Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
Mas tudo terminou porque falaram.
Tu fraquejaste e tudo terminou.
- Os teus seios desincharam;
só a tristeza ficou.
Ficou a tristeza duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural…
- Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

HIROXIMA (HIROSHIMA) a bomba atómica, faz hoje 70 anos que caiu.

VAMOS REFLETIR SOBRE AS ATROCIDADES CAUSADAS PELA BOMBA ATÓMICA

Comentários de Celeste Cortez: 


O grande poeta Vinicius de Moraes, criou figuras fortes para se insurgir contra a guerra, contra a bomba atómica. 
Usou o verbo "pensar" no imperativo ("pensem"), convidando-nos  a refletir diante das atrocidades causadas pela guerra, e, principalmente, a causada pelo mais odiondo instrumento feito pelo ser humano, a destruidora “ bomba atômica” que pôs e pode continuar a por em perigo a sobrevivência humana.  

* - Vinícius grafa Hiroxima com X, pois a rigor é essa a adaptação do nome próprio japonês para a língua portuguesa. Em tempos mais recentes, devido à influência do inglês, é mais comum que se grafe a palavra com SH. Ambas as formas são aceites na norma culta.

A rosa de Hiroxima*
Foto da internet

VINICIUS DE MORAES

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


Vinicius de Moraes –(Rio de Janeiro 1913 – 1980  Rio de Janeiro) Vem de família de músicos e poetas (Pai violinista e cantor , mãe e avô pianista, tio cantor boémio.
 Vinicíus de Moraes (o poetinha) foi diplomata, músico, boémio… se isso é profissão, advogado, dramaturgo, jornalista,  crítico de cinema, compositor e poeta. Foi amigo da nossa grande fadista e letrista de alguns fados Amália Rodrigues.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ROMANCE "O MEU PECADO"


Romance "O MEU PECADO", de Celeste Cortez
contracapa da 2ª. ediçãoAdicionar legenda


É uma história intemporal, descrita de maneira simples, elegante e completa, onde o leitor é transportado  do imaginário à realidade, relacionando os factos tanto no contexto temporal como emocional.
Relata palcos da guerra colonial, em Moçambique, descreve paisagens de uma Africa nostálgica onde o sol brilha mais forte, beleza de lugares onde a memória Lusa esteve ancorada noutro tempo. Escrita pincelada com paisagens de tonalidades  que só  África tem.

Aflora memórias de um tempo que faz parte da História de dois povos, em que factos e tempos estavam no vértice de uma viragem.    

Na sua leitura é difícil separar a ficção da realidade, porque a trama  foi conduzida com habilidosa e poética descrição, relacionando os factos tanto no contexto temporal como emocional.  
 “O Meu Pecado” está recheado com aromas da terra onde se desenrola o drama nos teatros da vida.
  Coincidentemente, a história  tem algo de Romeu e Julieta,  Amor de Perdição, Frei Luis de Sousa,  Miss Saigão, apesar da autora não ter lido "Miss Saigão" antes da escrita deste romance. 
O MEU PECADO, é um acto criativo onde as palavras são convidadas  a adquirirem sentido, a gerirem emoções e com elas construir o drama existencial da personagem feminina principal, Ritinha.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

IÇAMI TIBA - ESCRITOR DE LIVROS SOBRE EDUCAÇÃO FAMILIAR - HOMENAGEM

Transcrevo com a devida vénia da Wikipédia:

Içami Tiba
Nascimento15 de março de 1941
Tapiraí, faleceu a 2 de Agosto de 2015 (74 anos) em S.Paulo

Nacionalidade brasileiro
Ocupaçãomédico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor e palestrante
Içami Tiba (Tapiraí, 15 de março de 1941 - São Paulo, 2 de agosto de 2015)[1] foi um médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre educação familiar e escolar e palestrante brasileiro. Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a Teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores.[2] Como palestrante Tiba também já fez mais de 3.200 participações de eventos do gênero, tanto no Brasil como em outros países.[3]

Dados biográficos

Filho de imigrantes japoneses.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

NELSON MANDELA - FARIA ANOS HOJE - 18-07-2015

NELSON MANDELA (1942-2013):


          Passou no dia 18, o 2º. aniversário da morte do grande leader sul africano NELSON MANDELA. 

          Dos meus quase 80.000 leitores, alguns teriam ido propositadamente ao blog para ler o que escrevi sobre Nelson Mandela. Como não tive nessa altura oportunidade de o fazer, mas porque sou de opinião que tudo se pode remediar desde que haja boa vontade, venho hoje deixar um pequeno texto sobre este HOMEM, que sempre admirei. E a prova disso, é que publiquei no blog, desde que o iniciei, 8 artigos sobre Nelson Mandela. Nem eu me tinha apercebido de tal! Agora que fui ver, não fiquei admirada, porque, na verdade este HOMEM teve todo o direito de ficar com o seu nome gravado a ouro na História, não só da África do Sul mas de todo o mundo.  
          Um homem que tinha razão para ter ódio e rancor aos brancos, àqueles que o mantiveram preso durante cerca de três décadas e não o fez. Optou pelo bem, pela paz entre os homens. Melhor dizendo este HOMEM, que sempre que falar dele escreverei com todas as letras grandes, esse HOMEM, repito,  soube "vingar-se" para não mais ser esquecido por quem lhe fez mal. Trabalhou inteligentemente para um fim pacífico do regime do apartheid e estabelecer os princípios de um país democrático, na África do Sul.

          Infelizmente os seus seguidores não aprenderam a lição. 
          Que Nelson Mandela esteja em paz, porque paz merece. 

Celeste Cortez 20-07-2015


sexta-feira, 17 de julho de 2015

POEMA - MORRI - HOMENAGEM A MARIA BARROSO, dizedora de poesia













     MORRI
     Preguiçosa acordou a manhã.
     Corre a notícia de que morri.
     Ouvi e li,
     Sem ver a data do jornal,
     Mas lá está – morri! 
     Não faz mal…
     Morrer, tenho a certeza,
     É o simples e esperado ocaso,
     No dever e respeito à Natureza.
     No interior da morte,
     Não perdi o norte.
     Despojada de elementos materiais,
     Afinal bem banais,
     Vou, bem arranjada,
     Aprumada e asseada,  
     Com meu fato de enterro,
     Pronta para a celestial festa.
     Foi desta!
     Durante a terrena vida, dia após dia,
     Aprofundei a pura essência
     Do encanto da poesia
     E da surpreendente ciência.
     Não me contentei com o existir.
     Fragmentei o tempo, antes de partir.
    Quase sem aviso, regressei ao Paraíso
    Donde um dia saí, em missão na Terra.
    Espalhei a paz, lutei contra a guerra.
    No fim da longa estrada
    Senti, enfim, alguma fadiga
    De jubilosa jornada.
    Não me faltou mão amiga!

    No desfilar de sombras na aragem
    Uma, lutuosa, me envolve.
    Esquecida da saudade,
    Qual animado saltimbanco,
    Para radioso céu azul e branco
    Parti sem bagagem
    Na derradeira viagem.
    Vou continuar a falar-vos, sem dor,
    De Deus, de Paz, de Justiça e de Amor.
    Não me choreis. Recordai-me com alegria!
    Adeus, amigos, adeus! Até um dia!
    Inédito de João Coelho dos Santos - Do livro no prelo 
     "NA ESQUINA DA VIDA"


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