sábado, 8 de março de 2014

KARINA - PARABÉNS

A Karina pequenina ao colo do pai, com a mãe na foto e os avós maternos. 
PARABÉNS KARINA, que passes este dia com muita alegria e muitos miminhos. Que venham muitos, muitos mais, e os festejes com saúde, alegria, felicidade, paz. Tenhas muito sucesso porque mereces.  

A Karina numa viagem de TGV, com os avós maternos,
em Abril de 2013 (Marselha Capital da Cultura 2013),
de Paris para Marselha. 
A carreira da Karina também a tem levado para diversos países - tem uma carreira internacional. Tirou o seu curso de Engenheira Química no Instituto Superior em Lisboa, colocada para fazer o estágio perto de Paris, França. Mais tarde foi trabalhar em Marselha. No exercício da sua carreira, viajou para Portugal e para outros países. Neste momento está num país frio da Europa.






À MULHER NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER (reeditado)


À MULHER, A TODAS AS MULHERES, DE UM MODO ESPECIAL À MINHA SAUDOSA MÃE , AQUI FICA A MINHA HOMENAGEM:

Falar do dia Internacional da Mulher, é falar das mulheres de todo o Mundo, nas mulheres de ontem e de hoje. Todas merecem o nosso respeito. Muitas ficaram e muitas ficarão na História da Humanidade. Impossível lembrar todas, mas aqui fica a intenção.
Pensativa, quedei-me por um instante.


A minha caneta também parou no papel. Olhou para mim com olhos impacientes, como que a perguntar:
- Com tantas mulheres que merecem ser lembradas neste dia, como podes enumerá-las? Impossível, tarefa impossível Celeste. 
- É verdade caneta amiga, tens razão. Não sei por onde começar.
- Olha, por que não começas por Eva, a primeira mulher?
- Para quê? Quem não sabe que Eva foi a companheira de Adão no paraíso e que... Olha, não preciso de me alongar nesta conversa.
- E se falares de Maria, a virgem que foi Mãe de Jesus Cristo? indaga a caneta muito interessada.
- Quem sou eu para falar de Maria, quando poetas e escritores, desde há mais de 2000 anos, dela têm escrito?
- E se mencionares a Raínha Santa Isabel de Portugal, que levava esmolas para os pobres e estas se transformaram em rosas no seu regaço, quando D. Dinis, seu marido, lhe perguntou o que levava? - atirou-me já um pouco impaciente a minha caneta.
- Bem, tens razão. Espera. Lembrei-me agora de uma mulher extraordinária, absolutamente especial. Chama-se Madre Teresa de Calcutá. Mas, se falar dela, terei de falar de muitas Madres Teresas espalhadas por este mundo fora, mulheres que fazem o bem e não se sabe, porque há muitas maneiras de fazer o bem.
A minha caneta passou a língua pelos lábios e sorriu. Será que se tinha lembrado de alguma mulher especial? Mas ficou calada, com aquele sorriso trocista, como quem diz: puxa pela cabecinha menina Celeste. Vá.
- Fiquei indecisa por uns momentos, mas tenho de continuar. De quem hei-de falar agora, neste dia especial dedicado às mulheres, às mulheres de todo o Mundo? Deixei escapar a pergunta olhando de lado para a caneta, que não se comoveu, entretida que estava a picar o papel. Estava entregue à minha sorte, à minha memória, ao meu conhecimento, por que não vi na caneta vontade de colaborar.
- Se escrevesse sobre mulheres que se distinguiram na política, como a Raínha D. Maria de Portugal, Benazir Butho (que homens mal intencionados mataram), de... Mas os nomes não me ocorrem, que maçada.
Comecei a notar a caneta toda a tremelicar de satisfação, desejosa de intervir. Acabou por abrir o bico:
- Por que não falas sobre mulheres como Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner Andresen, Glória de Sant'Anna, Noémia de Sousa, Alda Lara, e dos seus livros de poesia, mulheres da cultura. Numa Beatriz Costa, Maria Matos, Amélia Rey Colaço, no teatro português, Edith Piaff e Amália Rodrigues, vozes da canção que tão alto elevaram os nomes dos seus países?
- Boa lembrança querida caneta. E mais? Vá, lembra-te de mais, diz depressa. A caneta elevou a voz e um pouco pretensiosamente atirou-me à queima roupa:
- Ó Celeste Cortez, porque não abres o teu coração? Ai Celeste, Celeste.
- O meu coração? O que tem isso a ver com nomes de mulheres que devo homenagear?
- Claro que tem. Às vezes não tens todas as lembranças na mente, as melhores lembranças tens no teu coração, eu conheço-te. Abre o teu coração Celeste. E com a mão fez um trejeito à frente da sua boca, como se estivesse a fechar um fecho "éclair", indicativo de que os seus lábios ficavam fechados, que não tinha intenção de colaborar comigo.Abri a porta do meu coração devagarinho, sem ter a certeza de que tinha ali alguns nomes. Fui abrindo e espreitando ao mesmo tempo. Afinal no seu interior havia tantos, tantos nomes! Continuei a abrir suavemente, com receio de deixar sair alguns sem eu os ver. Mas não, não saíram. 
O que foi saindo foi o meu reconhecimento por todas as mulheres, desde a mulher menos famosa por ser em muito maior número, mas não menos necessária para o andamento do mundo: a mãe, a dona de casa, a engomadeira, a cozinheira, lavadeira, jardineira, a mulher que trabalha na fábrica, na padaria, na caixa dos supermercados, a advogada, engenheira, cabeleireira, empregada de escritório, a modista, a mulher da lavoura e muitas, muitas mais. Mulheres que abnegadamente executam as tarefas do lar, ajudam a educar os filhos e que, só muito raramente ouvem um elogio dos que amam.
Desenho de Michael Veloso. Respeite os direitos autorais
Mulheres do nosso tempo, que tendo que deixar os filhos entregues em creches e escolas, saem de manhã cedo para o trabalho, e no regresso, num corre corre vão ao supermercado fazer as compras, vão à creche, à piscina ou onde os filhos estão para regressarem ao lar e ainda tendo que lavar, limpar, cozinhar e dar amor aos que a rodeiam, esquecendo-se que também elas precisam de carinho e de descanso.
Nem o maior jornal do mundo, nem todas as televisões comportariam tanto elogio, a todas as mulheres, que deram à luz todos os cidadãos do mundo.
A minha caneta, pôs-se em bicos de pés e num beijo todo remelão, ia a dizer-me que eu, afinal, tinha muitas mulheres no meu coração. Não lhe dei tempo para se esticar mais, porque nesse momento, eu quis homenagear todas as Mulheres da minha família, desde tempos passados até ao presente. As que estão neste mundo, mas, de um modo especial aquelas que me recordo terem partido. E todas deixaram saudades. Algumas partiram recentemente. O meu coração enumerou-as, mas não vou deixá-las nesta folha escrita, prefiro que continuem dentro do meu coração para sempre.
Um soluço de saudade saiu do meu coração para deixar espaço para ali voltar a colocar todos os nomes.
A minha caneta, voltou a esticar-se em bicos de pés, trepou devagarinho até à minha face. Com o seu lencinho etéreo, limpou uns cristais que estavam a cair dos cantos dos meus olhos, e disse-me baixinho: Contei tantas, tantas! Eu sei, a última lágrima foi de saudade pela tua MÃE.

Celeste Cortez (publicado no Jornal "Página Beirã", a 16 de Março de 1995).

PS. Referi no presente Madre Teresa de Calcutá, porque este meu artigo foi publicado no jornal "Pàgina Beirã" em 1995. Madre Teresa veio a falecer em 1997. 





sexta-feira, 7 de março de 2014

DIA DA MULHER - ÀS MULHERES DA MINHA VIDA COM GRATIDÃO


DIA 8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER 

Não posso deixar passar este dia dedicado à mulher sem um doce pensamento de GRATIDÃO para as mulheres que ajudaram a moldar a minha mente e o meu coração: As minhas saudosas: mãe Georgina Amaral Castanheira de Almeida Campos e avó Amabília Paes de Melo de Almeida Amaral, minha avó materna.

Mas eu não seria quem sou se não descendesse também da avó Maria Cândida Cortez de Campos , se não tivesse como tia e sogra Maria Augusta Cortez Silvestre. 
E se não tivesse as mulheres que tive na família. São tantas que seria difícil enumerá-las. Mas como já estão noutra esfera, elas sabem quanto as amei e amo: as minhas cunhadas Celeste Portela e Celeste Mateus da Silveira Silvestre Cortez , a Zeza, a Orísia, a Lourdes, a minha prima Benilde, a minha tia Maria, as tias Emília, Maria Augusta, Encarnação, Isabel.  

A todas a minha saudosa homenagem e eterna saudade. 



quinta-feira, 6 de março de 2014

PASSEIO À LUZ DA LUA - SERRA DE SINTRA - 2011 (artigo reeditado)

PASSEIO À LUZ DA LUA - Serra de Sintra - Peninha

Celeste e Tó, com toches, percorrendo 
os trilhos dos monges Capuchos
de Sintra
Os trilhos dos monges Capuchos de Sintra, foram iluminados por um luar de uma fulgência sem par. Uma lua cheia, mais próxima de nós do que o habitual, na noite de 19 para 20 de Março de 2011, dando assim início à Primavera. Este fenómeno da Lua, só se voltará a repetir daqui a 18 anos.
Algures entre o mar e a serra, fica a Peninha. E foi esse o desafio que aceitei, percorrer 4,5 quilómetros, desde a Malveira da Serra até àquele local e regresso, naquela noite especial. Quando iniciei a subida - bastante íngreme posso dizê-lo- e com a falta de exercício a que o longo inverno me obrigou, (tudo serve de desculpa quando não se criam hábitos), senti a respiração afogueada, o coração a pular, em arritmia desconcertante, aquilo a que vulgarmente chamamos deitar os "bofes pela boca."
Nada mais me restava senão ... desistir.
Desistir quer dizer voltar para trás, voltar a percorrer mais de uma centena de metros até ao local onde se encontrava o carro. Ficar ali à espera do regresso dos outros, sózinha. Porque não me pareceu que meu marido estivesse com vontade de desistir. Ficaria sozinha no carro. O convite para o desafio dizia-me que seria o encontro às 9 da noite e a caminhada terminaria às 12,30. Ficar ali 3 horas e meia, seria o meu castigo pela falta de exercício no inverno, esquecendo-me que tinha nos últimos quinze dias um problema grave de coluna, que me tinha obrigado a ir ao médico e estava a tomar medicamentos anti-ferrugem, desculpem anti-inflamatórios!
Endireitei o corpo. Afinal o problema é que na subida me inclinei demasiado sobre o coração e este cansou-se da posição incómoda. Depois de lhe pedir desculpa, apelei a todas as minhas forças e continuei. Eu sou lá pessoa para desistir de um bom desafio?


Pouco tempo depois houve ordem de parar. Por uns minutinhos - muito curtos para quem estava na minha situação! Ouvi palavras maravilhosas àcêrca daquele trilho percorrido pelos Monges Capuchos de Sintra. Ouvi falar daquela noite especial em que a Lua Cheia, magnificente, deslumbrante, resplandecia sorrindo lá no alto. Não tão alto como era habitual - ela tinha-se aproximado do Planeta Terra, precisamente naquela noite.


Ouvi o Dr. João Henriques dizer: "escutando ao longe os passos perdidos dos nossos avós"... Deixei de ouvi-lo. Pensei que teria de apurar muito o ouvido, muito mais do que os caminhantes naturais de Cascais, porque os meus avós, que eu soubesse, teriam dado os seus passos lá para os lados de Viseu. Continuei a apurar o ouvido, e nem me apercebi que tinhamos andado, andado, andado. Tinhamos pisado pedras, pedrinhas, pedroços, calhaus, pedragulhos, sem termos passado por nenhuma pedreira. E as raízes das árvores, de pinheiros e cedros? Essas cruzavam-se debaixo dos nossos pés, sem eu perceber a razão porque nos dificultavam o caminho.


Comecei a escrever mentalmente um artigo sobre aquela caminhada, que saiu sem qualquer dificuldade. Estava maravilhoso. Seria o melhor de todos os meus escritos. Ah, que se eu tivesse levado um gravador! Será que, com o cansaço, ainda teria voz para falar para o gravador? Disparate. Passadas que são 24 horas, não consigo desatar o fio da meada para começá-lo... e nem vou tentar, apenas vou batendo nas teclas para deixar aqui o testemunho desta noite mágica.


Eis que ouvi um miúdo - sim também iam crianças, talvez não menores que 7 ou 8 anos -perguntar ao papá se podia esconder-se atrás de um arbusto porque... claro, talvez ele tivesse visto uma casa de banho! Mas eu era uma senhora. Como fazer? Nem pensar! Fui imaginando a mais bonita das casas de banho, como nunca vi igual. Comecei pela que idealizei para uma vivenda estilo antigo (velha de 40 anos, mas linda!) que tive em Fisher's Hill, ali no alto, vendo-se ao fundo Bedfordview, o Eastgate, em Joanesburgo. Para condizer com o quarto que era de tectos altos, trabalhados, que tinha de área 5x7 metros, iria o lugar - agora necessário - ter mais ou menos 4,5x3,5. Do alto das escadas do quarto para esse banheiro, o que sobressaía eram as colunas em frente à grande janela, onde dois vasos brancos, tinham fetos de folhas dentadas que pareciam rendinhas de cor verde. O w.c., escondido pelo espelho enorme da bacia dupla das mãos, e nesta, de cada lado uma enorme vela de cor vermelha iluminando duas lindas orquídeas matizadas de cores indescritíveis, quase irreais.


- "Cuidado", ouvi gritar em voz alta. "Cuidado com o charco, aqui só pode passar uma pessoa de cada vez". Sobressaltei-me. Eu que me ia sentar naquele banco almofadado da casa de banho e retocar os lábios, só esperando que me passasse a indecisão... baton cor de rosa, ou cor de?...Desci à terra, ou melhor, olhei para o lugar onde deveria pôr os pés para não encharcar as sapatilhas de ténis (que de ténis só têm o nome, eu mal peguei em raqueta de ténis durante toda a vida! E a jeiteira não deu para continuar!) Fui passando encostadinha à esquerda. "Cuidado com o charco", ouvi dizer novamente. Cuidado porquê? Era um charco lindo, onde a Lua Cheia (nesta noite tinha direito a letras grandes) deslumbrante no seu diáfano manto, fazia brilhar deslumbrante a pouca água ali estagnada. As lanternas dos caminhantes ajudavam também a dar uma variante de cores indescritíveis àquela água. Parecia irradiar uma certa magia vinda daquele charco! Passar a seu lado, contemplar a minha figura na água, era um privilégio. E tinha-me sido concedido esse privilégio!


- "Vamos virar à direita, passem palavra", ouvi uma voz ao longe. Se estivessem animais selvagens a dormir por ali, teriam acordado com a ressonância das nossas vozes, que quase em uníssono repetiam.... "vamos virar à direita, à direita, à direitaaaaaa"...


Para esquecer o cansaço daqueles 45 quilómetros de caminhada, desculpem, daqueles menos de dois quilómetros percorridos, disse à minha mente que podia continuar a vaguear por bons lugares, e que, quando eu precisasse, lhe piscaria um olho e ela deveria regressar de imediato. Ouvi rir, uma voz risonha mesmo rente a mim. Que descarada que é a minha mente, sempre a troçar quando eu digo isto. E respondona, diz-me na cara: a mente anda sempre sem parar, e nunca a poderás fechar na tua mão. Isso é um poema que fizeste Celeste: "quis fechar a mente na minha mão", mas não conseguiste fechá-la, tiveste de reconhecer que não foste capaz, que... E a mente deitou-me a língua de fora, como qualquer criança trocista. Irra! Ai que se eu tivesse folego para a apanhar, não sei o que lhe faria!


Anh? Ah! Vamos parar mais uns minutinhos. A comandante do grupo, perguntou: Pedro, aí atrás está tudo bem? Desta vez não trazes ninguém às cavalitas? O quê - perguntei à minha sombra mágica - das outras vezes o homem que fechava o cortejo, que tinha por missão certificar-se de que a turma seguia sempre em frente, (porque de um lado havia despenhadeiros que matariam quem lá caísse e do outro serra quase incapaz de subir), teve de levar alguém às cavalitas? Então não fui a única pessoa que pensou em desistir! Alguém teria sentido a mesma tentação e, não sendo possível fazê-lo porque o caminho já ia longo... como me sucedeu. A minha sombra mágica aproximou-se e disse-me ao ouvido: era uma criança que, satisfeita, teimava em caminhar, mas o Pedro quis dar-lhe uma boleia. Fica sabendo que o Pedro é um desmancha prazeres!


Apercebi-me que uma moça à minha frente afagou um arbusto erecto, que tinha umas flores, assim, nem sei como explicar. Um arbusto que estava ao lado do trilho que pisávamos. E disse repentinamente: áh! E o namorado foi lá e afagou o mesmo arbusto. Quando chegou a minha vez de passar-lhe ao lado, tive de experimentar. Afagar um arbusto num trilho por onde passaram os Monges Capuchos de Sintra, seria uma alegria que ficaria para sempre gravada na minha memória. Porque não me tinha lembrado antes? Resolvi afagar devagarinho, muito de-va-ga-ri-nho. Ai! Este ai! saiu sem eu querer. Afinal a moça teria dito ai! e não áh! e o namorado não tinha ido afagar o arbusto mas apertá-lo até o machucar... se fosse possível. Mas não era! Ele teria afagado um "tojo", planta selvagem, espinhosa, de flores amarelas. Quem não sabe o que é um tojo? Até eu sabia! Mas...


E divagando mais um pouco, cheguei ao fim. Ao fim do passeio até à serra. Havia ainda o caminho de regresso. Para baixo todos os santos ajudam, não é de preocupar. Mas... para baixo as pedras escorregavam e presenciei pelos menos uma queda numa pessoa bem mais jovem do que eu. Não vou dizer "gostei", bem feita, eu também caí quando subia. Não não vou dizer isso, eu não sou menina travêssa, mas pensei: não sucede só a quem nasceu primeiro!


A vista do alto da Serra, no lugar da Peninha, não é possível ser descrita. Magnificente, deslumbrante, resplandecente - não encontro adjectivos para qualificar - com aquele luar que marcou o início da Primavera. Via-se a Praia do Guincho, o mar, as luzes de Cascais, a iluminação da ponte do Tejo e dos lugares perto da sua margem sul. Pensei nas palavras que uma das guias (perdoe-me não retive o nome) tinha pronunciado quase ao princípio da caminhada: esta Lua é abençoada. Eu tinha-lhe pedido algumas bençãos para mim, família e amigos e para todos os caminhantes. Pensei na Lua, planeta pisado por Neil Armstrong em 20-07-1969, que está a 384 mil quilómetros da terra e tem um raio de 1.700 quilómetros que é praticamente um quarto (1/4) do raio da terra, naquela noite mais próxima da terra uns milhares de quilómetros, que um menino pequenito teria perguntado: Mamã, se usarmos um escadote bem alto poderemos chegar à Lua? Mas não há escadotes assim tão altos, filho. E o menino pulou, pulou, pulou, mas não conseguiu chegar-lhe.


Ela, essa Lua especial voltará a aproximar-se da terra daqui a dezoito (18) anos! Longos 18 anos. E pensei naqueles a quem convidei e disseram que ficaria para outra ocasião. Que trouxas, digo eu. Como se vão roer de inveja! afirmou o Dr. João Henriques. Mas que se aplicam aqui, sem mais nem menos.


Chegados ao topo, fomo-nos sentando, provavelmente todos tacteando o chão, não fosse suceder o que me sucedeu: ervas silvestres ia picando as minhas mãos doridas da queda, queda não, daquele afagar o chão, que me tinha deixado apenas um leve pó nas calças pretas, ao nível dos joelhos. E todos sentadinhos lá no alto, perto das ruínas, a encher o peito de fôlego para o regresso, ouvindo as informações do Dr. João Henriques relativas àquele lugar, foi outro dos encantos da noite. Pena não ter espaço nem as saber reproduzir. Que ali havia um cemitério onde, séculos antes, eram enterradas crianças até aos 7 anos, almas sem pecado, dissera ele. Agora é que lamentava não ter levado o gravador. Se o meu confrade autorizasse, eu deixaria aqui para vosso consolo, todos os conhecimentos que me foram transmitidos, mas que, ao apreciar a paisagem no regresso, fui esquecendo.


Porque não sei descrever melhor, vou usar palavras do confrade Dr. João Henriques sobre a organização : O SerCascais desvenda mais um segredo da nossa terra, guardado no sopro do vento, à luz de uma lua brutal e escutando ao longe os passos perdidos dos nossos avós.


Não deixem de fazer esta caminhada, acompanhados por quem sabe desvendar os mistérios que os caminhos dos Monges Capuchos de Sintra encerram. O tal segredo guardado no sopro do vento. Vale a pena. É uma experiência única. O mais velho dos caminhantes - eu adivinhei - tem 78 anos e está feliz por o ter efectuado. No meu mural do facebook as fotos elucidativas, com o meu casaco enfolado pelo vento acariciante da noite de Lua Cheia.


Celeste Cortez

POETA - DAVID MOURÃO FERREIRA

POETA - DAVID MOURÃO-FERREIRA(1927-1996) Lisboa. 
Original de Mãe Preta, letra de Piratini e Caco Velho, grande sucesso no Brasil, que foi proibido em Portugal.

O grande poeta português  David Mourão Ferreira (1927-1996)  aproveita a música e escreve BARCO NEGRO para  AMALIA RODRIGUES.

 MÃE PRETA, um poema excepcional  referindo a tragédia  da exploração, da escravatura e do racismo.

MÃE PRETA - (Piratini e Caco Velho) (Brasileiros):
   
velha encarquilhada
carapinha branca
gandola de renda
caindo na anca
embalando o berço
do filho do sinhô
que há pouco tempo
a sinhá ganhou
era assim que mãe preta fazia
criava todo branco
com muita alegria
enquanto na senzala
seu bem apanhava
mãe preta mais uma lágrima enxugava
mãe preta, mãe preta,
mãe preta, mãe preta
enquanto a chibata
batia em seu amor
mãe preta embalava
o filho branco do sinhô
          

 DAVID MOURÃO FERREIRA escreveu para Amália,  outro excepcional poema,  “Barco Negro”,  substituindo a tragédia da exploração/escravatura/racismo pela tragédia do pescador.
Amália Rodrigues tornou a música mundialmente famosa ao cantá-lo no filme francês os “Amantes do Tejo”

BARCO NEGRO:
          
De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.


Com o advento do 25 de Abril (1974) Amália grava o original Mãe Preta em 1978. 

Prémio Vergílio Ferreira a Ofélia Paiva Monteiro
Ofélia Paiva Monteiro recebeu o Prémio Vergílio Ferreira 2014. A Professora Catedrática aposentada de Literaturas Francesa e Portuguesa da Universidade de Coimbra sentiu-se “honrada” pela distinção atribuída pela Universidade de Évora, a quem agradeceu a homenagem.
Reconhecida pelo seu “perfil de grande investigadora e de autora que brilha pela profundidade e subtileza especulativa na sua vasta obra ensaística, que incide particularmente em Almeida Garrett, mas também em outros autores marcantes da literatura portuguesa”, Ofélia Paiva Monteiro produziu ao longo de 40 anos de carreira académica “vasta obra de alcance nacional e internacional”, particularmente sobre Almeida Garrett, grande vulto da literatura portuguesa.
“Estou na ordem da realidade, mas mais me parece estar na da ficção,” disse Ofélia Paiva Monteiro, momentos após receber o prémio. A investigadora afirmou que este prémio a deixa “com mais alento reta final que ainda tenha a percorrer.”
“Ao inscrever, neste ano de 2014, o nome de Ofélia Paiva Monteiro na galeria dos galardoados, o Prémio Vergílio Ferreira, e a Universidade de Évora que o atribui, saem ainda mais ricos e prestigiados,” disse na cerimónia de entrega do prémio, o Reitor da Universidade de Évora, Carlos Braumann.
Entregue pela primeira vez em 1997, o Prémio Vergílio Ferreira foi criado com o objetivo de homenagear o escritor e premiar o conjunto da obra de escritores portugueses relevantes no âmbito da narrativa e do ensaio. Ofélia Paiva Monteiro junta-se a uma galeria que já conta com nomes como Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vítor Aguiar e Silva, Agustina Bessa-Luís, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Luísa Dacosta, Maria Alzira Seixo, José Gil e Hélia Correia, distinguida o ano passado.
JB | UELINE - Publicado em 03.03.2014

terça-feira, 4 de março de 2014

DIA 8 - DIA INTERNACIONAL DA MULHER



PORQUE SE COMEMORA O DIA DA MULHER?

Veja o artigo - aqui - a sair a 8 de Março (2014). 
Entretanto, não deixe de ir preparando uma prendinha especial para a sua:

mãe, sogra, mulher,noiva, filha,amiga


NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Ofereça...
Se não puder ser um perfume
que seja uma caixa de chocolates
se não puder ser uma caixa de chocolates
que seja um ramo de rosas
se não tiver dinheiro para um ramo de rosas
ofereça uma flor,
se não tiver possibilidade para oferecer uma flor...
ofereça uma flor silvestre...
Corte-a com amor do campo baldio
e ofereça-a com a paixão do verdadeiro amor.
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