quarta-feira, 11 de setembro de 2024

ROMANCE "O MEU PECADO"

 



                                               COMENTÁRIOS DE LEITORES - FÃ CLUBE (ª)

                                                                  
 

          Celeste, Li já MÃE PRETA. Estou terminando de ler O MEU PECADO. Gostei imenso de ambos (do segundo, até onde cheguei). O vocabulário de Mãe Preta, muito bem explicado no glossário, o seu texto agradaria a Machado de Assis e sua cobrança pela “cor local”... A trama e o drama da protagonista são tocantes.

          O que mais me chama a atenção é a fluidez de sua ficção, a linguagem leve e transparente não deixa de construir o entrecho denso e multifacetado – como no caso da discussão filosófica da “diferença”, no questionário a que é submetida a protagonista, no trecho que você destaca – a delicadeza da visão de Lina é mais que tocante. Pena é que o gênero humano tenha seguido trilha de diminuição de valores como esta sensibilidade.

        Já a saga do protagonista de O MEU PECADO é contagiante. Aliás, sua ficção prende pela delicadeza e franqueza. Os duelos verbais não fazem sombra na verdade das palavras que brotam da boca das personagens que você cria.

          Penso que a literatura guarda uma herança irrecorrível que muita gente, infelizmente, teima em que querer execrar: a escrita. Esse mérito, entre todos os demais, seus romances têm. Numa palavra: gostei.

          Ainda que minha opinião pessoal seja apenas mais uma – e, confesso, com o passar do tempo tenho ficado mais chato, o quê, de certa forma, me faz sentir-me como um dinossauro, portanto, muito longe do que poderia ser uma “unanimidade” – e valha muito pouco, não perco oportunidade de expressá-la, quanto mais quando é para tecer elogios mais que merecidos. Obrigado por sua confiança, delicadeza e amizade. Já no aguardo de mais um volume, deixo meus cumprimentos.

 

Livros do escritor e professor catedrático (agora jubilado, aposentado da Universidade de Ouro Preto-Brasil)  -  José Luiz Foureaux de Sousa Júnior:

 

Literatura e Homoerotismo”- “Você ou a certeza da proximidade das coisas”;-  “Makanceva” (romance) - “As cartas não mentem;(estudo da correspondência entre o poeta António Nobre e Alberto de Oliveira,   publicado pela Universidade de Coimbra)”


(ª) O    s comentários escritos fazem parte do PORTEFÓLIO dos livros, em posse da autora Celeste Cortez, de Portugal. 

 

                                                                      

 

 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

PALAVRAS QUE VALEM A PENA.

                                                                      
           Um dia comentei umas palavras no facebook, de um jovem moçambicano, por serem palavras acertadas, capaz de encher o coração de quem aprecia palavras bem escritas. Pelo perfil sabia que era um jovem fora do seu país, à procura de aprender mais, aproveitando para divulgar a cultura africana e conhecer outras. 
                                                                                                                   

         Começou a tratar-me de "mãe". Que na verdade sou, até avó e até já ultrapassei a fasquia, sou bisavó, com muito orgulho dos 6 bisnetos que tenho. Que coisas lindas! Dizem que sou jovem para bisavó! Por certo ter uma família - embora vivendo em diversos países - mas que nos acarinham todos os dias com os seus telefonemas e mensagens, ajudam a sentirmo-nos jovens e felizes. 

          Resolvi enviar ao jovem moçambicano, um dos meus romances, o primeiro que publiquei, que nasceu com o nome de O MEU PECADO, o pecado de todos os que se sentiram culpados de certo acontecimento que mudou a vida de duas pessoas que se amavam. O romance situa-se, na primeira fase em Moçambique, onde vivi 25 anos, nem menos um dia, e finaliza em Portugal muitos anos depois, quando Ritinha procura o homem da sua vida e Raquel o pai que deveria ter, como as outras meninas. 

         E quase uma vez por semana, às vezes mais, o Jone comentava no Messenger, capítulo por capítulo, a sua apreciação. Quantas vezes tentando desculpar uma pessoa faltosa, outras vezes mostrando-se revoltado com os que procediam muito, muito mal! O Jone mostrou um sentido de justiça a toda a prova. E a prova é que está no estrangeiro a fazer um curso que honra a sua consciência e irá ajudar o seu país, pelo menos a sua comunidade, para os lados do Norte Moçambicano. 

         Durante uns meses falharam os comentários. Falhou a escrita entre o Jone e a autora deste blogue, autora não só daquele romance. Eu e meu marido, já habituados à leitura dos seus comentários, receei que algo lhe tivesse sucedido. Tentei indagar. E eis que as notícias voltaram, dizendo-me que naqueles 3 meses tinha estado a estudar arduamente para fazer o seu exame à Universidade. Num país estrangeiro, numa língua que teve de aprender. E passou com boas médias. Não regateei os meus parabéns, com aplausos. 

         Não posso deixar de dizer que um dia recebi dele palavras que me fizeram chorar, chorar de alegria, pelo carinho, pela apreciação da minha escrita.  Estes elogios finais - será que os mereço? -, mas não posso deixar de os agradecer de todo o coração!

Continuamos as nossas conversas epistolares, através do facebook e agora por email, para lhe dar coragem. Quem estuda tão longe do seu país, Moçambique, por certo precisa de coragem e incitamento para prosseguir os estudos. Anteontem enviei-lhe o romance "Mãe Preta", desejando que o aprecie tanto quanto apreciou O Meu Pecado.

Obrigada Jone S. E. pelas palavras especiais com que brindou a minha escrita. Obrigada por me chamar mãe, porque só é mãe quem acarinha.

            Celeste Cortez (c)  

 

domingo, 11 de agosto de 2024

JOGOS OLÍMPICOS

 

foto Celeste Cortez (c) direitos reservados. 

Em próxima reportagem, além dos parabéns aos atletas portugueses, a todos os que participaram nos Jogos Olímpicos, quer tenham trazido medalhas ou não, irei alongar-me um pouco mais. Por hoje direi que adorei cada minuto dos jogos.

Eu e meu marido, (a minha idade não conta, ele já fez 91 este ano), está combinado que, como este ano os jogos olímpicos apanharam-nos desprevenidos, com falta de treinos, mas daqui a 4 anos lá estaremos, a participar, em conjunto, pelo menos em duas modalidade: maratona e ginástica sincronizada. Sim aquela na piscina em que mergulhamos de cabeça para baixo – claro, de nariz tapado -, e fazemos exercícios lindíssimos com as pernas fora de água. Não são difíceis! São agora! É mesmo só levantar as pernas e exibirmos a nossa esbelta figura, ginasticada. Vão ser em Los Angeles, calha bem, lá estarão, na bancada, para nos apoiar, a nossa neta Nadine e o marido, e o nosso bisneto e bisneta, que agora têm 8 e quase 6 anos, respetivamente. Não quer dizer que a família espalhada por todo o mundo não esteja lá também, acredito que eles o façam, para nos aplaudirem, principalmente quando nos entregarem as medalhas de ouro! Serão 4 medalhas para Portugal, duas de cada um de nós. 

E também fica prometido que, daqui a 15 anos, estaremos nós – eu e meu marido, nessa altura ele terá 106 anos apenas  – a aplaudir os nossos seis bisnetos nas suas provas olímpicas. Isso mesmo, seis, porque os bisnetos da parte do Robbie e do Nicholas, como ainda hão-de nascer, iremos aplaudi-los, onde quer que sejam as Olimpíadas,  daqui a 20 anos.

E vocês queridos amigos, quer estejam lá no lugar dos Jogos Olímpicos, ou cá, não nos regatearão os vossos aplausos. Nem deixarão de aplaudir os nossos bisnetos na altura deles, assim como nós aplaudiremos os vossos. Fica combinado?

Por agora, um grande abraço a todos… não nos podemos atrasar, os próximos jogos olímpicos são já daqui a 4 anos… vamos a correr vestir os aparatos necessários, não há tempo a perder, 
são horas de começar os treinos.   

Texto de Celeste Cortez - 11-08-2024 - (c) direitos reservados. 

, .

 

sábado, 20 de abril de 2024

BOM DIA AMIGOS

       

A TODOS OS SEGUIDORES DESTE BLOGUE


                                         UM DIA SUPER FELIZ,

                 QUE TODOS OS DIAS O SEJAM

    COM ALEGRIA,SAÚDE E PAZ

Deseja a escritora Celeste Cortez                            


                                       
   


                                                                     








                                                  

POEMA - ANTÓNIO GEDEÃO

                                VENTO NO ROSTO 

                               poema de António Gedeão




                               À hora em que as tardes descem,

                       noite aspergindo nos ares,
                       as coisas familiares
                       noutras formas acontecem.

                      As arestas emudecem.
                      Abrem-se as flores nos olhares.
                      Em perspetivas lunares
                      lixo e pedras resplandecem.

                      Silêncios, perfis de lagos,
                      escorrem cortinas de afagos,
                      malhas tecidas de engodos.

                     Apetece acreditar,
                     ter esperanças, confiar,
                     amar a tudo e a todos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

POEMA DE NATAL - NATAL DE 1971 - JORGE DE SENA

 

Blog: Letras à solta http://CelesteCortezblogspot.com/

 
1 - NATAL - NATAL DE 1971 - JORGE DE SENA 
        (Lisboa 1919 - Santa Bárbara-Califórnia 1978)

 Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma Justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido.
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se.
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé.
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm.
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?

Novembro 71, Jorge de Sena. Neste poema NATAL 1971, poema cheio de interrogações, explica claramente e inequivocamente as contradições do que deveria ser o Natal em vez do "mundo todo bombas" em que se vive, em que a humanidade viveu muitas, demasiadas vezes, particularmente neste tempo de guerras Rússia/Ucrânia e Guerra Israel/Palestina. As interrogações, melancolia, inquietações expressas neste poema pelo grande poeta que foi Jorge de Sena, continuam a fazer sentido, a ser as inquietações de todos nós, no presente.

sábado, 11 de novembro de 2023

DIA 11 DE NOVEMBRO, DIA DO ARMISTÍCIO

 

1ª. GUERRA MUNDIAL - As armas silenciaram. Os canhões calaram-se. Fez-se silêncio. Elevemos o nosso pensamento pelos que pereceram naquela guerra e continuam a perecer em todas as guerras da humanidade.

As papoilas que nos recordam dias tristes e o poema que as fez brotar.


     A 11 de novembro de 1918, às 11 horas, assinou-se o acordo de paz entre os Aliados e a Alemanha (esta vencida), num vagão-restaurante na floresta de Compiègne, França, colocando-se oficialmente um ponto final na Primeira Guerra Mundial, iniciada quatro anos antes.

   As armas silenciaram. Os canhões calaram-se. Fez-se silêncio. Elevemos o nosso pensamento, durante 1 minuto – às 11 horas (pela hora de França, onde foi assinado o armistício). Lembremos milhares de homens que morreram em combate e de todos os que morreram por causa daquela maldita guerra. E que acabem todas as guerras. Que todo o mundo viva em paz. 

   PORTUGAL participou da Primeira Guerra auxiliando os batalhões britânicos estacionados na Bélgica e também em África, enviando tropas para combater em Angola e Moçambique (A Alemanha depois da conferência de Berlim (15-11-1894 a 26-02-1895), que marcou a colaboração europeia na partilha e divisão territorial de África,  tinha TANGANICA (vizinho de Moçambique) e NAMÍBIA, vizinho de Angola). Perdeu-as com este acordo (Armistício), da I Guerra Mundial.

AS PAPOILAS QUE NASCERAM NUM CAMPO DE GUERRA NA FLANDRES E O POEMA QUE NASCEU NUMA HORA DE TRISTEZA. AS PAPOILAS FICARAM PARA RECORDAR OS QUE PERDERAM A VIDA.    

EM 3/5/1915 -JOHN Mc CRAE, 1872-1918 - Tenente coronel, na 1ª.Guerra, após o enterro do seu amigo tenente Alexis Helmer, sentou-se no assento da ambulância e em 20 minutos, escreveu as 15 linhas do poema IN THE FIELDS OF FLANDRES, que se tornaria elegia aos milhares de jovens que tombaram nos campos de batalha onde nada crescia à exceção de papoilas vermelhas.

In Flandres fields, by john mc crae.

   In Flanders fields the poppies blow
 Between the crosses, row on row,
    That mark our place; and in the sky
    The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

 

 We are the Dead. Short days ago
We lived,  felt dawn, saw sunset glow,
 Loved and were loved, and now we lie,
 In Flanders fields.

 

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
    The torch; be yours to hold it high.
    If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies 
       In Flanders fields.

 

NOS CAMPOS DA FLANDRES, tradução livre por Celeste Cortez.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...