sexta-feira, 12 de setembro de 2014
domingo, 7 de setembro de 2014
BASTA! - artigo de Carlos Brandão de Almeida
“A vida é uma
escola onde são mestres as vivências” (Taniguchi).
![]() |
Uma incómoda ferroada. Mas foi ferroada de formiguinha. e não de abelha. |
Olhei-a
interessado, com a curiosidade de quem descobre um fenómeno novo e deixei-a
deambular livremente sobre o meu braço. Que prodígio! Um ser tão minúsculo e
tão perfeito. Como é apaixonante verificar que aquela “máquina” pequenina
realiza todas as funções vitais. É autónoma, dispensa geradores, fios,
transístores e toda essa “tralha” inventada pelos homens. Havia ali um Universo
de Vida.
Mergulhei
depois numa reflexão sobre a inevitabilidade da natureza divina da Criação.
Tanta beleza, tanta maravilha, meu Deus! Tudo ajustado, tudo perfeito, tudo
belo. Pensei na policromia das flores, na rudeza agreste das montanhas, na
luminosidade resplandecente do Sol, na vasta extensão líquida dos oceanos e na
forma mais acabada que a Natureza atingiu: o Homem.
O Homem esse
privilegiado ser inteligente, tão bem dotado e, apesar disso, tão infinitamente
imperfeito.
Meditei, em
seguida, nas grandes limitações humanas. Julgamos possuir todo o poder do Mundo
e, afinal, não passamos de uns fracos e falíveis mortais. Eu próprio, naquela
altura, aprontava-me para, violentamente, roubar uma vida, E dá-la? Eis a
realidade: temos o poder de a destruir, falta-nos a faculdade de a criar.
Perante esta
evidência a nossa bandeira, o nosso hino devia ser o da preservação.
Infelizmente, não é. Insensatamente vamos destruindo o nosso belo planeta:
poluindo, desertificando, queimando, extinguindo espécies, degradando o
ambiente, matando-nos uns aos outros, sem sequer alcançarmos que estamos
contribuindo para o nosso suicídio. Dizem os irresponsáveis: mesmo neste ritmo
levará séculos! Mentira: o suicídio colectivo já começou há muito,
Ou os homens aprendem a amar-se, a compreender-se, a viver finalmente para o Homem e para a Natureza |
É preciso
parar, dizer basta! Basta de poluir os rios e as ribeiras; de queimar
selvaticamente toda a nossa floresta; de encher a atmosfera de gazes tóxicos;
de contaminar os nossos alimentos; de destruir a Natureza. E urgente deter esta
funesta caminhada para o fim, hoje, imediatamente e para sempre. Ou os homens
aprendem a amar-se, a compreender-se, a viver finalmente para o Homem e para a
Natureza ou os homens desaparecerão, todos, e todos juntos.
É imperioso inverter a marcha demoníaca para
o suicídio. É preciso converter as armas da morte em Obras de Vida. Menos
foguetões e mais hospitais. Menos bombas e mais escolas. Menos metralha e mais
pão. Menos soldados e mais empregos.
Basta, digo
eu!
Carlos Brandão de Almeida
sábado, 6 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
POEMA DE FINA D'ARMADA
O CRAVO VERDE VERMELHO
Fina
d’Armada, faleceu a 7-3-2014, em Rio Tinto-Porto, com 68 anos de idade.
Foi historiadora, poeta, contista, mulher com letra grande.
Abril
foi verde e vermelho
para as
mulheres foi verde e verde.
do jardim de
várias mentes
da mão de
alguém para a minha.
Trazia um
rasto de fogo
e ao
circular pelo povo
quanta
esperança continha!
Era um cravo
de Abril vermelho,
mas verde de
todos os verdes.
Agarramos
esse cravo
vermelho,
verde, vontades,
e
conquistamos liberdades,
leis iguais,
vitórias mil.
E eis-nos
mulheres de Abril
num país de
novos tempos,
derrubando
muros, ventos,
reivindicando
outro espaço,
novos
sentires, pensamentos.
E quando
penso, mulheres,
nas portas
que o cravo abriu,
não sei se a
flor é o cravo
se é a
esperança que então surgiu.
Para as
mulheres foi verde e verde
o cravo
vermelho de Abril.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
A FLOR DO MARACUJÁ - POEMA de CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE (1863-1946)
A Flor do Maracujá
![]() |
Esta flor é de um maracujazeiro que já faleceu (foto tirada por mim há alguns anos) |
Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.
Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá
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