domingo, 7 de setembro de 2014

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BASTA! - artigo de Carlos Brandão de Almeida


“A vida é uma escola onde são mestres as vivências” (Taniguchi).

Num fim de tarde de um primaveril dia parei o carro na rotunda de uma falésia maravilhado com o deslumbrante espectáculo de um poente escarlate, reflectido na espelhada quietude dum Atlântico sereno Deliciado, sentei-me no tapete verde que por ali se espraiava e dispus-me a admirar aquela infinita beleza que só a Mãe Natureza nos proporciona. Os meus pensamentos voaram então num trote agradecido por todas as graças com que Deus, generosamente, quis contemplar o Homem. Abruptamente, desencadeei um galope de raiva contra quem, criminosamente, agride e destrói todas as miríficas maravilhas que polvilham o Mundo.

Uma incómoda ferroada. Mas foi ferroada de formiguinha. e não de abelha.
Uma incómoda ferroada no meu desnudado braço fez-me regressar à realidade. Curioso, procurei investigar quem teria sido o agente da agressão. Lá estava ele - ou ela - a bélica criatura, certamente pronta para desferir novo golpe. - Eu já te trato da saúde, decidi. E, de pronto, preparei o contra-ataque que vitimaria mortalmente aquele insignificante ser. Algo, porém, me fez suspender o persecutório acto que iria cometer. Afinal, congeminei, a formiga também faz parte deste maravilhoso planeta sobre o qual eu, filosoficamente, meditava.
Olhei-a interessado, com a curiosidade de quem descobre um fenómeno novo e deixei-a deambular livremente sobre o meu braço. Que prodígio! Um ser tão minúsculo e tão perfeito. Como é apaixonante verificar que aquela “máquina” pequenina realiza todas as funções vitais. É autónoma, dispensa geradores, fios, transístores e toda essa “tralha” inventada pelos homens. Havia ali um Universo de Vida.
Mergulhei depois numa reflexão sobre a inevitabilidade da natureza divina da Criação. Tanta beleza, tanta maravilha, meu Deus! Tudo ajustado, tudo perfeito, tudo belo. Pensei na policromia das flores, na rudeza agreste das montanhas, na luminosidade resplandecente do Sol, na vasta extensão líquida dos oceanos e na forma mais acabada que a Natureza atingiu: o Homem.
O Homem esse privilegiado ser inteligente, tão bem dotado e, apesar disso, tão infinitamente imperfeito.
Meditei, em seguida, nas grandes limitações humanas. Julgamos possuir todo o poder do Mundo e, afinal, não passamos de uns fracos e falíveis mortais. Eu próprio, naquela altura, aprontava-me para, violentamente, roubar uma vida, E dá-la? Eis a realidade: temos o poder de a destruir, falta-nos a faculdade de a criar.
Perante esta evidência a nossa bandeira, o nosso hino devia ser o da preservação. Infelizmente, não é. Insensatamente vamos destruindo o nosso belo planeta: poluindo, desertificando, queimando, extinguindo espécies, degradando o ambiente, matando-nos uns aos outros, sem sequer alcançarmos que estamos contribuindo para o nosso suicídio. Dizem os irresponsáveis: mesmo neste ritmo levará séculos! Mentira: o suicídio colectivo já começou há muito,
Ou os homens aprendem a amar-se, a compreender-se,
a viver finalmente para o Homem e para a Natureza
É preciso parar, dizer basta! Basta de poluir os rios e as ribeiras; de queimar selvaticamente toda a nossa floresta; de encher a atmosfera de gazes tóxicos; de contaminar os nossos alimentos; de destruir a Natureza. E urgente deter esta funesta caminhada para o fim, hoje, imediatamente e para sempre. Ou os homens aprendem a amar-se, a compreender-se, a viver finalmente para o Homem e para a Natureza ou os homens desaparecerão, todos, e todos juntos.
É imperioso inverter a marcha demoníaca para o suicídio. É preciso converter as armas da morte em Obras de Vida. Menos foguetões e mais hospitais. Menos bombas e mais escolas. Menos metralha e mais pão. Menos soldados e mais empregos.

Basta, digo eu!
Carlos Brandão de Almeida


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

POEMA DE FINA D'ARMADA

O CRAVO VERDE VERMELHO

Fina d’Armada, faleceu a 7-3-2014, em Rio Tinto-Porto, com 68 anos de idade. 

Foi historiadora, poeta, contista, mulher com letra grande. 



Abril foi verde e vermelho
para as mulheres foi verde e verde.

Veio um cravo de madrugada
do jardim de várias mentes
da mão de alguém para a minha.
Trazia um rasto de fogo
e ao circular pelo povo
quanta esperança continha!

Era um cravo de Abril vermelho,
mas verde de todos os verdes.

Agarramos esse cravo
vermelho, verde, vontades,
e conquistamos liberdades,
leis iguais, vitórias mil.
E eis-nos mulheres de Abril
num país de novos tempos,
derrubando muros, ventos,
reivindicando outro espaço,
novos sentires, pensamentos.

E quando penso, mulheres,
nas portas que o cravo abriu,
não sei se a flor é o cravo
se é a esperança que então surgiu.

Para as mulheres foi verde e verde
o cravo vermelho de Abril.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

A FLOR DO MARACUJÁ - POEMA de CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE (1863-1946)

A Flor do Maracujá
 
Esta flor é de um maracujazeiro que já faleceu
 (foto tirada por mim há alguns anos)
Catullo da Paixão Cearense (1863-1946) (82 anos).

Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.
Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá



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