terça-feira, 11 de dezembro de 2012

NATAL - O Menino brincando, POETA AUGUSTO GIL

O MENINO BRINCANDO, Augusto Gil, "Alba Plena"

Ó meu Jesus adorado,
Fecha os teus olhos divinos
Num soninho descansado;
Que a não sermos tu e eu
Toda a gente do povoado,
Desde os velhos aos meninos,
Há muito que adormeceu.
- E o Menino Jesus não se dormia...
Dorme, dorme, dorme agora
- (Cantava a Virgem Maria)
Que mal assomou a aurora,
Sentei-me junto ao tear
E por todo o dia fora,
Até que já se não via,
Não deixei de trabalhar!
- E o Menino Jesus não se dormia...
- Tornava Nossa Senhora,
numa voz mais consumida:
Dorme, dorme, dorme agora
E que eu descanse também,
Porque mesmo adormecida
Vela sempre, a toda a hora,
No meu peito, o amor de mãe.
- E o Menino Jesus não se dormia...
- Numa voz mais fatigada,
tornava a Virgem Maria:
Dorme pombinha nevada,
Dorme, dorme, dorme bem...
Vê que está quase apagada
A frouxa luz da bugia,
Do pouco azeite que tem.
- E o Menino Jesus não se dormia...
- Rogava Nossa Senhora:
Modera a tua alegria...
Não deites a roupa fora
Do teu leito pequenino...
Não rias mais. Dorme agora
E brincarás todo o dia...
Dorme, dorme, meu menino.
- E o Menino Jesus não se dormia...
- Mais triste, mais abatida,
pediu a Virgem Maria:
Tem pena da minha vida,
Que se a quero é para ti...
Vida aflita e dolorida!
Só por ti a viveria
Tão longe de onde nasci!...
- E o Menino Jesus não se dormia...
- E a voz da Virgem volveu:
Repara no meu olhar,
Vê como ele entristeceu...
Dorme, dorme, dorme bem,
Ó alvo lírio do céu!
Olha que estou a chorar,
Tem pena da tua mãe!
Nosso Senhor, então, adormeceu.
As cores em destaque são minhas. Uma forma de se notar que este poema tanto pode ser dito por alguém que entoe o poema a duas vozes, como por um narrador ou narradora e uma voz feminina a fazer de Nossa Senhora. Poema lindo, maravilhoso do nosso Augusto Gil.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

NATAL CHIQUE

NATAL CHIQUE
            
Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.


Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

            
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

            
Vitorino Nemésio

Grande lição para meditar. Celestecortez.blogspot.com

NATAL ... É NATAL, FERNANDO PESSOA





 

NATAL – DE FERNANDO PESSOA

 
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
'Stou só e sonho saudade.

 E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Notícias Ilustrado, 30 de Dezembro de 1928

 





 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

HOMENAGEM A ÓSCAR NIEMEYER

Nome completo Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares
Nascimento 15 de dezembro de 1907,
Rio de Janeiro, RJ
Morte 5 de dezembro de 2012 (104 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade Brasileira
Obras notáveis Museu de Arte Contemporânea de Niterói em Niterói;
Escola Estadual Governador Milton Campos em Belo Horizonte;
Cidade Administrativa de Minas Gerais em Belo Horizonte;
Edifícios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília;
Sambódromo da Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro;
Memorial da América Latina em São Paulo.
Prêmios Prêmio Pritzker de Arquitetura (1988), Medalha de Ouro do RIBA (1998)
Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares GCSEComIH foi o arquiteto brasileiro de nome mais influente na arquitetura moderna. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, e por este motivo teve grande fama nacional e internacional desde a década de 1940.
Seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que projetou para a cidade de Brasília

Texto da wikipédia com a devida vénia

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER
Poema de ARY DOS SANTOS

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.

Ary dos Santos


"Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser"

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

POEMA à MÃE, poema de Eugénio de Andrade

POEMA “à Mãe” - Eugénio de Andrade (No livro: Os amantes sem dinheiro) (Verso livre)

Gravado no youtube, pelo diseur : Nuno Miguel Henriques

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.


Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.


Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.


Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.


Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!


-Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;


Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;


Dei às aves os meus olhos a beber. Vou com as aves.
Foto do meu album particular, não copiar sem autorização minha por escrito.
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...


Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Análise do poema à mãe de Eugénio de Andrade (esta análise é trabalho particular. Para copiar deve mencionar a autora celestecortez.blogspot.com


- Porque é que traíu?   
- O que é que a mãe esqueceu?


Continua a ser o menino que adormeceu nos olhos da mãe (pequenino).Dá-se uma ruptura. Mas continua a amá-la ainda mais porque o seu coração cresceu. 
Saíu da moldura, deu às “aves” os olhos a beber.

O crescimento de um adolescente implica transformações físicas e psicológicas. Ele, o autor, o "eu lírico" tem disso consciência. O seu crescimento é observado pelo adulto. Nota-se perfeitamente neste poema À MÃE - talvez por Eugénio de Andrade a partir dos 10 anos ter ido viver com a mãe para Lisboa, quando esta deixou o pai.

Aos adolescentes surgem dúvidas e conflitos, têm de passar por uma adaptação para as novas realidades. Dá-se uma ruptura entre a infância e a idade adulta.

As rosas brancas significa o romantismo, a pureza.   

(Análise para as aulas de interpretação de dizer “Poesia” – 3-12-2012 – CelesteCortez. ______________________________________________________

A seguir, com a ajuda da Wikipédia, publico a biografia do poeta:

EUGÉNIO DE ANDRADE (de seu nome José Fontinhas)

Nasceu em 19-1-1923 -  Póvoa de Atalaia (Fundão). Fixou-se em Lisboa aos dez anos, com a mãe, que entretanto se separara do pai. Faleceu no Porto em 13-06-2005. Frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado Narciso, publicou três anos mais tarde. Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço.(este ainda vivo actualmente).  Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de Inspector Administrativo do Ministério da Saúde. Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da extinta Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.
Durante os anos que se seguiram, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como os atrás mencionados e Joel Serrão, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luis Cernuda, Jaime Montestrela, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder,(vivo, foi meu condómino, ainda vive no mesmo prédio) Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros. Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».Recebeu um sem número de distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). A 8 de Julho de 1982 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 4 de Fevereiro de 1989 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
 

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