quarta-feira, 14 de novembro de 2012


MICHEL DE MONTAIGNE -  28-2-1533 - 13-9-1591 (caracterizou-se como Livre Pensador)
Escritor, Filósofo, Ensaísta)

Palavras suas: O lucro dos nossos estudos é tornarmo-nos mais sábios.

Ainda que possamos tornarmo-nos mais conhecedores com o saber alheio, sábios só podemos ser com a nossa própria sabedoria.   


Estudou Direito, tendo exercido a função de magistrado em Périgoux (de 1554 a 1570) depois em Bordéus onde travou profunda amizade com La Boetie.
Retirou-se para o seu castelo quando tinha 34 anos para se dedicar ao estudo e à reflexão. Levou nove anos para redigir os dois primeiros livros dos Essais. Depois viajou por toda a Europa durante dois anos (1580-1581). Faz o relato desta viagem no livro Journal de Voyage, que só foi publicado pela primeira vez em 1774.
Foi presidente da Câmara em Bordéus durante quatro anos. Depois, regressou ao seu castelo e continuou a corrigir e a escrever os Essais, tendo em vista o estilo parisiense de exposição doutrinária. Os seus Ensaios compreendem três volumes (três livros). Os seus Ensaios vieram a público em três versões: Os dois primeiros em 1580 e 1588. Na edição de 1588, aparece o terceiro volume. Em 1595, publica-se uma edição póstuma destes três livros com novos acrescentos.
Os Essais são um autorretrato. O autorretrato de um homem, mais do que o autorretrato do filósofo. Montaigne apresenta-se-nos em toda a sua complexidade e variedade humanas. Procura também encontrar em si o que é singular. Mas ao fazer esse estudo de auto-observação acabou por observar também o Homem no seu todo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Se me puderes ouvir...

Se me puderes ouvir

     «O poder ainda puro das tuas mãos
       é mesmo agora o que mais me comove
       descobrem devagar um destino que passa
       e não passa por aqu

       à mesa do café trocamos palavras
       que trazem harmonias
       tantas vezes negadas:
       aquilo que nem ao vento sequer          segredamos

       mas se hoje me puderes ouvir
       recomeça, medita numa viagem longa
       ou num amor
       talvez o mais belo.» 
                      Padre Tolentino Mendonça

José Tolentino Calaça Mendonça, Madeira (Machico) 15-12-1965, presbítero e poeta português.
Especialista em Estudos Bíblicos, tem abordado com rigor e criatividade os temas e os textos do cânone cristão, mantendo um diálogo sensível com as interrogações do presente. A relação entre o Cristianismo e Cultura é uma das ideias-chave do seu percurso. Passou o ano académico de 2011-12, como Straus Fellow, na New York University, integrando uma equipa de investigadores-convidados, empenhados no estudo do tema “Religião e Espaço Público”. É o responsável nacional pela Pastoral da Cultura e, recentemente, foi também nomeado Consultor do Pontifício Conselho para a Cultura, no Vaticano. Além de ensaísta, tem uma obra poética que muitos reconhecem entre as mais marcantes do panorama atual. Os seus livros, embora não primando pela originalidade, conhecem um grande sucesso em Portugal e são cada vez mais traduzidos internacionalmente. Dia 18 de outubro de 2012, é empossado como vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Livros publicados:
  •   Os Dias Contados, 1990 (poesia)
  • As estratégias do desejo: um discurso bíblico sobre a sexualidade, 1994 / 2ª edição acrescida: 2003 (ensaio)
  • Longe não sabia, 1997 (poesia)
  • A que distância deixaste o coração, 1998 (poesia)
  • Se eu quiser falar com Deus, 1996 (textos pastorais)
  • Baldios, 1999 (poesia)
  • De Igual para Igual, 2000 (poesia)
  • A construção de Jesus: uma leitura narrativa de LC 7,36-50, 2004 (ensaio)
  • A Estrada Branca, 2005 (poesia)
  • Perdoar Helena, 2005 (teatro)
  • A Noite abre os meus Olhos, 2006 (poesia reunida)
  • La Notte apre i miei Occhi, 2006 (tradução italiana de uma antologia de poesia do autor; tradução e organização de Manuele Masini)
  • A leitura infinita. Bíblia e Interpretação, 2008 (ensaio)
  • O Viajante sem Sono, 2009 (poesia)
  • O Tesouro escondido, 2011 (Colecção Poéticas do Viver Crente - Paulinas Editora)
  • Pai-nosso que estais na terra, 2011 (Colecção Poéticas do Viver Crente - Paulinas Editora)
  • Colecção Poéticas do Viver Crente, 2011 (Direcção e Coordenação - Paulinas Editora)
  • Colecção Poéticas do Viver Crente - série Linhas de Rumo, 2012 (Direcção e Coordenação - Paulinas Editora)
  • Nenhum caminho será longo, 2012 (Colecção Poéticas do Viver Crente - série Linhas de Rumo - Paulinas Editora)

Artigos
  • Identidade e enigma: a interacção dos personagens na secção galilaica de Lucas, in Didaskalia 35, 1/2 (2005)
  • A função cristológica do espaço em Lc 7,36-50, in Didaskalia 33, 1/2 (2003)
  • Toda a Bíblia é Comunicação, in Bíblica - Série Cientifica, nº 2
  • O Pentecostes, in Bíblica - Série Cientifica, nº 4
  • Jesus Cristo, Palavra definitiva do Pai, in Bíblica - Série Cientifica, nº 5
  • O Espírito Santo: "Senhor que dá a Vida", in Bíblica - Série Cientifica, nº 6
Prémios
  • Foi laureado com o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998)
  • Prémio PEN Clube Português (2004)
  • Prémio Literário da Fundação Inês de Castro (2009)
  • Finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa (2011)
  • Distinguido com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique

USCSAL - MAGUSTO 2012

Castanhas assadas na véspera de S.Martinho
tradição portuguesa
 
NOTÍCIAS DO MAGUSTO. 
     Como vos prometi, aqui vos dou notícias DO Magusto. As tradicionais castanhas assadas que os portugueses comem no dia 10 ou no dia 11 de Novembro de cada ano. No dia de S.MARTINHO. as fotos não sairam bem. Pudera! Quis fazer uma surpresa à direção, aos professores e alunos, (mas só pensei nisto na 5ª.feira à noite!) Fiquei toda a noite de 5ª. feira a escrever no computador e toda a noite de 6ª. a colar as fotos. Na primeira noite dormi 3 horas, na última dormi 1h25 minutos. Quando o despertador tocou, pareceu-me que mal tinha adormecido. Mas fui bem disposta e bem disposta regressei, embora na minha face se note o cansaço. Ainda por cima viajando de comboio na ida e regresso. Quando se abraça um projeto tem de ser de corpo e alma, com dedicação. O livrinho-album  continha, além do HISTORIAL DA UNIVERSIDADE SÉNIOR, desde a sua inauguração, dois poemas meus. Um com o título de SOLIDÃO o outro com o título de SER VELHO. Este já tinha sido publicado no jornal Página Beirã a 1-11-1999 ano internacional do idoso.
Porquê tantas horas a escrever uma história? Comecei por referir como apareceu o sonho de implantar uma Universidade Sénior na minha terra - apesar de não viver lá desde os meus 12 anos e não esperar ir viver para lá podendo assim utilizá-la. O sonho surgiu há uns 15 anos e até o dia ficou marcado no historial. Esta parte não foi difícil nem demorada, foi uma noite de trabalho. Mas colar as fotos? A prática de colar as fotos não é muita... as fotos parece que cresciam. Quantas mais colava, mais apareciam para colar!!!
A tradicional jeropiga e a água pé 
No fim resultou um livrinho bem bonito. Para finalizar e dar cor,  uma fita lilás outra fita amarela, as cores da Bandeira de Carregal do Sal, cores que são também utilizadas na Bandeira da USCSAL - Universidade Sénior de Carregal do Sal. Aqui fica o relato do fotografo (Farol da Nossa Terra):
"Inaugurada há pouco mais de meio ano, a Universidade Sénior de Carregal do Sal (USCSAL) assinalou no sábado, 10 de Novembro, pela primeira vez, o dia de Martinho, reunindo alunos, professores, familiares e convidados num magusto de convívio.
Realizado ao final da tarde, juntou mais de meia centenas de participantes no refeitório da Escola Secundária, cedido pelo Agrupamento de Escolas para o efeito, incluindo o respectivo serviço de cozinha.
As boas vindas foram dadas pelo presidente da direcção da USCSAL, Artur Fontes, em intervenção de agradecimento aos presentes, depois complementada pela mentora e co-fundadora desta universidade sénior, Celeste Cortez, deslocada propositadamente de Cascais. Após se regozijar com a numerosa adesão de alunos e de gente amiga, Celeste Cortez fez oferta à USCSAL de um caderno com o seu historial, com o título "ECOS DO MEU SONHO" e de exemplares dos livros “O Meu Pecado” e “Mãe Preta”, de sua autoria para a Biblioteca e para leitura na aula de português. Ofereceu também um CD da Tuna da Universidade de Sintra, a que pertence juntamente com seu marido, com intenção de despertar entusiasmo para a criação de uma tuna entre os alunos da USCSAL. ***
Das palavras passou-se ao farto e diversificado repasto que antecedeu as tradicionais castanhas assadas. Entre as diferentes bebidas, e como não podia deixar de ser, também a jeropiga e a água-pé deram expressão à tradição.
Depois dos estômagos bem compostos, deu-se vez a alguns momentos de animação, com um dos alunos a tocar acordeão, enquanto outros cantavam ou dançavam em alegre e saudável confraternização.
Se não comeram este ano, ainda estão a tempo. Em Portugal
encontram-se homens e mulheres a vender castanhas quentes
nas ruas, em lugares próximo de passagem de multidões.
(próximo de campos de futebol, de estações de comboios,
perto do metropolitano, etc).
Já com o apetite aberto para o resto do repasto, por fim chegou o caldo verde, acabado de confeccionar pelas hábeis mãos da cozinheira Rosa Macedo, também co-fundadora da USCSAL.
Viveu-se, sem dúvida, um agradável convívio, em que a USCSAL e os seus alunos se empenharam para que o mesmo redundasse num verdadeiro êxito".
 
*** Não vai ser difícil formar uma Tuna. Soube por uma aluna que já tinha sido abordado um professor de música. Também conversei com ele para o convencer. E... para o ano, por esta data,  quem sabe se a Tuna actuará? Nada é impossível.
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA AMÉRICA

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - BARACK OBAMA X MITT ROMNEY
06-11-2012

As sondagens na véspera da eleição presidencial norte-americana apontam para um empate técnico entre o candidato democrata Barack Obama e o candidato republicano Mitt Romney. Os Estados Unidos da América, país com mais de 300 milhões de habitantes, a contagem dos votos que se iniciará logo à noite depois do fecho das urnas promete suspense até ao último voto, e o final, embora não seja inédito, poderá ditar um vencedor que não é o mais votado na soma dos votos dos 50 estados. A eleição presidencial não se realiza por sufrágio direto, mas sim através da eleição de um Colégio Eleitoral composto por 538 delegados eleitos pelos votos dos diferentes estados, sendo necessário que um candidato obtenha pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral para garantir a vitória.
Que vença o que for melhor para o futuro da América e para o futuro do Mundo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

POETA - CECÍLIA MEIRELES

CECILIA MEIRELES – Rio de Janeiro 7-11-1901 – Rio Janeiro 9-11-1964

Cecília Meireles
De nacionalidade brasileira, filha de portugueses oriundos dos Açores. O pai faleceu 3 meses antes de ela nascer. Perdeu a mãe antes dos seus 3 anos de idade, foi criada pela avó materna, açoriana de Fajã de Cima, Ilha de S.Miguel.
Foi professora primária, como sua mãe. Demonstra um amor especial pelas crianças (criou a 1ª. Biblioteca infantil em 1934.
Foi mãe de 3 filhas. Os seus primeiros trabalhos foram crónicas sobre o ensino. Activista para as mudanças no sistema educacional.
Pertenceu a um grupo espiritualista. Depois de professora primária foi professora de literatura Luso-Brasileira e Técnica/Crítica Literárias da Universidade do Distrito Federal.
Em 1935 morre o marido Fernando Correia Dias (suicídio), na companhia de quem veio a Portugal.
Em 1938 recebe o prémio da Academia Brasileira de Letras, pelo seu livro VIAGEM.
Em 1940, segundo casamento com o professor Heitor Grillo, lecciona nesse ano na Universidade do Texas. Mais tarde viaja pela Europa e América Latina divulgando a cultura.
Morre em 1964, 2 dias depois depois do seu 63º.Aniversário.
Em 1965 foi-lhe oferecido a título póstumo o prémio Machado de Assis pelo conjunto da sua obra.
A sua obra é vasta e muito importante.
A poesia lírica ceciliana é marcada por momentos de forte dúvida metafísica.

Cecília Meireles suavemente chama-nos a atenção para a morte, ela que desde cedo conviveu com ela. (Morte do pai antes de nascer, morte da mãe antes de ter 3 anos. 

Nos seus poemas Cecília Meireles presta vassalagem ao que é belo: artes, seres humanos, insectos (leia-se "Elegia a uma borboleta", flores, plantas. Aborda a humanidade, a vida e a morte, (esta sem rudeza), a fugacidade.   


EmigrantesCecília Meireles

Esperemos o embarque, irmão.
Chegamos sem esperança,
só com relíquias de séculos
na palma da mão
.

Pela terra endurecida,
não há campo que se aproveite.
Mesmo os rios vão morrendo
pela solidão.

Não sofras por teres vindo.
Alguém nos mandou de longe
para ver como ficava
um rosto humano banhado
de desilusão
.

Olhemos esses desertos
onde é impossível deixar-se
mesmo o coração.

Ah, guardemos nossos olhos
duráveis como as estrelas
e seguramente secos
como as pedras do chão.

Iremos a outros lugares,
onde talvez haja tempo,
misericórdia, viventes,
amor, ocasião.
Esperemos, esperemos.

Relógios além das nuvens
moem as horas e as lágrimas
para a salvação.

Cecília Meireles

 







Caro leitor: Não deixe de ler na secção POESIA II, a publicação sobre a poeta CECÍLIA MEIRELES e seu poema com análise ao mesmo "Elegia a uma borboleta".
Tenha um bom dia.
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