sábado, 13 de fevereiro de 2016

AS SAUDADES CONTINUAM

QUEM PARTE DEIXA SAUDADES:

          Fernando de Almeida Campos - Alvarelhos - Carregal do Sal - 13-02-1945 - Coimbra 02-03-2004.
    Viveu na Beira, Moçambique de 23-06-1950 a Dezembro de 1976. Trabalhou nos escritórios dos Serviços de Electricidade e como despachante na Cory,Mann George.                  
     Fez a tropa em Lourenço Marques e em Nampula.
Zé Veloso (marido da sobrinha, Celeste (irma) com a
  pequenina sobrinha Karina ao colo, o Fernando antes de ir para a
Igreja, a sobrinha Sami e o irmão Nelson. 
    No seu regresso a Portugal com os retornados, foi sócio do Salinas, em Carregal do Sal, durante alguns anos.
         Casou na Aguieira, Canas de Senhorim, a 27-10-1985. 
           Trabalhou com sua sobrinha Sami na empresa Saliartes Molduras e Decorações, desde 1996 até à sua ida para os hospitais. 
 Os anos foram passando, nem sempre bons, nem sempre alegres.Sofreste neste mundo ingrato. 
Como era teu jeito, sofreste com resignação a longa e difícil etapa dum maldito cancro, que se disseminou rapidamente por todo o corpo. Não, não pode ter sido assim tão rápidamente, mas era tão grande a tua capacidade de aceitar tudo, que foste sofrendo as dores, as metamorfoses do corpo. Foi a ultima cruz antes de partires, que aceitaste com resignaçãosorrindo quando te apetecia gritar. E que pesada deve ter sido essa cruz.Nem quero acreditar que, apesar da saudade, depressa se passaram quase doze anos que partiste.  Foi numa manhã cedinho, 02 de Março de 2004. Estavas desde o dia 31 de Janeiro nos cuidados paliativos do IPO de Coimbra.

      Nos cuidados paliativos enchia-se o teu quarto aos fins de semana, com pessoas vindas das terras por onde passaste em vida, gente de todas as camadas sociais, de todos os níveis. Era assim Fernando que gostavas: de juntar pessoas, porque a todas amavas, da mesma maneira, com o mesmo grau de amizade, sem te preocupares se eram doutores ou analfabetos, se eram gente importante ou gente humilde. 
Não, não esteve certo que partisses tão novo, não.
Só esteve certo os beijinhos que me deste, debruçando-te com dificuldade na cama que ocupavas havia mais de um mês, quando, me despedi para voltar para casa, para trocar de roupa, prometendo regressar no dia seguinte.
Tu sabias que seriam os últimos beijos que um irmão amigo dava à sua irmã querida. Eu também adivinhei que seriam os últimos. Sem palavras compreendemo-nos.
 Fernando à frente a ouvir atentamente
Apesar do sofrimento que nos roía por dentro, cada um de nós sorriu. Eu prometi voltar no comboio pendular na manhã seguinte. Não respondeste. Palavras para quê? Tu sabias. Voltei a prometer que voltaria no dia seguinte, no comboio. Mais uma vez ficaria perto de ti, passaria a tarde contigo, e, à noite, numa cama ao lado da tua, fingiria que dormia, mas ficaria alerta para te ouvir respirar e, ouviria, mais vezes, que chamavas com uma voz doce, maviosa: Mãe...Mãe. E quando olhava com a claridade da lampada de presença, via-te olhar para longe, de certeza para o Céu a repetires documente: Mãe, Mãe. E ficavas numa atitude contemplativa.
Na tropa, em Moçambique - Fernando, de pé, sorridente, ao lado do militar fardado de cor clara.
Até sempre Fernando, recebe o amor dos teus irmãos Celeste e Nelson, do teu cunhado Tó e das nossas filhas e restante família. E até um dia...
Eu sei, não precisei perguntar-te - não quis interromper-te - que falavas com a Mãe do Céu, porque a mãe que tivémos na terra, chamavamos de "mamã".
        Fernando, não podias esperar até que eu chegasse? Tens razão: não se diz adeus aos que amamos… estaremos sempre com eles.
    Fernando, aquele abraço cheio de carinho dos teus irmãos Celeste e Nelson, do teu cunhado Tó, das tuas sobrinhas e familiares.

      
   


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1 comentário:

Sami disse...

Um grande beijinho Mama. Ainda esta manha ao acordar me lembrei que hoje faria anos o Fernando!

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