segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para Ti - poema de Mia Couto


2010 - Dezembro - 06 - NA UNIVERSIDADE SÉNIOR DEI AULAS "ENTRE A POESIA E A MAGIA DA NATUREZA. NA PARTE DE POESIA, DEMOS MIA COUTO. ENSAIÁMOS O QUE FIZ PARA O DIA 13 DESTE Mês, NOSSA FESTA DE NATAL. TODOS ENTRAMOS, todos colaboramos (eu e os alunos). O Victor Ricardo Pereira, vai dizer o poema de Mia Couto, PARA TI.

PARA TI: Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada e para ti foi tudo
Para ti dei voz às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos vivendo de um só
amando de uma só vida

in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Uma simples flor alegra a nossa vista. Magia da natureza. A flor acima, tipo cacto, nasce nas falésias, à beira mar, em Cascais.

Ela aqui fica a adornar um poema de MIA COUTO, que não precisa de adorno, que diz tudo em poucas linhas

HORÁRIO DO FIM:

Morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

Morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

A estrada por onde já não vamos. Nunca é o justo momento. Nunca. Nunca estamos preparados.

MIA COUTO nasceu na Beira, em 1955. Vive no Maputo. É escritor, poeta, biólogo.
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