segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A MULHER AFRICANA E A CAPULANA

MULHER AFRICANA E A CAPULANA
Mulher macua (Norte de Moçambique), com o seu lenço de pano de capulana



O comércio com os asiáticos trouxe para a África Oriental uma grande variedade de tecidos, incluindo a capulana. No princípio eram apenas como os que estão nesta foto acima, mais tarde, principalmente nos últimos 40 anos, os tecidos são cada vez mais com cores africanas: os encarnados, os verdes, os amarelos. Estes tecidos, naqueles velhos tempos,  eram trocados por produtos de grande valor, caso de ouro, marfim e escravos.
Passo a transcrever:
“A presença indiana é um factor decisivo no de envolvimento do traje da mulher moçambicana”, refere o documento da exposição de Suzette à Festa na Ilha. O mesmo documento diz ainda que mais tarde, em meados do Séc. XIX, no Sul do Save, as transacções comerciais envolviam capulanas ou um jogo completo de dois panos e lenços. Ou seja, os comerciantes estrangeiros tinham por obrigação oferecer panos às mulheres dos líderes moçambicanos. Esta oferta era conhecida por saguate."

A capulana usa-se para vestir a mulher, para limpar, para a mulher embrulhar as crianças, para as amarrar às costas, usa-a como toalha e como cortina. Usa-a ainda na mudança de casa e em viagem, como embrulho da trouxa.

A capulana não é para uso exclusivo das camponesas, como se possa pensar. As mulheres da cidade, , que em geral se vestem à maneira ocidental,usam-na invariavelmente como traje de trazer por casa ou em certas cerimónias familiares, fazendo ou mandando fazer vestidos e fatos lindíssimos, precisamente porque os "panos" atuais são igualmente mais "charmosos".
Capulana vestida. Capulana a amarrar a criança às costas,
 capulana/lenço, capulana a embrulhar a comida

Nos velhos tempos, isto em 1950, em que a empresa onde trabalhei como secretária, importava tecidos de capulana e tinha um empregado e mesmo às vezes o patrão que ia vender aos subúrbios, às pequenas aldeias, onde havia pequenas lojas de compra,  venda e troca,  os tecidos eram de chita. Depois começaram a ser fabricados também com mistura de algodão e agora já há com fibras sintéticas. 
No Malawy comprei para mim, um tecido em seda, com motivos africanos e mandei fazer um vestido. Foi um dos vestidos mais bonitos que já tive. 

Mulheres e raparigas cobertas com estes panos coloridos, dão cor às estradas de terra que cortam a paisagem monótona das aldeias africanas, mesmo às ruas da cidades onde vivem, nos ruidosos mercados. 

Transcrevo com a devida vénia, de um blogue que por lapso não guardei o nome:


À capulana no Quénia chama-se chama-se“kanga”. Na África Ocidental, no Congo ou no Senegal, chamam-lhe“pagne”, provavelmente os lugares onde houve colonização francesa. (Celeste Cortez) Muitas línguas moçambicanas têm nomes vernáculos para estes rectângulos de tecido. Mas “capulana” é o nome mais usado, desde norte a sul, de leste a oeste em Moçambique. Hoje o nome faz parte do léxico da língua portuguesa mas não é uma palavra de idêntica origem.Uma das primeiras explicações que ouvimos, foi de que o nome derivava de Ka Polana, que signifi ca o lugar do régulo Polana, hoje integrado na cidade de Maputo. Mas tudo indicando que o uso da capulana veio do norte para o sul, não parece plausível que o nome que fi cou na língua tenha tido origem no sul. (Maputo é no sul de Moçambique (Celeste Cortez) O autor do Dicionário Português-Changane, Bento Sitói, também não

conhece a origem da palavra mas nota que ela não se usa em nenhum outro  país africano de língua portuguesa onde é simplesmente “pano”. Usa-se porém no Brasil, tendo como sinónimo canga, a palavra suaíli que referi atrás. E assim a origem da palavra capulana continua um enigma.(...) 


Ah! Tantos desconhecidos mortos

os que nasceram mais tarde

não hão-de-gritar humilhados

bayete-bayete-bayete

à kapulana vermelha e verde

se substituírem no tempo

kapulanas de várias cores. (...)

Corria o ano de 1954 quando Virgílio de Lemos

escreveu este poema com o pseudónimo de Duarte

Galvão. Foi acusado de desrespeito à bandeira

portuguesa. O advogado Carlos Adrião Rodrigues

conseguiu convencer as autoridades de que chamar a

bandeira de capulana verde e vermelha era uma forma

de consideração, porque só as mamanas, as senhoras

de grande integridade, a vestiam."


SOU DONA DE UM RAIO DE SOL, Celeste Cortez



Foto: Celeste Cortez 


          O meu sol, o meu mar, as minhas ondas a saltitar. Quem tem isto e tem saúde é rico, muito rico. Eu sou!...
         Mas não sou egoísta, o meu sol, o meu mar,. as minhas ondas a saltitar, também vos pertencem. Pertencem a todos nós, embora eu diga no meu poema que "Sou dona de um raio de sol". Mas... cheguei à conclusão de que não era meu. É nosso, sejamos gratos por esta Benção.

SOU DONA DE UM RAIO DE SOL, Celeste Cortez (do livro Lentes de Emoção) 

SOU DONA DE UM RAIO DE SOL    


Sou dona de um raio de sol
Brilhante, fluorescente,
Que vem todos os dias beijar-me à janela
- Ai dele que não viesse!
Eu o obrigaria,
- Afinal quem manda nele sou eu.
- Serei?

Sou dona de um raio de sol
Reluzente, resplandecente
Que rasga cada nuvem e através dela
Dá um salto e vem beijar-me à janela
- Ai dele que não viesse!
Eu protestaria
- Poderia?

O raio de sol,
Brilhante, fluorescente,
Reluzente, resplandecente
Desapareceu.
E eu, o que farei sem ele?
Nada! Nada!   
O raio de sol não era meu!


-oOo-

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

DIA DOS NAMORADOS, por Celeste Cortez


DIA DOS NAMORADOS 2017
RECORDAÇÕES DO PASSADO

O DIA DOS NAMORADOS para celebrar São Valentim, tem razões que remontam ao século III da era cristã. O santo viveu na era do imperador Cláudio II, este proibiu os casamentos para que os rapazes pudessem estar disponíveis para o exército. Porém, o padre (?) Valentim, continuou a realizá-los. Descoberto, foi julgado e condenado à morte, tendo sido decapitado a 14 de fevereiro do ano 270 d.C. Esta a razão da data fixa de 14 de fevereiro de cada ano, para celebrar aquele que veio a ser S. Valentim. Durante o tempo em que esteve preso recebia apoio de jovens enamorados. A filha do próprio carcereiro que era cega de nascença, acabou por visitá-lo e, por milagre, adquiriu a visão. Provavelmente o padre Valentim apaixonou-se por ela porque lhe escreveu cartas assinando “do teu Valentim”. Esta é a expressão que ainda hoje se usa quando se enviam cartas neste dia especial. Na Idade Média, era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros, os namorados usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do seu amado ou amada, celebrando também o início da primavera. Agora o início da primavera tem outra data no calendário, mas quantas vezes o tempo primaveril chega mais cedo ou mais tarde! A nossa prima-vera virá alguns anos de avião? Ou em outros anos ficará retida num dos aeroportos por onde passa e assim chega atrasada?
          Voltando ao assunto do DIA DOS NAMORADOS, a prática 
do envio de cartões, do envio de flores, de caixinha de 
chocolate com o desenho de coração ou do Cupido, foi iniciada talvez no  século XVII, por ingleses e franceses que passaram a 
celebrar São Valentim como a união do Dia dos Namorados.
A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, passando a ser tradição a partir de 1840,por Esther Howland (1828-1904), ter vendido uma quantidade enorme de cartões para esse dia, ficando a ser conhecida como “Mother of the American Valentine”, história que dentro em breve será publicada neste blogue. Desde aí, a tradição dos cartões continuou crescendo espalhando-se no século XX por todo o mundo. 
          Portugal adotou o dia dos Namorados a 14 de Fevereiro, mas no Brasil o dia dos Namorados é a 12 de Junho:

Viva o dia 12 de junho,
véspera de santo António
o santo casamenteiro
Viva Santo António 
que proteja sempre os namorados 
- os casados e os solteiros! 

Encontrei no meio de tanta escrita minha, um artigo que escrevi para uma revista em 2005 e partilho convosco:
... “O DIA DOS NAMORADOS” é sempre no dia 14 de fevereiro. Não é “festa” móvel. “Festa” digo eu, porque quem é o namorado/a que não queira receber, nem que seja umas quadras que rimem com a palavra AMOR?
Mas leitores, suponho que noutros tempos, nos nossos ou no tempo dos nossos pais e avós, não estava ainda entronizado em Portugal o “Dia dos Namorados”, mas também se namorava, uns, talvez à janela, outros nos bailaricos, outros indo a casa dos papás sabendo que de vez em quando podiam contar que em cima deles cairia um olhar de lado, um olhar vigilante.
Posso garantir-vos que não namorei à janela. Gostava muito do único rapaz com quem namorei, não queria que ele apanhasse uma dor de pescoço! ah!ah!ah! (Isto usara-se nas aldeias muitos e muitos anos antes, eu na minha juventude, no meu tempo de namoro, vivia na cidade da Beira, em Moçambique, África).  Gostava tanto dele que até com ele casei e, passados quase 46 anos, ainda somos namorados.
          Mas voltando ao DIA DOS NAMORADOS: Se naqueles tempos não se celebrava este dia, será que não se recebiam prendinhas, flores, chocolates ou uns versos que rimassem com a palavra amor? Não se recebiam no dia 14 de Fevereiro, no dia de S. Valentim! As prendas sabem bem sempre que são dadas por quem nos tem amor, seja em que dia for. 
Até uma florzinha silvestre, como essa aí na foto que meu amado segura na sua mão, apanhada no terreno baldio mais perto, é uma prenda de amor. E não custa nada, pode oferecer-se todos os dias. Quanto aos versos, sejam em quadras, tercetos, poesia livre, sonetos, aldravias, poetrix ou o que for, aquele que for capaz de os fazer, em qualquer dia os poderá oferecer. Não acham?
O meu namorado que ainda conservo com amor, não me ofereceu versos no tempo do nosso namoro! Possivelmente não teria – nem tem – veia poética. Mas, porque vivíamos em cidades diferentes, escrevia-me cartas amorosas. Mas... esperem, esperem... estou a lembrar-me de um presente de que muito gostei. Foi um cãozinho lindo, de porcelana, de olhos meigos como meigos eram – e são – os olhos do meu amor. 

Um cãozinho porquê? Será que ele pensava que os meus olhos também eram meigos como os do cãozinho e, os cabelos pintados do cãozinho, eram tão loirinhos como o meu cabelo (sem pintura naquela altura)? Suponho que nunca lho perguntei e neste momento, o meu namorado de toda a vida e espero que até à morte – por acaso até já combinámos casar na vida futura mas cada um de nós com menos defeitos – não está perto de mim enquanto estou a escrever estas recordações do passado. 
Acreditem que uma das primeiras coisas que lhe perguntarei quando ele regressar da casa de uma das nossas filhas, será a razão porque me ofereceu o cãozinho de porcelana pintado.Terá uma resposta diferente da que imaginei? Se ele me disser que comprou o cãozinho porque não era caro? Aí, penso que para ele, eu não merecia mais. E ficarei muito, muito triste. Mas, se ele responder que andou à procura de um presentinho bonito mas que não fosse “carito” porque queria poupar para nos casarmos?... Aí sim, eu sorrio-lhe e com olhos meigos nos seus meigos olhos, os dois agradeceremos a Deus estarmos juntos por tantos anos, com tanto amor, carinho e paixão, mesmo que só no ano findo (lembram-se leitores que escrevi esta história para a revista de 2005?) o meu namorado de toda a vida tenha despertado para a poesia e me tenha oferecido, no dia dos namorados, um livro de poemas de Eugénio de Andrade e, numa folha de papel A/4, umas quadras que ele fez que rimavam com a palavra amor. Afinal temos poeta! Sempre me quis parecer que havia poesia dentro daquele coração sensível, mas estava adormecida, só agora despertou do seu sono! 
Ah! Esquecia-me de dizer… Passados que são tantos anos de namoro e casamento, com as viagens e mudanças de casa que tivemos de fazer, o lindo cãozinho desapareceu. Mas o nosso amor não desapareceu.   
Gostaria que o DIA DOS NAMORADOS, para casados e solteiros, fosse todos os dias. Mas sei que a maioria dos casais, depois de casados, ficam tão ocupados com a vida, que passa a haver pouco tempo para o namoro.  É pena. Mas quem tiver ainda o namorado-marido ou namorado-esposa a seu lado, não se esqueça de todos os dias lhe agradecer, de lhe dar os mimos que toda a gente precisa. Assim, todos os dias será DIA DOS NAMORADOS.”  
E lembre-se desta frase mas não pense que é apenas de romance, de conto de fadas. Pode ser na vida real "Casaram e foram felizes para sempre".  

Celeste Cortez, escritora de romances, poesia e literatura infantil. Sigam os meus escritos no blogue Letras-à-solta http://celestecortez.blogspot.com, no facebook na página Celeste Cortez, ainda na página Celeste Cortez Autora e na página "Ler é viajar sem sair do lugar". 







domingo, 12 de fevereiro de 2017

GRATIDÃO É UM SENTIMENTO QUE FAZ PARTE DO MEU CORAÇÃO


GRATIDÃO É UM SENTIMENTO QUE FAZ PARTE DO MEU CORAÇÃO

Hoje, dia 11/02/2017:

          Estou aqui e agora  “em busca do tempo perdido”.

         Este agradecimento deveria ter sido publicado ontem ao terminar do dia, agradecendo reconhecida a amizade a todas as pessoas que escreveram inúmeras mensagens privadas, outras nesta página e me fizeram telefonemas. Mas os prazeres do convívio à volta da mesa com os familiares mais chegados (meu marido, minha filha, genro, irmão e esposa) fizeram ultrapassar o tempo. 

          O escritor Milan Kundera diz que é feliz amando muito os que o cercam. Eu também amo os que me cercam e os que estão longe mas enchem o meu coração.

          Como diria Marcel Proust (escritor e critico literário francês, 1871-1922) “sejamos gratos às pessoas que nos fazem felizes”. Porque também tenho as sementes de amor no meu coração, aqui estou para dizer da minha gratidão a todos os que tornaram os meus dias de ontem e anteontem ainda mais felizes. Porque feliz decidi sê-lo e tento todos os dias, se nem sempre o consigo é por ser humana, capaz de errar, mas tentei sempre, tento e continuo a tentar em cada hora que passa.
  
          Milan Kundera, escritor checo (1929), diz num livro seu que se alegra todos os dias, que aprende com as tristezas e os erros, mas também curte cada dia como se fosse a última taça de um vinho suave e às vezes seco e que é feliz amando muito os que o cercam. Direi eu que as tristezas fazem parte da nossa vida, como seres humanos e curtir cada dia que passa poderá ser comparando-o a uma taça de vinho ou champanhe para quem goste, a um gelado de baunilha ou morango no pináculo do verão, ou a um bolo de nata, pastel de Tentugal, queijadas de Sintra, ou ainda, a um maravilhoso arroz doce como comi ontem feito por uma amiga, irmã da minha querida e saudosa falecida cunhada, que mo enviou da Gala-Figueira da Foz. Obrigada Maria Odilia, isto teria suficiente para fazer o meu dia. Como diria o nosso Miguel Torga “que belo e natural é ter um amigo”. E muitos é melhor ainda.

          Apanhando os fios, entranço-os para rematar os meus agradecimentos para dizer como diria Proust: Vocês foram os jardineiros encantadores que fizeram a minha alma florescer. Por isso agradeço, muito reconhecida com flores onde em cada pétala vai um bom desejo para todos e cada um em particular.

ADEUS AL JARREAU, cantor de jazz, falecido hoje 12-02-2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CARMEN MIRANDA - grande atriz, cantora luso-brasileira

CARMEN MIRANDA, O MITO. (Portugal 1909 - Beverly Hills 1955)
Tendo nascido, como eu, no dia 9 de Fevereiro, CARMEN MIRANDA faria hoje 2017, 108 anos de idade. Foi a portuguesa mais famosa do Brasil, para onde seus pais a levaram apenas com 10 meses de idade. Nasceu em Portugal numa aldeia (Várzea da Ovelha), Marco de Canaveses com o nome de MARIA DO CARMO MIRANDA DA CUNHA. Tinha mais 3 irmãs, tendo outra irmã, a Aurora sido famosa, mas não tanto, também por ser cantora.
No Brasil, com a sua voz e os seus vestidos estilizados de baiana (da região da Bahia) e turbantes com bananas, ananases e outros frutos tropicais, a que juntava tecidos, flores, plumas, coroas, chapéus de sol para parecer mais alta,  aquela que tinha apenas 1,53 de altura, fez enorme sucesso. Para parecer mais alta, ajudavam também os seus sapatos de plataforma e inúmeras jóias de fantasia.
“O que é que a baiana tem?” Esta canção alegre, cantada pela voz inconfundível de Carmen Miranda deu a conhecer o Brasil além fronteiras, na sua vertente cultural-musical.
Carmen Miranda começou por viajar pela Argentina, Europa e depois fixando-se nos Estados Unidos, onde veio a falecer de ataque cardíaco, na sua casa de Beverly Hills, apenas com 46 anos. Foi casada com David Sebastian.
Foi dançarina, cantora, atriz de rádio, televisão, cinema, tendo feito 14 filmes na Broadway. Ao fim de 6 minutos em palco, na Broadway, Carmen Miranda tinha conquistado a fama. Acreditam que em 1930 tinha vendido 35 mil discos? Em 1933 era a primeira cantora da rádio com contrato!
Em 1940 foi votada a 3ª. maior personalidade popular nos Estados Unidos.
Carmen Miranda cantou na Casa Branca, para o Presidente Franklin Roosevelt.
       Há um Museu em sua honra desde 1976 no Flamengo, Rio de Janeiro e outro no seu concelho natal Marco de Canaveses, desde 1985.
Há uma rua com o seu nome em Los Angeles. Tem o seu nome no “Passeio da Fama”, bem como tem as suas mãos desenhadas no Graumans Chinese Theatre, desde 1941.  
Quem não gostaria de ser CARMEN MIRANDA nem que fosse por umas horas? Eu quis. Como se fosse uma atriz, quis “encarnar” o papel da famosa vedeta. Assim, um dia, num passeio com o Inatel, por brincadeira, tentei brincar e fantasiar-me. A saia era branca, comprida e rodada, tentando imitar uma baiana. O que é que a baiana tem? Lembram-se da canção? Eu não tinha mais do que se vê na foto. Não havia ananases, nem chapéus altos, nem turbantes enormes para imitar os espampanantes chapéus que Carmen Miranda usou. Também as jóias de fantasia que tinha levado na bagagem eram poucas e não terei muitas mais. No entanto, eu contento-me com pouco, fico sempre feliz por ficar alegre e alegrar os outros. Acreditem ou não, recebi um prémio. Não teria sido mais do que uma caneta grafada com o nome Inatel, uma caixinha com divisórias para comprimidos E UM DIPLOMA. Fiquei satisfeita como se tivesse recebido um grande prémio.  Bom, exagerar não vale! Claro que um grande prémio, um cheque com números redondos, teria feito jeito. Ainda hoje os recordaria. Assim, recordo, com alegre saudade, aquele dia bem passado. 

E agora quem leu com atenção o artigo completo? Faça os seus comentários. Responda às seguintes perguntas:

"PERGUNTAS:
Carmen Miranda é brasileira, portuguesa ou luso-brasileira?
Onde há museus com o seu nome?
Que altura tinha?
Porque parecia muito mais alta?
Para que presidente dos Estados Unidos cantou?
Sabe o nome da esposa daquele presidente dos E.U.América? Aqui, como não está no texto, eu vou dar uma ajudinha: Eleanor Roosevelt, que foi politica, diplomata, ativista. Esteve no cargo de primeira dama desde 1933 a 1945. Nasceu em Nova Iorque em 1884 e ali faleceu em 1962. (O Presidente Franklin Roosevelt, seu marido faleceu em 1945)".






terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

AMÉLIA LUZ - POETA BRASILEIRA

A poetisa Amélia luz, com seu marido à direita da foto, tendo no lado esquerdo o Dr. António Gomes da Costa, Presidente do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro. 


AMÉLIA LUZ, de seu nome AMÉLIA MARCIONILA LUZ, é uma poeta brasileira.  

Publicamos a seguir um poema seu, muito profundo, de muito conhecimento, sob o título:
Ibéria, Histórica Ibéria.
Quando o homem recortou a península
Olhando o céu, dividiu as estrelas,
Contemplando o mar soprou as caravelas
Que vazaram as espumas do oceano
Em busca da expansão ultramarina...
Portugal, herói aventureiro das águas.
A Escola de Sagres: “Navegar é preciso!”
Atravessei o Atlântico em caravelas errantes
Conheci Camões, Pessoa e Eça
De quem herdei e falo a língua-mãe!
Na Hispânia convivi com povos guerreiros
Califados e clero em disputas terrenas
Nas lutas enganosas pela fé.
Cristianismo, Islamismo e Judaísmo,
Aromas misteriosos de incenso forte
E brilho de fogo nos olhos dos mouros...
A valentia semítica enfrentando tempestades
Buscando oásis nos montes da Serra Morena
Ou nas planícies da Andaluzia...
Invadidos e invasores nas rotas sangrentas de Leão e Castela,
Raízes latinas que palpitam na minh’alma
Em sombras e clarões, através dos séculos...
Romanos penetrando em centúrias na península
General, o guerreiro Cipião,trazendo na boca o latim,
Plantando a “flor do Lácio” em novo e rico chão.
A força da Península em missão civilizadora,
O Império Colonial Espanhol e Português,
Batizando a América, meu berço, minha origem!
De barro português fui feita: descobridores cobiçosos,
Bravos bandeirantes, feitores, escravocratas,
Algozes capitães do mato, tropeiros, garimpeiros,
Senhores de Engenho, Barões do Café,
Ou pedreiros, padeiros, feirantes,
Mascates, ferreiros ou carapinas!!!
Ibéria, Ibéria, a mediterrânea, olé... olé...
Portugal, Portugal, ultramar e latino,
Dentro do meu coração de além-mar...
Chora o mesmo fado, a canção, o verso,
Na poesia de todo dia, que teima a bater-me à porta...


SEGUE-SE NOVO POEMA DE AMÉLIA LUZ. Este descrevendo quem é SACI PERERÊ, (entidade fantástica do Folclore Brasileiro):

O gomo do bambu partiu e,
uma coisinha estranha de lá saiu,
gemendo, espreguiçando...
Mamãe Saci colocou-lhe um barrete vermelho,
-“Para lhe dar boa sorte” – disse!
Papai Saci deu-lhe alguns conselhos
E um velho cachimbo, ensinando-lhe
(só de brincadeirinha) as primeiras baforadas!
Sacizinho firmou a sua perninha, (era uma só),
deu alguns rodopios, treinou seu agudo assobio
e saiu pela mata e pela fazenda
fazendo muitas estripulias:
assustou o pobre lenhador,
soltou a bezerrada do pasto,
espantou as galinhas que estavam no choco,
quebrou todos os ovos do galinheiro,
fazendo ainda estragos no milharal e na horta!
Sinhozinho, no alpendre apavorou-se...
Era noite de sexta-feira, noite de lua cheia
e a situação estava ficando muito feia.
Chamou Nhá Nastaça para rezar
com galho de guiné e assim,
espantar os maus espíritos.
Correu até a sala. Carrilhão batia seis horas,
 
sol se escondia, noite chegava.
Com a taça na mão procurou água na moringa
viu que estava toda derramada,
nem uma só gota para molhar a goela seca.
O danadinho passou por aqui - pensou assustado!
Escutou bem perto um assobio ensurdecedor,
um arrepio correu-lhe pela espinha,
 
os cabelos dos braços arrepiaram, tal o medo!
Um vento forte vazou a sala...
Pela janela do casarão,
o Sacizinho saiu voando em disparada!
Crendice? Feitiço? Coisafeita???
Que nada! Era mesmo o Coisarruinzinho
visitando o patrão e fazendo as suas atrapalhadas!!!


Mas temos mais para mostrar desta Poeta querida. Amélia Luz também é poeta aldravianista, Aqui ficam algumas aldravias dela: (este tipo de poesia está descrito neste blogue, basta procurar por ALDRAVIA. 

QUÉDÊ A ALDRAVIA? Não olhe para trás nem para baixo leitor, a aldravia está mesmo, mesmo na cara do palhaço. Boa!



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