sexta-feira, 23 de setembro de 2016

POETA - ANTÓNIO ADRIANO PAIS DA ROSA

Poema do meu amigo Poeta ANTÓNIO ADRIANO PAIS DA ROSA 
O Poeta, proposto pela escritora Celeste Cortez faz parte da ALA - ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PORTUGAL, onde por norma assiste à sessões culturais que ali se fazem algumas vezes durante o mês. 





AMIGO

AMIGO
É aquele que me dando a mão
Me acolhe no seu coração.
AMIGO
É aquele que sua vida me dá
E nada de mim reclama.
AMIGO
É todo o que se alheia do meu corpo
E chora por mim, em solidão...

AMIGO
É o que do seu dia faz noite
Evitando que nela eu naufrague.
AMIGO
É aquele que me cobre de sorrisos
E chora, em silêncio, minhas desventuras.
AMIGO
É o que sendo insolente e desabrido
Me mimoseia com palavras mansas e afectos...

AMIGO
É aquele que vivendo no escuro da noite
Me oferece restos do seu olhar paternal.
AMIGO
É o que envolto em total amargura
Me agasalha e ampara com sua mansidão.
AMIGO
É o que, alhendo-se do meu corpo,
Me oferece o seu, como escudo protector...

AMIGO
É o que nada querendo
Tudo me oferece para minha salvação.
AMIGO
É todo o que vive em equilíbrio
Entre a sensação e a razão.
AMIGO
É o que sabe dormir em paz
Guardando os outros no coração...
AMIGO
É todo o que sabe oferecer
O que para ele reclama.
AMIGO
É o que sendo obscuro, invisual,
Sabe oferecer o perfume do seu olhar.
AMIGO
É todo o que nada me pede
E tudo de bom me oferece.

AMIGO
É todo o que me vê meretriz
E me oferece seu amor paternal.
AMIGO
É todo o que me oferece seu perdão
Sem qualquer crítica opu sermão.
AMOR
É o que me cobre de sorrisos
E me purifica com suas lágrimas...

AMIGO
É o que, com afecto e serenidade,
Tenta suprimir minhas faltas.
AMIGO
É todo o que do nada faz tudo
E de tudo, não pede nada.
AMIGO
É todo que nada fazendo
Não tenta destruir ou ser inimigo...

AMIGO
É O QUE AMA SEM SER AMADO
É O QUE DÁ SEM NADA RECEBER
E SABE SORRIR...CHORANDO...
                                  23SET2016
                                      z.rock  

 REFLEXÕES OUTONAIS...



Sentado, à volta de uma mesa,
Num café, algures em S.João do Estoril,
Aguardava a chegada do amigo Carlos,
Para recordarmos, com certa nostalgia,
Tempos pretéritos da nossa Angola,
Sempre ausente, sempre presente,
Nas nossas divagações de eternos amantes.
Abstraido, pensamento desordenado,
De olhos vendados ao mundo que me rodeia,
Perdi-me entre a beleza das núvens,
O encanto da natureza, tão bela, generosa,
que tudo oferece e que não sabemos abraçar...

Estamos em pleno estação outonal.
As árvores, outrora cheias de encantos muitos,
Desnudam-se silenciosamente
Deixando cair, desamparadas, no solo frio,
Sua folhagem que lhe deu cor e vida,
Folhas caídas, amareladas, que passavam,
Que rolavam junto de mim, levadas,
Por uma brisa suave, misteriosa,
Como escravas desamparadas.
Meditei, meditei, a uma conclusão cheguei:
Amor humano e  folhagem, se confundem
Na génese e no limiar da sua vivência.


Ambos nasceram do nada e do tudo.
Companheiros próximos, cresceram.
Ele, adubou e banhou , com graciosidade,
Suas raízes, para crescerem e se desenvolverem.
Elas, com sua ramagem lhe deu o fluido
Que oxigenou sua máquina divina,
Tornada humana e lhe deu sombra refrescante,
Plena de odor e muita perfeição.
Mais tarde, no outono da vida,
Entre murmúrios e enigmas,
Concluir-se-à que ambos, folha e amor,
Jamais retroagirão, fruto natural da evolução.

Tudo o vento levou...
   

                                                    S.João do Estoril
                                                         24SET2016
                                                             PROSA      

terça-feira, 20 de setembro de 2016

POEMAS GERADOS EM ÁFRICA - FERNANDO COUTO


FERNANDO LEITE COUTO, pai do escritor MIA COUTO de Moçambique, foi jornalista e poeta. Trabalhou em Portugal como jornalista e em Moçambique.

Nasceu próximo do Porto, faleceu em Moçambique. S


Manifesto
Poesia não te peço trigo
pois sei que não és seara
e nem ao menos és terra.
Quero-te só cotovia
no espesso dos trigais
e canto da madrugada.
Não podes servir de pão
a quem outro não tiver.
Podes uivar e chorar
ser o grito de esfaimados
bandeira de barricadas
cólera das nossas veias
mas não és terra ou seara
Nem balas nem espingardas.
Quero-te só cotovia
Íntima voz do meu sangue.
- Fernando Couto (1967), em "Uma voz cheia de vozes". Maputo: Editorial Ndjira, 2015.



Na agreste paisagem de dunas
expira a vastidão da savana.
No areal se sepulta o choro do mar
em seu clamor e seu soluço
e a fúria do vento largo
veste de saliva os arbustos sobreviventes.

Mangal de raizes nuas
doí-me o desespero dos teus dedos
ainda longos e cravados à terra.
Na orla do tempo, as aves marinhas
contemplam os despojos com olhos tranquilos 
e nos conturbamo-nos à vista 
dos despojos e do jeito dos pássaros.

Aqui, só nos vemos
a delgada fímbria do encontro
da morte e da vida
e conturbamo-nos.
E, amando-nos,
avivamos o traço esguio e sinuoso
dessa fímbria de encontro de morte e da vida
- Fernando couto, em "Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau". [coordenação Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco]. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1999.


O amor diurno
Em teu sereno rosto
se ergueu o vento
querida
uma leve crispação
corre a sua linha de água
em tuas feições ondulando
querida
Teus olhos se fecharam
querida
lagos sobmersos
pejados de trevas e desejos
de prazer e dor
ó doce querida
Mar nocturno e agitado
e sua audível presença
querida
um grito surdo
túmido e lento agoniza
em tua garganta opressa
ó doce querida
Tuas mãos esguias
minha querida
asas transparentes e brancas
de aves aquáticas
um vento de loucura
as possui e agita
desnorteados barcos
navegando às cegas no meu corpo
minha querida 



Em teu sereno rosto
agora apaziguado
o vento torna a ser brisa
querida
com a quietude das manhãs de verão
e a fadiga
já sobre a areia
depois do naufrágio
ó doce muito doce querida

- Fernando Couto, poema nº 10 de "O amor diurno". Beira: Edição do autor, 1962.



O medo e a esperança
Tranquilo e devagar entro na aldeia
de mão ao alto aberta em sinal de paz
Desertas e contudo palpitantes
se encontram ainda as palhotas 

No único rosto presente é visível
o medo está atento procurando antecipar-se
nos meandros da incómoda adivinha

Falo e sorrio e entreteço pontes de caniço
e não sei estendê-las até à outra margem:
fechado e atento o rosto em frente do meu
entremeia um rio sem vau e sem barcos
de águas opacas e demasiado largo

Procuro na memória de distantes avós
autênticos e críveis sinais de paz
e ao fazê-lo acordo aves de lembranças
de ventres pejados de sangue e ódios
e apenas avivo o rosto em frente as cores do medo

Olho o meu braço estendido e nu
inofensivo e pronto à espera do acolhimento
e no rosto em frente projecta-se uma sombra
a dolorosa sombra-lembrança de um chicote
E o medo ganha relevo no rosto escuro
atento e vigilante à porta da palhota:

pergunto aos teus olhos e às tuas costas
à tua carne e ao abismo dos teus olhos
onde e quando brotou a fonte desse medo
— como se eu fosse o deus vivo do raio
e fizesse empalidecer o teu rosto cor de noite
a ti que nunca me viste e contudo és valente
e já viste de perto a fome de feras em liberdade

Quero perguntar de frente aos teus olhos
e a tua cabeça pende como um ramo
ameaçado de morte com o peso dos frutos
prestes a perderem-se inúteis em chão batido
Quero perguntar-te e não sei os gestos
nem as palavras mágicas ou compreensíveis
para conjurar a mancha de medo
que ensombra o teu rosto esculpido em negro

Capa do livro Rumor de água,
de Fernando Couto
Não sei os gestos e as palavras mágicas
e todavia não desisto e procuro
certo de haver uma ponte praticável
entre os meus e os teus olhos erguidos.
- Fernando Couto, em "Rumor de água" (antologia poética).. [Organização Ana Mafalda Leite]. Maputo: Editorial Ndjira, 2007.



Praia do savane
Tu apenas tu e rodeando-te
a imensidão do mar
e a savana imensa
e o céu abrindo e fechando
todo o horizonte à sua volta.

O bramido oceânico
e o fundo silêncio da savana.
E a solidão a solidão
e as aves marinhas
confirmando a solidão ...

Livre te sentes é verdade
mas também perdido
e inútil esta liberdade
Adão que és agora ínfimo
desolado e inquieto
contemplando o mar perplexo
contemplando-o como se as ondas
te pudessem decifrar o mistério
desta absurda criação
de deserto de mar e de terra
de silêncio de vento e de aves ...
- Fernando Couto (1985), em "Monódia". Maputo: Edição AMOLP, 1987.



Paisagem africana
Em chamas de amarelo e rubro íntimos
inquietas deliram as flores de acácia

fofas e tépidas as dunas impudentes

imitam feminis curvas em consentimento

da terra solta-se o hálito escladantes

de sequisoas bocas em beijo interrompido

Verdes-escuras as folhas dos arvoredos

turvas pesam como um desejo insatisfeito

denas as florestas odorantes a húmus

respiram o ácido cheiro do suor de cópula

crestado o capim estremece compacto

como a epiderme ocorrida por um frémito

brutais os rios rasgam a carne das planícies

como soldados invasores às filhas dos vencidos

e à brutal excitação de um sol desumano


a terra de África abre a flor de duas pétalas rosáceas

- Fernando Couto, em "Rumor de água" (antologia poética).. [Organização Ana Mafalda Leite]. Maputo: Editorial Ndjira, 2007.




 De súbito,
   a tristeza nasce no teu rosto,
   suave, densa e silenciosa
   – céu da África ainda sem noite nem dia

   A lua,
   tua irmã africana,
   irrompeu dos teus ombros,
   esplendorosa e suave.

   E ao gesto diáfano das tuas mãos
   incendiou-se a noite.

domingo, 18 de setembro de 2016

Di�rio de um soci�logo: Prato tradicional pronto a servir

Di�rio de um soci�logo: Prato tradicional pronto a servir

CASCAIS - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CULTURA (F.I.C.)2016

O Festival Internacional da Cultura – F.I.C. 
 É uma iniciativa que resulta de uma parceria entre o grupo editorial LeYa e a Câmara Municipal de Cascais, que teve início do ano 2015.
 Da esquerda para a direita: Paulo Mexia, Lídia Jorge, Mediador José Carlos de Vasconcelos e o ex-Ministro Guilherme d'Oliveira Martins 
O FIC promove o encontro entre o grande público e a Cultura: Literatura, Pintura, Música, Artes, Dança, Teatro, Filmes, Poesia, etc. Os bons resultados obtidos na primeira edição, com mais de 20 mil visitantes, realizada no verão de 2015, levaram estes parceiros a apostarem no festival que, este ano, surge com uma nova ambição, através de um enorme reforço da presença de grandes figuras da cultura nacional e internacional.
Alguns eventos foram efetuados bilingual: Uns em português e inglês, outros em português espanhol.
A  generalidade das actividades do FIC é de entrada gratuita – toda a informação disponível em www.fic.leya.com. O festival pode ainda ser seguido em Facebook.com/FICfestival e no twitter.A programação do FIC resulta de um esforço conjunto da LeYa, da Câmara Municipal de Cascais e da Fundação Dom Luis I.
Homenagem à escritora Lídia Jorge. 
No debate do dia 17 de Setembro de 2016, sob o título de "Literatura e a revolução das mentalidades", teve a participação do ex-ministro Guilherme d'Oliveira Martins, da escritora Lídia Jorge, de Pedro Mexia, tendo como moderador o jornalista José Carlos Vasconcelos. No debate de ideias, diversas pessoas enviaram à mesa comentários escritos que foram sendo respondidos pelos membros da mesa. 
No domingo dia 18, às 17 horas,  em português,  haverá um debate sobre EÇA DE QUEIRÓZ e CHARLOTTE BRONTê, na sala de Pintura Paula Rego, organizado pela Fundação Dom Luis I , sendo a mesa composta por Isabel Pires de Lima e Mário Avelar, com a presença de Paula Rego. 
Às 18 cerimónia presidida por Paula Rego - Entrega de Prémio de Belas Artes. 
Às 19 - Em português o debate sobre "Que forma de conhecimento nos é dado pela literatura? Sob a direção de Afonso Reis Cabral (Portugal), o escritor Gonçalo M. Tavares (Portugal), José Miguel Wisnik (Brazil), Luisa Costa Gomes (Portugal), Patrícia Reis (Portugal), Rui Zink (Portugal. Moderador para esta sessão: Inês Fonseca Santos.
às 22 horas, Conversa entre o autor, novelista britanico David Lodge e a escritora portuguesa diretora do festival Inês Pedrosa. 

POETA - ANTÓNIO PAIS DA ROSA - MORENA BONITA


POETA - ANTÓNIO AUGUSTO PAIS DA ROSA (português)
Letra para uma canção, poema feito no Brasil em Dezembro de 2015 (registado, com direitos de autor).
Agradeço ao poeta a simpatia da sua oferta.  












 MORENA BONITA

Morena,
Bónita,
Qui sabi amá,
Qui canta,
Qui dança
E sabi sonhá!...

Rolando seu corpo
Ao som do batuque
Cantando,
Sonhando,
Num mar de paixão,
 Louca sensação.

Morena,
Bonita,
Qui sabí amá,
Qui canta,
Qui dança
E sabi sonhá!...

De rosto exaltado,
De olhar perfumado,
Marca o compasso
Dum ser apaixonado
Pelo samba que a faz sonhar
E entre nuvens a faz voar!...

Morena,
Bonita,
Qui sabi amá,
Qui canta,
Qui dança
E sabi sonhá!...

És diamante brilhando,
Uma rosa a flori,
Bago di café qui rola,qui rola...
No olhar dum poeta qui sonha
Tornar-se seu cara bacano
Para com ela poder curti...

Morena,
Bonita,
Qui sabi amá,
Qui canta,
Qui dança
E sabi sonhá!...

                               São José do Rio Pardo
                             28DEZ2015
                          Prosa



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