quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

FLORBELA ESPANCA




Do Diário de Florbela Espanca - no último ano 
da sua vida. 



... "- É um encanto agora, quase todos os dias renovado, o meu passeio pela Boavista. Como as árvores se enfeitam, espreitando a Primavera! Polvilham-se de oiro as mimosas, ao crepúsculo riem, num riso diabólico, as peónias, vestem as magnólias os seus vestidos de baile: brancos, rosados, cor de lilás... saias compridas quase a roçar o chão."

LEITURA

Imponha a si mesmo uma meta: Ler pelo menos um livro por mês. Procure bons livros
Se não pode comprar, requisite em biblioteca pública, em gabinetes de leitura.
Organize um grupo de leitura, lendo o mesmo livro e discutindo depois o tema, a trama, os pontos que mais lhe agradaram, tudo o que possa contribuir para o seu conhecimento
AO FIM DE ALGUM TEMPO, VERÁ QUE NÃO PASSA SEM LEITURA





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

António Sampaio da Nóvoa é o vencedor do Prémio Universidade de Coimbra 2014

PARABÉNS


Notícia da Net : Ao longo da sua carreira Sampaio da Nóvoa publicou cerca de 200 títulos, entre livros e artigos, tendo leccionado em importantes universidades portuguesas e estrangeiras. Foi ainda presidente do ISCHE - Associação Internacional de História da Educação e presidente do Conselho Consultivo da área de educação da Fundação Calouste Gulbenkian. 
Em 2005 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública". 
Desde a sua criação, o prémio UC, que comemora dez anos, distinguiu, entre outras personalidades, o músico e compositor António Pinho Vargas, a cientista Maria de Sousa, o artista plástico Julião Sarmento e o actor e encenador Luís Miguel Cintra.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

NATAL - ARY DOS SANTOS

Não deixemos que o Natal seja passado assim!
NATAL, ARY DOS SANTOS

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.

Ary dos Santos

"Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser"








Caríssimo leitor:

O blogue passou a ter o fundo preto. 
Valeu a pena? 
Acha que está melhor? 
Aguardo os seus comentários. 

Um abraço da autora Celeste Cortez 

Dê uma olhada nos meus romances

"O Meu Pecado"

"Mãe Preta"

Vende-se em Portugal em algumas livrarias. 

Caso não consiga encontrar, por favor contacte a autora através do email: celeste.cortez@hotmail.com
envio à cobrança. 
A sala das pegas (foto da internet) 


AS PEGAS DE SINTRA, (lenda)
transformada em poema por
ALMEIDA GARRETT - 1799-1854


O escritor Almeida Garret, aproveitou a Lenda das Pegas de Sintra e escreveu este maravilhoso poema, supõe-se que a 22-07-1846. 
…….Almeida Garrett - nasceu em 1799 e faleceu em 1854. 


POR BEM


Gavião, gavião branco
Vai ferido e vão voando;
Mas não diz quem n'o feriu,
Gavião, gavião branco!

O gavião é calado,
Vai ferido e vai voando
Assim fora a negra pega
Que há-de sempre andar palrando.

A pega é negra e palreira,
O que sabe vai contando...
Muito palra a pega
Que sempre há-de estar palrando.

Mas quer Deus que os chocalheiros
Guardem, ás vezes, falando,
O segredo dos sisudos,
Que eles não guardam calando.

Era uma pega no paço
Que el-rei tomara, caçando;
Trazem-na as damas mimosa
Com a estar sempre afagando.

Nos
paços era de Sintra
Onde estava
el-rei poisando:
A
rainha e suas damas
No jardim andam folgando,

Entre açucena e rosas,
Entre os goivos trebelhando;
Umas regavam as flores
Outras as vão apanhando.

E a minha pega com eles
Sempre, sempre, palreando.
Vinha el-rei atrás de todos
Com Dona Mécia falando.

Era a mais formosa dama
Que andava naquele bando;
No ombro de Dona Mécia,
A pega vinha poisando.

E zelosa aprecia
Que os andava espreitando...
Colhera el-rei uma rosa,
A dona Mécia a ia dando,

Com um requebro nos olhos
Tão namorando e tão brando...
Inda bem, minha rainha,
Que adiante te vais andando!



Pegou na rosa a donzela,
Disfarçada a está cheirando...
Senão quando a negra pega
Que lha tira e vai voando.

Deu um grito Dona Mécia...
E a rainha, voltando,
Deu com olhos em ambos...
Ambos se estão deleitando.

-"Foi por bem!" – lhe disse o rei,
Seu acordo recobrando:
-"Foi por bem!" – "Por bem!" Repete
A pega em torno voando.

- "Por bem, por bem!" grasna a tonta,
De má malícia cuidando
Co’a chocalheira da língua
Andar a caso enredando.

Mas quer Deus que os chocalheiros
Guardem às vezes falando
O segredo dos sisudos
Que eles não guardam calando. 


Riu-se a raínha da pega 
E ficou acreditando
que a inocência do caso
Nela se estava provando. 

Da pega mexeriqueira,
Do bem que fez, mal pensando
Nos eais paços de Sintra
A memória está durando.

Eis aqui, senhores, a história
Da pega que aí vês palrando,
Da rosa que tem no bico,
Da letra que está cercando. 




AS  PEGAS DO PALÁCIO DE SINTRA - Foto do Flickr. com a devida vénia

Estas pegas estão no tecto do Palácio Nacional de Sintra , Palácio da Vila, situado na Vila de Sintra (o  Palácio das Chaminés)
(não no Castelo de Sintra)





sábado, 18 de janeiro de 2014

POETA-DECLAMADOR ARY DOS SANTOS, EM SUA MEMÓRIA

Ary dos Santos, de seu nome completo José Carlos Ary dos Santos, era descendente de família de alta burguesia. Nasceu em 1937 – Faleceu a 18-01-1984.

 
Foi autor de mais de 600 poemas muitos dos quais foram musicados,
continuam atualizados. Grandes cantores o interpretaram.

Em sua memória, aqui fica o seu poema:
Era tarde.
Era declamado por ele, foi cantado por Carlos do Carmo




Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza


Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos noturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foto de Tó Cortez - Direitos de Autor a não ser com autorização da autora deste blogue. 

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!




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