terça-feira, 11 de agosto de 2015

POETA - MÁRIO CESARINY (1923-2006)

POETA MÁRIO CESARINY   (Lisboa 1923 - Lisboa 2006)


Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny - pena capital (Assírio & Alvim 1982)

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Cesariny

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

  1. Transcrevo com a devida vénia um artigo do Dr. Drausio Varela:
  2. É para ser lido devagar, muito devagar, pausando muitas vezes. Mediando. E quando chegar ao fim, ficará com menos
  3. O INCRÍVEL PROCESSO DA MORTE
  4. 2. Nossos filhos se tornaram adultos e tiveram filhos. O nascimento deum neto é evidência de que não somos mais necessários para aperpetuação de nossos genes. Desse momento em diante a vidaseguirá em frente, estejamos ou não por perto.
  5. 3. Em 70 anos, uma recém-nascida se tornou avó ou bisavó. Quandonos aposentamos, a vida corre mais devagar. Nossos movimentostambém estão mais lentos. Os sinais externos da idade ficam maisevidentes. Nossos sentidos estão menos sensíveis.
  6. 4. Desde o nascimento, começamos a perder os cílios responsáveis pelacaptação dos sons, no interior do ouvido. Nessa idade já temosdificuldade para escutar os sons de alta freqüência. Devagar, com otempo, perderemos até os que captam freqüências baixas. Os ossículosque transmitem as ondas sonoras da membrana do tímpano para dentrodo ouvido endurecem. Fica difícil ouvir o que os outros falam.
  7. 5. A visão também piora. A vida inteira expostos aos raios de sol, ocristalino, a lente dos olhos, perde a elasticidade e escurece. Podeaté mudar a cor dos olhos. O cérebro precisa fazer acrobaciaspara compensar essas alterações.
  8. 6. O esqueleto reflete bem o desgaste de muitos anos. Os ossoscontinuam fabricando células novas para substituir as velhas, masos osteoblastos já não dão conta de repor as células perdidas. Aperda constante de massa óssea torna os ossos quebradiços: é aosteoporose, um perigo permanente. Sofrer uma fratura é muitomais fácil. Isso acontece com ambos os sexos, mas as alteraçõeshormonais da menopausa aceleram o processo nas mulheres.
  9. 7. Por que a aparência de nosso corpo muda tanto entre os 40 e os 70anos? É bem mais do que uma questão de uso e desgaste. Oenvelhecimento é um processo que afeta uma por uma de nossascélulas.
  10. 8. A cada dia, bilhões de nossas células se dividem em duas. Paraisso, precisam duplicar o DNA, e destinar uma cópia para cadacélula-filha. Enquanto as células mais velhas morrem, as recémcriadas ocupam o lugar deixado por elas.
  11. 9. O problema é que o mecanismo de divisão celular é sujeito apequenos erros. Quando o DNA é copiado, as imperfeições contidasnele também são duplicadas.
  12. 10. Cada um desses erros é transmitido às células-filhas, às células-netas e, assim, sucessivamente, para todas as descendentes. Écomo nas fotografias: cópias de cópias perdem a nitidez. Desde onascimento trocamos todos os ossos do nosso rosto a cada doisanos.
  13. 11. Aos 70 anos, nossa face é a trigésima quinta cópia da que tínhamosao nascer. A cada cópia as imperfeições se tornaram maisaparentes. É por isso que parecemos tão diferentes quandoestamos mais velhos.
  14. 12. Outra causa do envelhecimento está no ar que respiramos. Semoxigênio não podemos sobreviver, mas ele nos corrói lentamente.Dentro de cada célula, as mitocôndrias são nossas centraisenergéticas, nossas fábricas de energia. Elas combinam o oxigêniocom os nutrientes para produzir a energia necessária aofuncionamento do organismo. Nesse processo são liberadospoluentes chamados de radicais livres, que agridem as própriasparedes das mitocôndrias e comprometem a produção de energia.
  15. 13. Como conseqüência, não conseguimos mais repor as células necessárias,nem corrigir os defeitos ocorridos em seu DNA. O funcionamento dosórgãos fica comprometido. Eles podem falhar. A morte, como a vida, é umprocesso construído no interior de nossas células. Da mesma forma que oDNA controla nosso desenvolvimento, também limita a duração de nossasvidas. Em cada cópia de si mesma, a célula perde um pequeno fragmentode DNA. Depois de bilhões de divisões, foi perdido tanto DNA que acapacidade de formar novas células fica comprometida.
  16. 14. A morte não é um acontecimento instantâneo. É um processoatravés do qual os órgãos pouco a pouco entram em falência. Aodar as últimas batidas, o coração espalha pelo corpo um hormônioque alivia a dor: as endorfinas. Sem oxigênio, os órgãos param defuncionar. Em dez segundos a atividade cerebral cai. Em quatrominutos o cérebro será lesado irreversivelmente. Perderemos acondição humana.
  17. 15. A audição é o último sentido a nos abandonar. Mas algumas célulaspermanecem vivas até mesmo depois da morte: as da pele ainda sedividem por 24 horas. E são necessárias 37 horas para que o últimoneurônio encerre a sua atividade.
  18. 16. Para alguns de nós, a vida pode durar muito tempo. Quem nascehoje tem expectativa de viver 80 anos ou mais. Mas todas asjornadas um dia devem terminar. Depois de nossa morte, nossosfilhos e netos carregarão nossos genes no interior de suas células,e vão transmiti-los para seus descendentes. Nossa vida continuarádentro deles. As memórias que deixamos, também.
  19. 17. A nossa Viagem Fantástica chegou ao fim.DR DRAUSIO VARELA 02 11 2008
  20. 18. Web Nota 10 O melhor da Webhttp://webnota10.blogspot.com webnota10@gmail.com

sábado, 8 de agosto de 2015

POETA SIDÓNIO MURALHA (1920- Lisboa- Curitiba 1982)



SIDÓNIO MURALHA - 1920-1982 -Emigrou para o antigo Congo Belga, em 1944. A partir de 1962, fixou residência no Brasil. Dedicou grande parte da sua obra à literatura infantil. Recebeu prêmios nacionais e internacionais. É considerado um dos melhores poetas para crianças em língua portuguesa.
Entre os livros editados para crianças estão:
A Dança dos Pica-Paus, A Revolta dos Guarda-Chuvas, Sete Cavalos na Berlinda, Todas as Crianças da Terra, O Trem Chegou Atrasado, Os Três Cachimbos, A televisão da bicharada, O Companheiro, A amizade bate à porta, Valéria e a vida, Bichos, bichinhos e bicharocos, Um personagem chamado Pedrinho, Voa pássaro, voa, Catarina de todos nós, Helena e a cotovia, Terra e mar vistos do ar, O rouxinol e sua namorada.

Além de muita poesia dedicada às crianças, escreveu outros poemas. Vamos deixar para o nosso leitor o poema "Romance", que nos fala com pudor, e num lirismo admirável, de uma gravidez acidental e aborto forçado, por conveniênciais sociais. Tema raro na poesia portuguesa daquele tempo e mesmo na atualidade. 


Depois daquela noite os teus seios incharam;
as tuas ancas alargaram-se;
e os teus parentes admiraram-se
e falaram, falaram…
Porque falaram duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural?
Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…
Mas tudo terminou porque falaram.
Tu fraquejaste e tudo terminou.
- Os teus seios desincharam;
só a tristeza ficou.
Ficou a tristeza duma coisa tão bela,
tão simples, tão natural…
- Tu não parias uma estrela,
nem uma noite de vendaval…

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

HIROXIMA (HIROSHIMA) a bomba atómica, faz hoje 70 anos que caiu.

VAMOS REFLETIR SOBRE AS ATROCIDADES CAUSADAS PELA BOMBA ATÓMICA

Comentários de Celeste Cortez: 


O grande poeta Vinicius de Moraes, criou figuras fortes para se insurgir contra a guerra, contra a bomba atómica. 
Usou o verbo "pensar" no imperativo ("pensem"), convidando-nos  a refletir diante das atrocidades causadas pela guerra, e, principalmente, a causada pelo mais odiondo instrumento feito pelo ser humano, a destruidora “ bomba atômica” que pôs e pode continuar a por em perigo a sobrevivência humana.  

* - Vinícius grafa Hiroxima com X, pois a rigor é essa a adaptação do nome próprio japonês para a língua portuguesa. Em tempos mais recentes, devido à influência do inglês, é mais comum que se grafe a palavra com SH. Ambas as formas são aceites na norma culta.

A rosa de Hiroxima*
Foto da internet

VINICIUS DE MORAES

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


Vinicius de Moraes –(Rio de Janeiro 1913 – 1980  Rio de Janeiro) Vem de família de músicos e poetas (Pai violinista e cantor , mãe e avô pianista, tio cantor boémio.
 Vinicíus de Moraes (o poetinha) foi diplomata, músico, boémio… se isso é profissão, advogado, dramaturgo, jornalista,  crítico de cinema, compositor e poeta. Foi amigo da nossa grande fadista e letrista de alguns fados Amália Rodrigues.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ROMANCE "O MEU PECADO"


Romance "O MEU PECADO", de Celeste Cortez
contracapa da 2ª. ediçãoAdicionar legenda


É uma história intemporal, descrita de maneira simples, elegante e completa, onde o leitor é transportado  do imaginário à realidade, relacionando os factos tanto no contexto temporal como emocional.
Relata palcos da guerra colonial, em Moçambique, descreve paisagens de uma Africa nostálgica onde o sol brilha mais forte, beleza de lugares onde a memória Lusa esteve ancorada noutro tempo. Escrita pincelada com paisagens de tonalidades  que só  África tem.

Aflora memórias de um tempo que faz parte da História de dois povos, em que factos e tempos estavam no vértice de uma viragem.    

Na sua leitura é difícil separar a ficção da realidade, porque a trama  foi conduzida com habilidosa e poética descrição, relacionando os factos tanto no contexto temporal como emocional.  
 “O Meu Pecado” está recheado com aromas da terra onde se desenrola o drama nos teatros da vida.
  Coincidentemente, a história  tem algo de Romeu e Julieta,  Amor de Perdição, Frei Luis de Sousa,  Miss Saigão, apesar da autora não ter lido "Miss Saigão" antes da escrita deste romance. 
O MEU PECADO, é um acto criativo onde as palavras são convidadas  a adquirirem sentido, a gerirem emoções e com elas construir o drama existencial da personagem feminina principal, Ritinha.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

IÇAMI TIBA - ESCRITOR DE LIVROS SOBRE EDUCAÇÃO FAMILIAR - HOMENAGEM

Transcrevo com a devida vénia da Wikipédia:

Içami Tiba
Nascimento15 de março de 1941
Tapiraí, faleceu a 2 de Agosto de 2015 (74 anos) em S.Paulo

Nacionalidade brasileiro
Ocupaçãomédico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor e palestrante
Içami Tiba (Tapiraí, 15 de março de 1941 - São Paulo, 2 de agosto de 2015)[1] foi um médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre educação familiar e escolar e palestrante brasileiro. Professor em diversos cursos no Brasil e no exterior, criou a Teoria da Integração Relacional, que facilita o entendimento e a aplicação da psicologia por pais e educadores.[2] Como palestrante Tiba também já fez mais de 3.200 participações de eventos do gênero, tanto no Brasil como em outros países.[3]

Dados biográficos

Filho de imigrantes japoneses.
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