quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Poema - A CRISE de Celeste Cortez



Publicado na 12ª. Antologia "Logos", em Janeiro de 2015
com os agradecimentos da autora Celeste Cortez 

A CRISE
Celeste Cortez

Chegou a crise
veio para ficar
Vende-se o carro
Compra-se o passe
temos de continuar

Esgotaram-se os bilhetes
Vamos de bicicleta
Sempre a pedalar
As rodas furaram
E não há dinheiro
Para outras comprar

Vamos andando,
Estragam-se os sapatos
Não há mais dinheiro
Para o sapateiro
Caminhemos descalços
Até aguentar
Os pés estão cheios de feridas
Não se pode mais andar!

Ouvem-se gritos ao longe,
Agora mais próximos
O que será?
Um barulho ensurdecedor
Aterrador, gritante
é uma multidão
uma multidão ululante
aproxima-se perigosamente
Impossível fugir
Estamos dentro dela
Temos de aguentar
não podemos sair

Ouvimos alguém perguntar
E a pergunta ficou no ar:
Ó homem,
por que te suicidaste?
por que não esperaste?
A crise vai acabar…

Quando? – perguntou a multidão
A multidão ficou sem resposta.
Como sempre fica sem resposta
a multidão!

Celeste Cortez
Lisboa - Portugal
http://celestecortez.blogspot.com

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