domingo, 26 de novembro de 2017

OS FOGOS E AS CHUVAS, por Celeste Cortez


OS FOGOS E AS CHUVAS


          Os fogos queimaram florestas, casas, estábulos, animais que pastavam nos verdes prados ou que apanhavam umas ervas secas para se alimentarem. Morreram carbonizadas pela ação do fogo pessoas e animais, cujo prazo de vida poderia ser muito mais longo. O ser humano, o homem, por norma deseja prolongar a sua vida. Mas o fogo que o homem inventou por necessidade para cozinhar, para se aquecer, também pode ser devorador. E foi-o, mais uma vez, nos grandes fogos que têm consumido a nossa floresta, ano após ano, e piorou neste ano de 2017, tendo morrido mais de uma centenas de pessoas.
          Veio a chuva que todos desejávamos! Chegou a água das chuvas porque todos ansiávamos, para ajudar no combate aos incêndios, para matar a sede ao homem, aos seus animais domésticos, ao gado, sendo também um potencial para a economia do país. Mas chegou tarde, é pouca  e às vezes faz estragos.


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          Parecendo um contrassenso dizer que a água da chuva é benéfica teremos que dizer que pode ser catastrófica quando cai em lugares ou tempo impróprios. Quando leva à sua frente tudo o que foi esturrado,  incluindo dejetos de animais, pólvora, inseticidas, cadáveres, etc, etc. que foram arrastados para os Rios - não só para o Tejo, para todos os outros rios e ribeiras do nosso país onde houve fogos na proximidade, para as minas de água, para os lugares de captação de águas que depois bebemos. Ciclos da vida que nem sempre vêm por bem.

   Celeste Cortez , no livro  “Crónicas das noites longas” 

Celeste Cortez é autora de romances, poesia e literatura infantil.
Professora convidada de Universidades Seniores, onde leciona "Poesia" "Estudos Africanos" e "Jograis Poéticos"

1 comentário:

Sami disse...

Muitos estragos pela mao do homem - fogos, poluicao...
Pena que a tao desejada chuva tambem nao tenha caido na altura certa.

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