terça-feira, 12 de setembro de 2017

LENDAS - LENDA DO PENEDO DA VÍBORA - lugar do AMEAL - OLIVEIRA DO CONDE - CONCELHO DE CARREGAL DO SAL

Lenda do penedo da víbora

lugar do Ameal - Oliveira do Conde - CARREGAL DO SAL .
A rocha insculturada apresenta um valor simbólica salientado por diversas lendas relacionadas com moiras, histórias de antigos templos e povoados. 



APL 286
Diz a lenda que outrora
Perto desta povoação [Oliveira do Conde]
Houve um castelo habitado
Por uma princesa moura
E um príncipe cristão.
Vindos não se sabe de onde
Ali se refugiaram,
Da sua grande nobreza
Egoístas e orgulhosos
Escondiam se de todos
Quantos por ali passavam,
Não pensando em mais ninguém
Só consigo se ocupavam.
Assim se passaram anos
Ate que um certo dia
Passou lá uma velhinha
Pobrezinha e mal trajada,
Que avistando o castelo
A ele se dirigiu
E aos príncipes pediu
Que lá lhe dessem pousada.
Os príncipes orgulhosos
Responderam em alta voz
O castelo é só para nós
Vai-te velha impertinente
Não te queremos aqui,
Quem foi que te disse a ti
Que aqui habita gente?”
A velhinha era uma fada
Que logo lhes respondeu:
- “Quem sois vos e quem sou eu?
Eu vou mostrar vos quem sois.
Por serdes tão orgulhosos
Vou castigar vos aos dois,
com esta vara que tenho
Nesta minha mão direita
Toda a vossa soberania
Será agora desfeita.
Muda-te em enorme víbora
- Disse para a princesa, -
E ao príncipe com dureza:
- “Muda-te num rouxinol,
Cantar as de noite e dia
Quer chova quer brilhe o sol
Em cima do arvoredo,
E o castelo que habitais
Transforme-se num penedo.”
Mal acabou de falar
Ouviu-se um grande ruído
Eles foram transformados
E o castelo demolido
No local do castelo
Logo se ergueu um penedo
Onde a víbora atava a cauda
Indo beber ao MondegoPara ouvir o seu amor
A cantar no arvoredo.
Passavam as tecedeiras
Que iam para o Mondego,
Com novelos lhe atiravam
Novelos que ela apanhava
E punha num açafate
Que tinha sobre o penedo,
Enquanto as tecedeiras
Fugiam cheias de medo.
Mas certo dia porém
Foram tantos os novelos
Que a víbora não podendo
No açafate contê-los
Começou a devorá-los
Enchendo o ventre demais
E dando um grande estoiro
Faleceu dando ais.
Assim, tudo acabou
Só o penedo ficou.
Fonte BiblioALVES, Maria da Piedade Lopes Memória e TradiçõesCarregal do Sal, DREC - CAEV coord. concelhia de Carregal do Sal, 1995 , p.26-28
Place of collectionOliveira Do CondeCARREGAL DO SAL, VISEU
Narrativa

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