terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

DIA DOS NAMORADOS, por Celeste Cortez


DIA DOS NAMORADOS 2017
RECORDAÇÕES DO PASSADO

O DIA DOS NAMORADOS para celebrar São Valentim, tem razões que remontam ao século III da era cristã. O santo viveu na era do imperador Cláudio II, este proibiu os casamentos para que os rapazes pudessem estar disponíveis para o exército. Porém, o padre (?) Valentim, continuou a realizá-los. Descoberto, foi julgado e condenado à morte, tendo sido decapitado a 14 de fevereiro do ano 270 d.C. Esta a razão da data fixa de 14 de fevereiro de cada ano, para celebrar aquele que veio a ser S. Valentim. Durante o tempo em que esteve preso recebia apoio de jovens enamorados. A filha do próprio carcereiro que era cega de nascença, acabou por visitá-lo e, por milagre, adquiriu a visão. Provavelmente o padre Valentim apaixonou-se por ela porque lhe escreveu cartas assinando “do teu Valentim”. Esta é a expressão que ainda hoje se usa quando se enviam cartas neste dia especial. Na Idade Média, era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros, os namorados usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do seu amado ou amada, celebrando também o início da primavera. Agora o início da primavera tem outra data no calendário, mas quantas vezes o tempo primaveril chega mais cedo ou mais tarde! A nossa prima-vera virá alguns anos de avião? Ou em outros anos ficará retida num dos aeroportos por onde passa e assim chega atrasada?
          Voltando ao assunto do DIA DOS NAMORADOS, a prática 
do envio de cartões, do envio de flores, de caixinha de 
chocolate com o desenho de coração ou do Cupido, foi iniciada talvez no  século XVII, por ingleses e franceses que passaram a 
celebrar São Valentim como a união do Dia dos Namorados.
A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, passando a ser tradição a partir de 1840,por Esther Howland (1828-1904), ter vendido uma quantidade enorme de cartões para esse dia, ficando a ser conhecida como “Mother of the American Valentine”, história que dentro em breve será publicada neste blogue. Desde aí, a tradição dos cartões continuou crescendo espalhando-se no século XX por todo o mundo. 
          Portugal adotou o dia dos Namorados a 14 de Fevereiro, mas no Brasil o dia dos Namorados é a 12 de Junho:

Viva o dia 12 de junho,
véspera de santo António
o santo casamenteiro
Viva Santo António 
que proteja sempre os namorados 
- os casados e os solteiros! 

Encontrei no meio de tanta escrita minha, um artigo que escrevi para uma revista em 2005 e partilho convosco:
... “O DIA DOS NAMORADOS” é sempre no dia 14 de fevereiro. Não é “festa” móvel. “Festa” digo eu, porque quem é o namorado/a que não queira receber, nem que seja umas quadras que rimem com a palavra AMOR?
Mas leitores, suponho que noutros tempos, nos nossos ou no tempo dos nossos pais e avós, não estava ainda entronizado em Portugal o “Dia dos Namorados”, mas também se namorava, uns, talvez à janela, outros nos bailaricos, outros indo a casa dos papás sabendo que de vez em quando podiam contar que em cima deles cairia um olhar de lado, um olhar vigilante.
Posso garantir-vos que não namorei à janela. Gostava muito do único rapaz com quem namorei, não queria que ele apanhasse uma dor de pescoço! ah!ah!ah! (Isto usara-se nas aldeias muitos e muitos anos antes, eu na minha juventude, no meu tempo de namoro, vivia na cidade da Beira, em Moçambique, África).  Gostava tanto dele que até com ele casei e, passados quase 46 anos, ainda somos namorados.
          Mas voltando ao DIA DOS NAMORADOS: Se naqueles tempos não se celebrava este dia, será que não se recebiam prendinhas, flores, chocolates ou uns versos que rimassem com a palavra amor? Não se recebiam no dia 14 de Fevereiro, no dia de S. Valentim! As prendas sabem bem sempre que são dadas por quem nos tem amor, seja em que dia for. 
Até uma florzinha silvestre, como essa aí na foto que meu amado segura na sua mão, apanhada no terreno baldio mais perto, é uma prenda de amor. E não custa nada, pode oferecer-se todos os dias. Quanto aos versos, sejam em quadras, tercetos, poesia livre, sonetos, aldravias, poetrix ou o que for, aquele que for capaz de os fazer, em qualquer dia os poderá oferecer. Não acham?
O meu namorado que ainda conservo com amor, não me ofereceu versos no tempo do nosso namoro! Possivelmente não teria – nem tem – veia poética. Mas, porque vivíamos em cidades diferentes, escrevia-me cartas amorosas. Mas... esperem, esperem... estou a lembrar-me de um presente de que muito gostei. Foi um cãozinho lindo, de porcelana, de olhos meigos como meigos eram – e são – os olhos do meu amor. 

Um cãozinho porquê? Será que ele pensava que os meus olhos também eram meigos como os do cãozinho e, os cabelos pintados do cãozinho, eram tão loirinhos como o meu cabelo (sem pintura naquela altura)? Suponho que nunca lho perguntei e neste momento, o meu namorado de toda a vida e espero que até à morte – por acaso até já combinámos casar na vida futura mas cada um de nós com menos defeitos – não está perto de mim enquanto estou a escrever estas recordações do passado. 
Acreditem que uma das primeiras coisas que lhe perguntarei quando ele regressar da casa de uma das nossas filhas, será a razão porque me ofereceu o cãozinho de porcelana pintado.Terá uma resposta diferente da que imaginei? Se ele me disser que comprou o cãozinho porque não era caro? Aí, penso que para ele, eu não merecia mais. E ficarei muito, muito triste. Mas, se ele responder que andou à procura de um presentinho bonito mas que não fosse “carito” porque queria poupar para nos casarmos?... Aí sim, eu sorrio-lhe e com olhos meigos nos seus meigos olhos, os dois agradeceremos a Deus estarmos juntos por tantos anos, com tanto amor, carinho e paixão, mesmo que só no ano findo (lembram-se leitores que escrevi esta história para a revista de 2005?) o meu namorado de toda a vida tenha despertado para a poesia e me tenha oferecido, no dia dos namorados, um livro de poemas de Eugénio de Andrade e, numa folha de papel A/4, umas quadras que ele fez que rimavam com a palavra amor. Afinal temos poeta! Sempre me quis parecer que havia poesia dentro daquele coração sensível, mas estava adormecida, só agora despertou do seu sono! 
Ah! Esquecia-me de dizer… Passados que são tantos anos de namoro e casamento, com as viagens e mudanças de casa que tivemos de fazer, o lindo cãozinho desapareceu. Mas o nosso amor não desapareceu.   
Gostaria que o DIA DOS NAMORADOS, para casados e solteiros, fosse todos os dias. Mas sei que a maioria dos casais, depois de casados, ficam tão ocupados com a vida, que passa a haver pouco tempo para o namoro.  É pena. Mas quem tiver ainda o namorado-marido ou namorado-esposa a seu lado, não se esqueça de todos os dias lhe agradecer, de lhe dar os mimos que toda a gente precisa. Assim, todos os dias será DIA DOS NAMORADOS.”  
E lembre-se desta frase mas não pense que é apenas de romance, de conto de fadas. Pode ser na vida real "Casaram e foram felizes para sempre".  

Celeste Cortez, escritora de romances, poesia e literatura infantil. Sigam os meus escritos no blogue Letras-à-solta http://celestecortez.blogspot.com, no facebook na página Celeste Cortez, ainda na página Celeste Cortez Autora e na página "Ler é viajar sem sair do lugar". 







2 comentários:

Sami disse...

Feliz Dia de Sao Valentim para os dois.

Ailime disse...

Boa tarde Professora Celeste,
Gostei de "saborear" esta sua escrita dedicada ao Dia de São Valentim, mas ainda mais da linda homenagem que prestou ao seu amor.
Que sejam sempre muito felizes e comemorem muitos e muitos dias dos namorados.
Com um beijinho.
Emília

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