quinta-feira, 8 de setembro de 2016

FERRUGEM - artigo de Carlos Brandão de Almeida

FERRUGEM, artigo de Carlos Brandão de Almeida

          Tenho um amigo, um pouco mais velho do que eu, que é um admirável conversador. As suas orações reúnem dois cativantes predicados: a forma, envolvente e agradável como transmite a mensagem e o conteúdo, com substância credível ilustrada com imagens sedutoras.
        Foi ele que me relatou o episódio que passo a narrar, na primeira pessoa, a dele:
Quando era vendedor de materiais de construção civil, visitei uma obra que estava prestes a ser terminada. A azáfama era grande pois o empreiteiro tinha fixado o dia em que queria os trabalhos concluídos.
       No meio daquela balbúrdia, encontrava-me junto a um operário. Homem de meia-idade. Trabalhava na área dos metais e estava encarrapitado numa janela, montando uns caixilhos de alumínio. Subitamente, um colega que movimentava uma prancha de madeira, aproximou-se de tal maneira da janela que iria atingir o montador de ventanas. Este, apercebendo-se do perigo que corria, só teve tempo para pular para o chão, livrando-se, in extremis, de ser ferido pelo volumoso andaime.
          O descuidado operário, em vez de lamentar a ocorrência, ainda se abespinhou com o coitado, esbracejando histericamente e berrando impropérios.
Porém, curiosamente, o instalador de janelas não se exasperou com o colega, antes lhe acenou de uma forma amigável.
Não resisti em perguntar-lhe por que assim procedia, quando tinha mais que razão para repreender o descuidado.
Calmamente, ele voltou-se para mim e disse-me:
       - Olhe, amigo, vivemos num Mundo conturbado, cheio de problemas e as pessoas andam em stress permanente. Muitas delas carregando quilos e quilos de ferrugem, acumulando frustrações, ódios, traumas e desilusões. À medida que a ferrugem os vai consumindo o seu comportamento vai-se azedando e então precisam de a sacudir sobre os outros.
Também já passei por essa situação mas agora, reconhecendo quanto de errado tinha o meu comportamento, nunca mais tomei as desconsiderações dos outros como agressões pessoais. Entendo sim, que o problema não é meu. É, antes, de quem nos pretende agredir. Então, a minha resposta é o sorriso, o aceno e o desejo de melhoras…

          Nunca mais quero carregar com a ferrugem dessas pessoas, nem a passar para terceiros, no trabalho, no lar ou na rua.
A vida é demasiado curta para nos enferrujarmos todos!
Leitor amigo: aqui vai um despretensioso conselho: repele os ódios, as frustrações e os maus sentimentos.

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