terça-feira, 23 de agosto de 2016

POETA - ANTÓNIO SALVADO

POETA -António Forte Salvado
 (comenda de Mérito Cultural)
António Salvado nasceu em Castelo Branco (Portugal) em 1936.
Poeta, ensaísta, crítico, antologiador, tradutor, diretor de publicações, tem colaboração poética em antologias, revistas e suplementos literários.
Obteve várias distinções de que se destaca a comenda da Ordem de Santiago da Espada atribuída em 2010 pelo conjunto da sua obra poética que se consolida em dezenas de títulos. Está traduzido em castelhano, francês, italiano, inglês, alemão, búlgaro e japonês.
Verteu para português, entre outros, os Poetas  Cláudio Rodriguez, Ricardo Paseyro, Alfredo Perez Alencart e António Colinas.
Os seus textos em prosa têm sido reunidos sob o título Leituras, com seis volumes editados. Licenciado em Letras tem dividido a sua vida profissional pelo ensino e pela museologia.

É Noite, Mãe
As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

António Salvado, in "Difícil Passagem" 

Perder

Perder é começar. A minha vida 
foi movimento em cerne opaco e frígido... 
E quando sei que este momento eterno 
em mim percorre sulcos, veias, sonhos, 
outro momento abraça-me o porvir — 
e desconheço a margem onde navegar, 
onde aportar o peso do caminho. 

Perder é começar. Por isso a ténue sombra 
desenha no sigilo os abismais instantes 
onde existiu, uma vez, qualquer destino exacto. 

António Salvado, in "Na Margem das Horas" 

Amizade

Uma criança muito suja atira pedras a um cão. O cão não foge. Esquiva-se e vem até junto da criança para lhe lamber o rosto.
Há, depois um abraço apertado, de compreensão e de amizade. E lado a lado, com a mãozinha muito suja no pescoço felpudo, lá vão pela rua estreita, em direção ao sol.
António Salvado, in “Cicatriz”.

A SUA OBRA: Poesia
A Flor e a Noite, 1955; 
Recôndito, 1959; 
Na Margem das Horas, 1960; 
Narciso, 1961; 
Difícil Passagem, 1962; 
Equador Sul, 1963; 
Anunciação, 1964; 
Cicatriz, 1965; 
Jardim do Paço, 1967, 
Tropos, 1969; 
Estranha Condição, 1977; 
Interior à Luz, 1982; 
Face Atlântica, 1986; 
Amada vida, 1987; 
Des Codificações, 1987,
Matéria de Inquietação, 1988; 
Soneto em Lembrança de João Roiz de Castelo Branco, 1989; 
Utere Felix, 1990; 
Nausicaa, 1991;
 O Prodígio, 1992;
Dis versos,  1993; 
O Corpo do Coração, 1994, 
Estórias na Arte, 1995; Certificado de Presença, 1996, Castalia, 1996; O Gosto de Escrever, 1997; O Extenso Continente, 1998; Rosas de Pesto, 1998; A Plana Luz do Dia, 199&; Os Dias, 2000; Largas Vias, 2000; Quadras (in)populares e Sábios epigramas, 2001; Flor álea, 2001; A dor, 2002; Águas do Sono, 2003; Pausas do Aedo, 2003; A Quinta Raça, 2003; Rochas, 2003; Coisas Marinhas e Terrenas, 2003;Entre Pedras o Verde, 2004; Palavras Perdudas seguidas de oito encómios, 2004; Se na Alma Houver, 2004; Ravinas, 2004;Malva, 2004; Quase Pautas, 2005; Recapitulação, 2005; Modulações, 2005; Os Distantes Acenos, 2006, Afloramentos, 2007; No Fundo da Página, 2008, Essa História, 2008, Odes, 2009, Outono, 2009, A Ilha de Psara, 2011, Repor a Luz, 2011.
Poesia reunida e reeditada em
Pequena Antologia, 1986; ANTOlogia , 1985; AntoLOGIA II, 1993; ANtoloGIa II, 1993; Obra I (1955-1975), 1997; Obra II (1975-1995), 1997; Obra III (1995-1999), 1999; Sinais de Deus na minha poesia, 2005; Na Eira da Beira, 2005
Principais antologias organizadas
Antologia das Mulheres-Poetas Portuguesas, 1961; Anunciação e Natal na Poesia Portuguesa, 1968; A Paixão de Cristo na Poesia Portuguesa, 1969; A Virgem Maria na Poesia Portuguesa, 1970;Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, 1972; Orações dos primeiros cristãos, 1972; Oração e Poesia de Natal, 1985; Escritores Nascidos no Distrito de Castelo Branco, 2001.

  • "Poesia: o extenso continente."

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