terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

POESIA ALDRAVISTA 

- Movimento aldravista - Parte de artigo do jornalista LUCAS SIMÕES, publicado pelo jornal "O Tempo", em Mariana, Brasil, em Fevereiro de 2016. Obrigada Lucas por me ter entrevistado.
   
Palavras de Celeste Cortez:

“A poesia aldravista é simplicista, profunda, concisa, sintética, com novos ritmos sonoros, versos livres de amarras e, pela sua exiguidade ou nenhuma pontuação, não limita interpretações, desenvolvendo a criatividade, o prazer, a sensibilidade, o espírito poético, sendo um estímulo para os neurônios. Repensei que deveria dedicar-me a aprofundar a poesia aldravista para transmitir aos meus alunos da mesma maneira como lhes transmiti ou relembrei outros tipos de poesia. Fiquei viciada”, diz a professora portuguesa.

Ela publicou o
livro “Cântico de Palavras – Aldravias” em 2013, tendo a segunda edição no ano seguinte. E trata sua estreia, que deverá ser seguida por outros volumes, como uma forma de difundir um gênero universal. “Sei que alguns poetas aldravistas usam meu livro nas suas oficinas de poesia aldravista no Brasil e em outros países, e isso me enche de orgulho, por ter contribuído para divulgar essa arte sublime de poesia aldravista, que veio para ficar na poesia universal”, completa Celeste Cortez.
Poetas por aí (pelo mundo)
Milhares. No site Recanto das Letras, que condensa gêneros literários no Brasil, a aldravia aparece com 13.811 publicações de diversos autores do Brasil e exterior. Apesar de ter notícias de escritores oriundo de países como Moçambique, Turquia e até Japão, Andreia e José Donadon não conseguem estimar quantos poetas do gênero existem espalhados pelo mundo. “Podem ser milhares”, diz Andreia.

ABC da Aldravia
Regras. Aldravia, poema composto de até seis versos univocabulares, com sintaxe paratática (por coordenação), livre de amarras que venham a implicar na limitação de interpretações. Na aldravia, a palavra é o elemento essencial formador da poesia; por isso, a aldravia prescinde da utilização de recursos visuais adicionais, nada obstante aceitar-se experimentação que não torne complicada a leitura do poema. A partir do conceito “poudiano” de “o máximo de poesia, num mínimo de palavras, o poeta aldravianista deve observar os seguintes critérios para a elaboração das aldravias:
- Iniciar os versos com letras minúsculas. Em caso de nomes próprios, vale a opção do autor
- A divisão em palavras-verso já implica pausa; por isso, não é recomendada a utilização de pontuação. Além disso, a pontuação limita possíveis interpretações relativas a livres escolhas do leitor em deslizar pausas para criar novos sentidos:
Mineiro tira minério cimenta seu cemitério (Andreia Donadon/MG)
- As pontuações de interrogações ou de exclamação podem ser utilizadas, se a sintaxe da aldravia, por si só, não denunciar sua proposição:
Lágrimas de luz: estrelas choram (José de Castro/RN)
- Nomes próprios duplos (com ou sem ligação por hífen), cuja divisão resulta em outro nome, como Di Cavalcati e Van Gogh, podem ser considerados único vocábulo
- Nomes e formas pronominais ligadas por hífen podem ser considerados vocábulos únicos
- Privilegiar a metonímia e evitar a metáfora. Sugerir mais do que tentar escrever todo o conteúdo. Incompletude é provocação aldrávica.


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