sábado, 16 de maio de 2015

Energia da Agua - Poema


ENERGIA DA AGUA
poema de PROSA
Antonio Pais da Rosa
Água!...
Água que cais, que surges,
Entre os penhascos,
Entre serras ou montanhas disformes,
Que passas, que rolas,
Que corres docemente,
Na tua marcha triunfal,
Entre trilhos e leitos virgens,
Informes, majestosos,
Por ti traçados e cavados
Com quase divino encanto.


És um fluido, um sopro, místico, sagrado,
Oriundo das entranhas da serra,
Que sorris entre penhascos esquivos e,
Entorpecidos na viragem dos tempos,
Um canto sofrido dos deuses,
O acordar ou ressurgimento,
De algo místico, encantado,
Que brota do nada,
Do interior da terra desconhecida,
Estranha e bela,
Pleno de poder e grandeza,
Para servir de elo
Entre a alegria e a tristeza,
O sucesso e o desespero,
A vida e a morte.


Tua força, tua energia,
Contínua, se multiplica,
Criando e transformando-se
Noutras formas de energia,
De valor incalculável,
Para a humanidade que serves
E pretendes preservar,
Enriquecendo-a, acarinhando-a,
Como só tu o sabes fazer,
Quando ditosa e mansa.


Sabes, também, como ninguém,
Limpar e purificar o corpo humano,
Oferecendo-lhe pureza, saúde e,
Bem estar já que, sem ti,
No decorrer dos tempos,
Tudo iria definhar e consumir-se,
Com a tua ausência.


Mas, a tua presença,
É a nossa esperança
Que, no de correr dos tempos,
Das eras ou épocas que se aproximam,
Saibas ofereças com destemor ,
Um futuro sólido, próspero,
Brilhante e acolhedor,
Que possa dar mais vida à nossa vida,
Mais cor às flores
E poesia aos campos,
Enobrecendo-os e enriquecendo-os
De fragrâncias delicadas e únicas,
Que só tu és capaz de motivar,
Quando da tua passagem 
Amena e suave.


Mas, lá longe, bem lá longe,
A um salto do meu pensamento,
Vejo-te a seguir, em silêncio,
Num avanço continuo,
Rumo às tuas reservas,
Aos pontos finais do teu ser e estar,
Aos rios e oceanos,
Com um sabor diferente, distinto,
Para de novo criares vida,
Sustentares vidas
E assistires ao desenvolvimento
De novas e permanentes energias,
Através da tua existência,
Distinta, magnífica
E eternamente desejada.


Ó kalunga salgado
Quantas águas levas do puto
Para terras de makalas amigos,
Nessas paragens de Angola,
Sempre ardentes e inesquecíveis
Que deixavam nguetas pancos
Para toda a sua vida,
Ao recordarem,
Amarrados à saudade,
Caçulos e matacos das garinas,
Embrolhados em seus panos,
Cheios de cor, calor, vida e luz.


Sim a saudade não mata, mas destroi.
De novo vejo correr,
Dos meus olhos transpirados,
Aquele precioso líquido, a água,
Em forma de lágrima,
Que me supri-me e acarinha
O meu viver, me conforta a alma,
Ao acariciar minha face sofrida,
Meu pensamento bem molestado
E minha mente, hoje um turbilhão,
De ideias tétricas, inflamadas,
Em permanente ou contínua evolução,
De carater bem destrutivo,
No amargo do tempo passado e presente,
Sempre desconhecidos e inexoráveis...

                                               15 MAIO 2015
                                                PROSA
foto da net

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