quarta-feira, 3 de setembro de 2014

POEMA DE FINA D'ARMADA

O CRAVO VERDE VERMELHO

Fina d’Armada, faleceu a 7-3-2014, em Rio Tinto-Porto, com 68 anos de idade. 

Foi historiadora, poeta, contista, mulher com letra grande. 



Abril foi verde e vermelho
para as mulheres foi verde e verde.

Veio um cravo de madrugada
do jardim de várias mentes
da mão de alguém para a minha.
Trazia um rasto de fogo
e ao circular pelo povo
quanta esperança continha!

Era um cravo de Abril vermelho,
mas verde de todos os verdes.

Agarramos esse cravo
vermelho, verde, vontades,
e conquistamos liberdades,
leis iguais, vitórias mil.
E eis-nos mulheres de Abril
num país de novos tempos,
derrubando muros, ventos,
reivindicando outro espaço,
novos sentires, pensamentos.

E quando penso, mulheres,
nas portas que o cravo abriu,
não sei se a flor é o cravo
se é a esperança que então surgiu.

Para as mulheres foi verde e verde
o cravo vermelho de Abril.


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