terça-feira, 1 de julho de 2014

SETENTA *poema de - 
João Coelho dos Santos


Há quanto tempo lancei sementes de sonhos
À espera de colher flores matizadas,
Na certeza de que profunda era
A raiz da minha paixão!
Sei que no silêncio dormem visões longínquas,
Ocultas, distantes, perdidas, envoltas em tranças
De oiro, em tua coroa de princesa primavera.
Fui seduzido por tua magia, num bissexto dia,
E então, contigo sonhei a vez primeira.
O sonho só é irrealizável
Quando a inércia vence o sonhador;
Por isso, se concretiza dia-a-dia
No polir de arestas do cristal.
Muitas vezes procurei envolver-me
Num silêncio azul,
Meditando que lisas são as águas do lago.
No despertar do dia, na sua matinal glória.
Sei que nunca te deixarei. E tu o sabes também…

Na hora presente vivo uma hora de outrora
E outra de agora.
Como quem esquece, aprendi
Que este amor não esmorece.
Estou tão certo de mim!
Nem fadas, nem gnomos
Vivem em tal mundo de encanto!
No extremo das nossas mágoas há sempre
Uma janela aberta de ar e de luz
A receber o amanhã, a esperança.

Minha princesa, minha rainha,
Rainha-mãe, rainha-avó!
As pessoas são o que são, raramente se mudam,
Quase sempre se revelam.
Por vezes parecem morrer alguns sonhos,
Ilusões, devaneios…
Quando assim parecer ser, sossega, não desesperes,
E faz como quando em bebé punhas o dedo na boca
E dele fazias
Improvisada e inseparável, a tua magnífica chupeta.
Como então, agora brincas nos teus setenta!
Gu-gu, da-da, gu-gu, da-da…

* A Angélica, minha mulher
do livro 70 - SETENTA - 70

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