domingo, 6 de julho de 2014

POETA DO NOSSO TEMPO - MARIA ROMANA ROSA

Boa noite queridos leitores - Hoje, 4ª. feira dia 04-02-2015,  reedito estes belos poemas. Tenho a certeza de que gostarão. Por favor, comentem ao fundo deste artigo, no lugar que tem uma espécie de foto de 1 lápis. Abrirá o espaço para os vossos comentários, que, para quem trabalha, são muito importantes.Um abraço a todos. ---------------------------------------

Bom dia leitores,

          Hoje decidi iniciar uma tarefa, - que cumpro com muita alegria - de divulgar uma Poeta (ou poetisa) portuguesa, que tem poemas de muito valor literário. Aqui fica a sua foto e poemas que escolhi para si leitor. Enjoy it, como dizem os ingleses. Leia-o devagarinho, saboreie a musicalidade, o som, o ritmo, a cor. Sim, a cor, porque:
- O crepúsculo do fim da tarde... tem cor.
- O sol, a luz, a noite, têm cor.
E que dizer do vulto que circula sem rumo certo? E, ainda, rematando o poema, alguém que espera algo que nunca chega.  Na sua vida, o leitor não esperou algo que nunca chegou?A quantas pessoas isso sucedeu e sucede? Não se deve perder a esperança, vamos continuar a lutar para que aquilo que tanto desejamos aconteça. Devemos pedir apenas aquilo que na realidade é essencial, é importante para a nossa vida, não pedir impossíveis ou o que só nos venha, de algum modo ou de outro, prejudicar ou prejudicar outras pessoas.  E isto é apenas uma olhadela ao início do poema. Se fossemos analisar todo o poema, com o seu maravilhoso conteúdo, quanto encontraríamos de relevo para uma boa aula de poesia!  Deixo isso para si, amigo leitor. Deliciem-se nesta tarde de domingo, que esperamos não seja chuvosa porque de manhã chuviscou, uma chuva fora da época! 
           Quer deixar aqui, nos comentários,  a sua apreciação ao poema, a sua análise? Se o fizer, amigo leitor, outros leitores aproveitarão disso... E como é bom partilhar o conhecimento. 

MARIA ROMANA C. L. LOPES ROSA, a autora dos poemas abaixo e de muitos mais. É uma grande poeta. 



ALGO QUE NUNCA CHEGA

No crepúsculo do fim de tarde,
O sol aproxima-se do acaso
E a luz, já sem fulgor,
Lentamente se desvanece.
A noite aparece,
Com ela o mistério e a incerteza.
Quantas vezes, no silêncio da noite,
Alguém circula sem rumo certo,
Procurando um bem impossível,
Um “canto” onde possa repousar
O corpo “mal tratado”...
Encontrar
Um companheiro, um amigo,
Para desabafar as penas da solidão...
E, circulando, sem direcção,
O crepúsculo da manhã aproxima-se,
Semelhante ao da tarde;
A alvorada começa a despontar,
O sol surge no horizonte,
Estamos em pleno dia;
Novamente surge a noite.
A cena repete-se.
Os dias e as noites sucedem-se
E alguém espera algo... que nunca chega!...



DESILUSÃO!...

Eu queria ser algo com suporte,
Mas sou humilde rio, deslizando...
Por entre altas vertentes, vou rumando
Nas esp’rança de alcançar inda o meu norte!
Queria a liberdade de um Oceano,
E ser a magnitude, a Terra imensa,
Um sonho sublimado de presença
Num mundo transparente e mais humano!
E não a triste imagem conturbada
Que perdeu robustez, toda a harmonia,
E doces sortilégios de magia...
Agora vejo nada –igual a nada!
Porque sou linfa turva obstruída,
Quando queria ser a claridade
E ser na própria essência, na vontade
O Mar deste universo e a cor da Vida!


O MEU RITUAL


Eu sou humilde rio, descuidado,
Trilhando por vertentes de euforia;
E envolve o meu caudal tão delicado
A esp’rança de encontrar paz e alegria!

Meu vigor para o mar vai ser lançado
A fluir os murmúrios da harmonia
E sorrindo ao porvir que é desejado,
Emerjo nas enchentes... dia a dia!

Faço do meu destino um ritual
Correndo com a força natural
Na plena transparência, da minh’alma!

Por ser a minha essência a própria vida,
Sou água firme, activa na subida,
Descendo p’la corrente que me acalma!



OH TEJO, MEU RIO FAMOSO! ...

“OLHA, O TEJO VAI TÃO TRISTE”,
Por já não ser o que era
Pois, agora, nele existe
Um mal que o desespera
“A CORRER TÃO VAGAROSO”
Não tem pressa de chegar
Ao ponto mais arenoso
E a vida não encontrar.

“OLHA, O TEJO VAI TÃO TRISTE”,
Vai carregado de mágoa,
Porque o mal, ali, persiste,
Poluindo a sua água.
“A CORRER TÃO VAGAROSO”
Por não ser aquele rio,
Imponente e poderoso
E que, outrora, ali sorriu.

“OLHA, O TEJO VAI TÃO TRISTE”,
E também suas gaivotas;
Algo cruel não desiste...
No escuro das horas mortas!
“A CORRER TÃO VAGAROSO”
Murmuras já, sem alento
Como eu, audacioso
- Chora, agora, o sofrimento.

“OLHA, O TEJO VAI TÃO TRISTE”,
Coberto de chicotadas
A vida ali não resiste
Nas águas tão perturbadas.
“A CORRER TÃO VAGAROSO”
E o coração destroçado,
Oh Tejo, meu rio famoso
Que tormentas tem passado!...


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1 comentário:

Amélia Luz disse...

Que alegria poder reler as belas páginas da amiga poetisa Maria Romana. Que saudades... Dez anos de amizade embora um oceano nos separe mas ela sempre está nos meus pensamentos. Sempre partilhou comigo suas cartinhas de amizade recheadas de muito carinho que chegavam alvissareiras na minha casa em Minas Gerais - Brasil trazendo um gostoso aroma de Portugal, que tanto amo.
Obrigada Celeste, por esta merecida homenagem a esta escritora. Se puder faça contato com ela e fale desta página do seu blog.
Os meus abraços carinhosos. Amélia Luz

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