sexta-feira, 10 de maio de 2013

HAVIA UM TEMPO PARA TUDO


Foto TóCortez - (fotografia ToCortez OLHARES) 
Havia um tempo para tudo

 
 
 
Ouve-se com alguma frequência eleger o passado como uma época de melhor qualidade de vida.
Antigamente assim... Noutros tempos assado... invoca-se, saudosamente.
Será que os tempos passados foram melhores que o tempo presente? Os nostálgicos são afirmativos.
Mas há também quem, de boa memória, se recorde das grandes dificuldades por que passaram os nossos avós, pais e até alguns de nós. Insuficiências várias, injustiças dolorosas, atraso cultural, vidas duramente vividas, tudo isso existiu e não deixou saudades.
Então, afinal, em que é que ficamos? Antes ou agora?
 um tempo para tudo,
Um tempo para todas as coisas sob os céus;
Um tempo para nascer e um tempo para morrer;
Um tempo para plantar
e um tempo para colher o que foi plantado.
(Eclesiastes, III, 1-2)
Julgo que dificilmente alguém poderá dar uma resposta honestamente conclusiva.
Nos tempos actuais, graças ao acelerado progresso e ao notável desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da consciência social, regista-se uma franca melhoria da maneira como se vive. É inegável que o Homem vive mais tempo, tem mais conforto, melhor acesso ao ensino, mais meios curativos, desloca--se com maior rapidez, em suma, pode viver melhor. E vive melhor?
Então e a droga? E a sida? E o álcool? E a poluição? E os extermínios? E a má qualidade dos alimentos? E o aumento da criminalidade? E o stress? E o ruído? E África? Pois é... Realmente uns tantos vivem muito melhor, mas outros tantos vivem muito pior.
O que eu sinceramente entendo que piorou relativamente ao passado, não foram as condições de vida, mas sim o modo como se vive.
No Eclesiastes ensina-se que há um tempo para tudo. Hoje vive-se sem tempo para nada, a não ser para ter, possuir, ser dono ou para alcançar sucesso a qualquer preço e outras obsessões equiparadas. Para isso trabalha-se freneticamente, atropela-se vergonhosamente, corrompe-se escandalosamente.
Já não há “um tempo para todas as coisas sob os céus”. Um tempo para a meditação, um tempo para a amizade, um tempo para amar, um tempo para o convívio fraterno, um tempo para o deslumbramento da Natureza, para o passeio com os filhos, para o pic-nic aos domingos, para a calma leitura de um livro...
É a era do acelera, da velocidade, da ultrapassagem, da pouca urbanidade, do desrespeito, da finta, do “Chico esperto”, da falta de palavra, do embuste, da vigarice, etc. e tal.
Deixou de haver um tempo para plantar e, por isso, de haver um tempo para colher o que foi plantado. É mais fácil comprar o que os outros semearam. -.
Por este andar e na vertigem da ligeireza deixará de haver um tempo para nascer., mas haverá certamente um tempo para morrer … angustiado!
Não sou saudosista. Mas confesso-me um nostálgico dessa maneira serena, ponderada, cordata e calma como se vivia naqueles tempos em que havia um tempo para tudo.
                                               Carlos Brandão de Almeida
 Este artigo e a foto podem ser reproduzidos, desde que mencionados os seus autores.
 
Blogue: Letras à solta - celestecortez.blogspot.com
 
 
 
 
 
 
 

1 comentário:

Sami disse...

Agora, nem a fruta e os legumes tem o seu tempo, pois tudo se encontra a venda o ano inteiro, vindo de todo o mundo!
Pena que sejamos tao gananciosos e nao desfrutamos do mundo e da nossa vida.

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