terça-feira, 29 de janeiro de 2013

CONFISSÃO DE UM ESCRIBA

foto da net
Confissão de um escriba
por Carlos brandão de Almeida
Uma vez um amigo perguntou-me porque é que eu escrevia.
Confesso que, de pronto, não lhe soube dar a resposta. Ainda hoje me interrogo sobre qual será a motivação que me leva a gostar de alinhavar textos. Por interesse material? Não, não é! Por necessidade de afirmação social? Para quê, respondo com uma pergunta. Por cisma das escritas? Talvez, quem sabe?
É uma dúvida que permanece insolúvel e que, devo dizer, não me preocupa sobremaneira.
Gosto, pronto!
Aprofundemos um pouco: o acto de escrever é uma acção solitária de enorme isolamento. E, em mim, tal como julgo com os outros criadores, provoca sempre um incómodo tormento inicial. É o já conhecido drama da folha imaculadamente branca que, provocadoramente, desafia o criativo – manipule este a caneta ou o pincel – a violá-la!
Será então que a motivação deriva do confronto? Do desafio que se enfrenta? Da vontade de vencer, de ultrapassar as dificuldades de um trabalho criativo? Porque não?
Pode parecer um tanto pacóvia esta comparação, mas eu assemelho-a a um espirro!..
Primeiro advém a irritação na pituitária, depois o corpo prepara a reacção que surge de seguida, rápida e impetuosa.
Com a escrita passa-se o mesmo: primeiro aporta a ideia, o tema. Depois arquitecta-se a construção do texto e, por fim, expressa-se a mensagem, ou seja, age-se determinantemente.
Escrever, para mim, resulta então de um impulso imperativo que visa, objectivamente, a partilha do pensamento entre o emissor e os seus receptores (leitores).
Concluído o trabalho sucede-se a fase mais agradável da tarefa, ou seja, o burilar do texto, a sua correcção e, enfim, o seu alindamento.
Parido o rebento, divulgado o recém-nascido resta auscultar a opinião crítica.
Sendo favorável, satisfaz-nos o ego.
Sendo adversa incumbe-nos, com humildade, examinar as apreciações e colher delas os ensinamentos devidos.
As prosas que, despreocupadamente, alinhavo, são escritas ao correr da pena, ou seja, despretensiosamente, sem extremos cuidados de construção, ou melhor ainda, ao ritmo da fluidez da mente e dos sentimentos.
Se aos leitores entretiverem um pouco e se constituírem motivo de alguma reflexão já este modesto escriba se dará por compensado.

Carlos Brandão de Almeida

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