segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

POEMA à MÃE, poema de Eugénio de Andrade

POEMA “à Mãe” - Eugénio de Andrade (No livro: Os amantes sem dinheiro) (Verso livre)

Gravado no youtube, pelo diseur : Nuno Miguel Henriques

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.


Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.


Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.


Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.


Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!


-Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;


Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;


Dei às aves os meus olhos a beber. Vou com as aves.
Foto do meu album particular, não copiar sem autorização minha por escrito.
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...


Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Análise do poema à mãe de Eugénio de Andrade (esta análise é trabalho particular. Para copiar deve mencionar a autora celestecortez.blogspot.com


- Porque é que traíu?   
- O que é que a mãe esqueceu?


Continua a ser o menino que adormeceu nos olhos da mãe (pequenino).Dá-se uma ruptura. Mas continua a amá-la ainda mais porque o seu coração cresceu. 
Saíu da moldura, deu às “aves” os olhos a beber.

O crescimento de um adolescente implica transformações físicas e psicológicas. Ele, o autor, o "eu lírico" tem disso consciência. O seu crescimento é observado pelo adulto. Nota-se perfeitamente neste poema À MÃE - talvez por Eugénio de Andrade a partir dos 10 anos ter ido viver com a mãe para Lisboa, quando esta deixou o pai.

Aos adolescentes surgem dúvidas e conflitos, têm de passar por uma adaptação para as novas realidades. Dá-se uma ruptura entre a infância e a idade adulta.

As rosas brancas significa o romantismo, a pureza.   

(Análise para as aulas de interpretação de dizer “Poesia” – 3-12-2012 – CelesteCortez. ______________________________________________________

A seguir, com a ajuda da Wikipédia, publico a biografia do poeta:

EUGÉNIO DE ANDRADE (de seu nome José Fontinhas)

Nasceu em 19-1-1923 -  Póvoa de Atalaia (Fundão). Fixou-se em Lisboa aos dez anos, com a mãe, que entretanto se separara do pai. Faleceu no Porto em 13-06-2005. Frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado Narciso, publicou três anos mais tarde. Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço.(este ainda vivo actualmente).  Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de Inspector Administrativo do Ministério da Saúde. Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da extinta Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.
Durante os anos que se seguiram, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como os atrás mencionados e Joel Serrão, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luis Cernuda, Jaime Montestrela, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder,(vivo, foi meu condómino, ainda vive no mesmo prédio) Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros. Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».Recebeu um sem número de distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). A 8 de Julho de 1982 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 4 de Fevereiro de 1989 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
 

4 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...

Apreciei muito esta análise uma vez que esclareceu todas as nossas dúvidas.
Como o senhor referiu acima, nos adolescentes surgem dúvidas.
Obrigada pela compreensão!
Continue o bom trabalho.
Agradecemos.
Até breve.

Anónimo disse...

oh tia angelina! obrigada foi mesmo útil...para a nega! AHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA


estou a brincar...foi mesmo útil...para o suf menos

Celeste Cortez disse...


Se eu soubesse que o estudante Papelote - não é seu nome? Também não sou Angelina!, mas como ia a dizer que eu soubesse que o estudante copia e não tenta fazer por si próprio algum trabalho, até teria escrito algumas folhas referente ao poeta e ao poema de Eugénio de Andrade! Mas o estudo é essencial para se saber, não apenas para ter nota para passar nos testes... Tente o seu melhor e seja sempre grato a quem lhe deu uma ajuda, nem que tenha sido pequena...

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