sexta-feira, 30 de novembro de 2012

POEMA - MÃE PRETA

POEMA – MÃE PRETA, de Celeste Cortez
Do livro  “ L. de E. “
Foto não autorizada da capa do romance Mãe Preta,
da autoria do meu neto Michael Silvestre Veloso. 
                 (Respeitar direitos autorais citando autora e fontes) 

Mãe Preta traz no ventre um mundo que vai nascer,
 Sorri esquecendo o amendoim que a seca queimou,
 O milho que a água alagou, a semente que o sol secou
 Mas não esquece a fome que faz doer e ficou.

Hoje não vai buscar água porque seu filho tirou (pariu)
Seu mundo nasceu, gemeu chorou e berrou
Pedia comida que ela não tinha pr’a dar
Mãe Preta sorriu ao seu menino, sofreu, ficou a chorar

No fundo da panela um resto de quase nada
Mãe Preta amassou em sua boca a farinha empapada,
Mastigou, mastigou, mastigou, na boca não ficou nada
Como mãe-ave a papa depositou na boquinha rosada


Madrugada no caminho de lama Mãe Preta já vem
Lata d'água à cabeça, filho com amor aperta,  sonhando “sonhos de mãe”
Fogueira acesa, panela ao lume dos restos sem abundância
que no pilão havia. A teta acaricia. Sorri com esperança.

Canção alegre vai o vento levar
Anca bamboleia, batuca no pilão,
Sorri enlevada;
Seu mundo de amor vai alimentar,
Suas lágrimas vão secar
Ao pássaro do seu mundo hoje não irá dar
farinha empapada.




















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