quinta-feira, 19 de abril de 2012






SEMEAR E COLHER

No alto de um andaime andavam dois operários a pintar um prédio. Enquanto trabalhavam, iam discutindo, exacerbadamente, as jogadas polémicas do despique em que se defrontaram os seus clubes do pontapé na bola.
No calor da controvérsia, um deles desequilibrou-se e caiu do andaime, precisamente na altura em que passava por baixo da prancha um conhecido deputado da Nação que angariara fama de ter resposta para tudo.
     O pintor, por fortuna sua, aterrou sobre o desafortunado político causando-lhe danos corporais que o obrigaram à hospitalização.
           Os seus colegas de bancada parlamentar foram visitá-lo e um deles, maliciosamente, pôs-lhe a seguinte questão:
    - Aqui para nós, companheiro, tu que retiras sempre proveito de tudo o que sucede, como é que reages a este infeliz acontecimento?
    O sofrido enfermo ficou pensativo e, depois de um lapso de meditação, respondeu:
    - Tudo o que acontece devia ter sempre uma explicação racional, amigo. Todavia, no caso vertente, concluo que nem todos os fenómenos que ocorrem se comportam de maneira lógica. Com efeito, diz-se que aquele que semeia virá a colher o que semeou. Balelas, meu caro! Veja-se no meu acidente: quem semeou o acto de se despenhar foi o malvado do trolha, mas quem colheu o traste foram os meus pobres costados.
     Revertamos agora situação para o fenómeno político e olhemos para os nossos opositores: eles fazem a escaramuça, semeiam a instabilidade mas, depois, quem colhe o mal feito somos nós.
     Difundida a sentença, reflictamos sobre ela:
            Na realidade, estando demonstrado que os erros dos outros podem recair sobre nós, importa estar alerta e, à primeira ameaça, unirmo-nos na defesa dos nossos ideais. Neste mundo não vivemos isoladamente. Partilhamo-lo com os outros e sabemos que se não nos precavermos os erros alheios virão a recair infalivelmente sobre os nossos costados.
     Pelo sim pelo não, olhemos para cima de vez em quando, para nos desviarmos de incómodos projecteis…

                         Carlos Brandão de Almeida
2012-04-07




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