quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Florbela Espanca

Nasceu em 08-12-1894. Nasce sem ser desejada, de uma relação extraconjugal com Antónia da Conceição Lobo. É batisada como filha de pai incógnito: Flor Bela de Alma Conceição. Vem a usar o nome de Florbela Espanca na sua vida literária, já depois de se ter descoberto o véu da sua paternidade, embora segundo diz nas suas poesias, diga que ele foi um bom pai. Casa em 1915 pela 1ª. Vez. Vem a casar mais duas vezes. Põe termo à vida a 08-12-1930, (precisamente no dia em que faria 36 anos de idade). Encontram-se barbitúricos debaixo do seu colchão.
A sua vida foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade. Ressalta da sua poesia “a paixão humana”. Como dizem António José Saraiva e Óscar Lopes na História da Literatura Portuguesa: Florbela estimula e antecede o “movimento de emancipação literária da mulher”, que romperá “a frustação não só feminina como masculina, das nossas opressivas tradições patriarcais”.
Florbela Espanca será uma das figuras femininas mais importantes da Literatura Portuguesa. Sensibilidade e imaginação são os pontos altos de seus momentos de criação, na melhor expressão literária


Amar (Florbela Espanca)
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar

Na sua obra poética o amor é visto de uma forma arrebatadora e a busca pelo mesmo é desenfreada, torna-se uma necessidade vital, dizendo que para viver precisa de amar constantemente. Neste soneto faz uma alusão ao tempo presente, dando voz a um Eu consciente em relação à fuga do tempo, a um “Eu” feminino livre das imposições sociais, quando nos diz que quer amar várias pessoas sem ter que se prender a alguém. Vê-se claramente uma demonstração de tristeza nos casamentos infelizes que fez.

Florbela não pede, mas exige o seu direito de amar, como é perceptível no seguinte trecho:
Eu quero amar, amar perdidamente!
Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Florbela nega o amor eterno:
"Quem disser que se pode amar alguém durante a vida inteira é porque mente!"
Ela não amou concerteza, teve 3 casamentos.


"Há uma Primavera em cada vida:É preciso cantá-la assim florida." Diz Florbela que se deve aproveitar a mocidade, o tempo da sensualidade.


E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada,Que me saiba perder... pra me encontrar...
Sabendo que todos havemos de ser pó, cinza e nada, ao menos que a paixão seja um amanhecer, nem que tenha de se perder amando, mas encontrar-se-à feliz, diz-nos.

Celeste Cortez (autora do blogue Letras à solta)



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