quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

AFORRAR


A imprudência costuma preceder a calamidade.
Apiano

A conjuntura económica em que estamos hoje submersos, com toda a sorte de dolorosas situações que atormentam muitas famílias portuguesas é filha, como todos sabemos, do descalabro financeiro que atingiu a até aqui inatingível banca internacional. Foram esses todo-poderosos donos do mundo, com a sua insaciável sede de riqueza, que criaram esta situação. Mas quem, dramaticamente, sofre as suas penosas consequências são os comuns cidadãos, afinal aqueles que geram a riqueza.



Porem, não são estes os únicos responsáveis pela fatalidade que nos atingiu. Também a incompetência governativa dos últimos dez anos, no domínio económico, contribuiu para cavar a sarjeta em que nos atolámos.



E muitos de nós não estão, igualmente, isentos de culpa. Com efeito, na altura em o cinto estava mais folgado muitos foram os que embarcaram nas lodosas facilidades do crédito barato e, alegremente, viveram acima das suas possibilidades.



Quando o cós se apertou, a crua realidade desvendou a sua trágica figura e conduziu os incautos e a Nação á triste condição de pedintes.



Quando em Portugal se vivia na idade das vaquinhas gordas não se discorria em despender com moderação, não se ajuizava que o passo não pode ser maior do que a perna, não se pensava em poupar, em aforrar com vista ao futuro. Lamentável imprevidência!



E hoje pedinchamos a quem nos pode valer - mas a juros exorbitantes -e sujeitos à tutela estrangeira!



Há uma velha história judia que sintetiza o sucesso económico daquele povo e que pode ilustrar este apontamento.



Uma mãe judia vendo que o filho já estava na idade de trabalhar recomendou-lhe que se aconselhasse com um primo rico sobre o seu futuro.



O jovem, seguindo o conselho da mãe, combinou um encontro com o familiar. Tinha caído a noite quando se encontraram.



- Poderia o primo contar-me o segredo do seu êxito? – perguntou o rapaz.



- Sem dúvida – anuiu o homem – não tenho segredo nenhum, o meu projeto de vida baseia-se apenas no trabalho e no equilíbrio da existência. Mas irei confiar-te a experiência que adquiri. E, dado que não te vejo tomar notas, apaguemos a luz, não achas? Não vale a pena gastar eletricidade se não for necessário!



Ao ouvir estas palavras o jovem visitante sorriu e disse:



- Já não é necessário contar-me a sua história. O senhor acaba de me dar a resposta.



O rapaz compreendera que, para se ter sucesso na vida tem que se ser poupado, ser consciente e regrado.



E a sentença aplica-se a todas as formas de riqueza quer seja material, quer seja espiritual.



Não devemos desperdiçar a nossa vida inutilmente.



Carlos Brandão de Almeida
2012-01-07

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