terça-feira, 5 de julho de 2011

POESIA - Quis fechar a mente na minha mão

A mente vagueia tanto,
Tanto, tanto, sempre a vaguear,
Não sei o que hei-de fazer
Para a conseguir parar
A mente foge-me sempre
Voa, anda por longe,
não a consigo alcançar
Quando regressa,
as notícias são de arrepiar
Hoje transmitiu-me sua visão:
Que o mundo está em crise,
Que há guerra, fome, miséria, corrupção
Isto faz sofrer meu coração
Tenho de a controlar
para não voar
Tentei. Não consegui.
Irei todo o tempo sofrer?
Não posso confiar nela.
Aonde a hei-de esconder?
Fechá-la? Irá agonizar?
Talvez no guarda-joias,
Que tem uma abertura
Por onde poderá respirar
Por tão pequena abertura,
Ela continuou a fugir, a voar,
A fugir, a fugir, a voar, a voar,
Sem nunca parar, sem se cansar.
E se a fechar num cofre forte
De onde não possa sair?
Será que sem oxigénio
Ela deixará de existir?
Já sei, já sei. Encontrei a solução
Vou fechá-la na minha mão,
Na minha mão. Bem apertadinha.
O ar entrará por entre os meus dedos,
ela poderá respirar mas não fugir
- Não tem por onde sair!...
Mas… não pode ser…
afinal…
continua a vaguear…
viaja para países longíncuos
longe do meu horizonte
sem nunca me avisar
Cheguei à conclusão:
- A mente é inconstante
Incapaz de parar
Estará sempre a vaguear
Não a poderei controlar
Até que eu deixe de amar,
de sonhar de sofrer
         Até que deixe de viver.

         Celeste Cortez 08-9-2010


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