domingo, 8 de agosto de 2010

MOÇAMBIQUE - Federação da África Austral ?

Parte do capítulo XXII - pag.200 do romance O MEU PECADO - Registo na Sociedade Portuguesa de Autores sob o nº. 24.698 em 25-09-2006. Publicado sob o ISBN 978-989-200-757-1, em Agosto de 2007.



Em MOÇAMBIQUE, depois dos graves problemas do dia 7 de Setembro de 1974, passou a haver dois movimentos de cidadãos, além dos movimentos políticos até então (pouco) conhecidos. Eram os "cavo" e os "fico". Claro que os do "cavo" eram objecto de troça dos "fico".
Também Ritinha pensou sempre que era dos que ficavam em Moçambique.
Sem se preocupar se o Engº. Jorge Jardim conseguiria, como muita gente dizia, fazer uma Federação da África Austral, reunindo brancos e negros que tivessema amor àquelas terras africanas, que poderia incluir ou não a África do Sul - governada por brancos com problemas com o "apartheid" - a Rodésia governada pelo 1º. Ministro Ian Smith, o Malawai governado pelo negro Dr. Banda e Moçambique, a Ritinha continuava a sua vida normal. Trabalhava no escritório de dois advogados célebres e estudava de noite, para continuar o seu curso de Direito. Já tinha acabado o terceiro ano. Quantos sacrifícios!
Quando podia ir às aulas nocturnas, deixava a Raquel com uma amiga do apartamento do lado, a Dina. Gostava muito dela. Tinham sido colegas de escritório e tinham filhas da mesma idade. Era uma casa de gente bem disposta! O marido da Dina adorava entreter as miúdas e o filhito deles com jogos.
A brincar não lhe chamava Dina, mas "prima casamenteira", porque a Dina tentava apadrinhar, incentivando, os seus pretendentes.
Nunca pensou que o Dr. Almeida Bento (?) e o Dr. Soares dos Santos (?) fechassem o escritório de advogados onde trabalhava. E foi com enorme tristeza que se convenceu que Dina estava a dizer a verdade.
- Então, Ritinha, o teu patrão manda cá para fora postas de pescada, "que fiquem, que fiquem, que isto vai ser um grande país", e acabo de saber por um despachante que ele já mandou para Portugal um contentor com tudo quanto é bom e vai mandar outro! Disseram-me que até mandou pedir a pessoas amigas que tem na Beira, para lhe comprarem bandejas e ânforas indianas, porque aqui estão esgotadas!!!
- Não acredito, Dina, desculpa, mas não acredito. Sempre o tive como uma pessoa coerente.
- Então não é!!! Tão coerente que há anos que transfere dinheiro para a Suíça, quando uma família que quer pagar uma operação a um filho na África do Sul, tem dificuldade no Conselho de Câmbios para transferir umas centenas de Escudos para converter em Randes.
- Ó Dina, às vezes, são mais as vozes que as nozes.
- Continuas a ser sempre a mesma ingénua, Ritinha. Assim, não vais longe. Olha amiga, nós tomámos a decisão de ir para o Brasil. O meu Tomás tem lá um irmão que vive bem e telefonou ontem para irmos, que nos recebe por uns tempos e dá emprego ao Tomás.
- Mas... tu também eras dos "fico" Dina!
- Disseste bem, "era", mas o ser humano muda de ideias, Ritinha. Como podemos ficar aqui, se a maioria das professoras do Liceu está a ir embora? São mulheres de tropas e eles acabaram a comissão ou o diabo que os carregue, quem fica mal é a arraia miúda. Lembra-te que para o ano as nossas filhas entram no Liceu...
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