segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LOURENÇO MARQUES - ANOS 60


Chegada da Ritinha a Lourenço Marques:
Olha Ritinha, esta é a Avenida D. Luís,  aquela  a Praça Mousinho de Albuquerque,a Catedral - é linda não é? - a Câmara... Sabes, disseram-me que a grande fadista Amália Rodrigues cantou nas escadarias a primeira vez que veio a Moçambique. Ali é o cinema Manuel Rodrigues. Aqui a Avenida da República, do lado direito é um dos cafés mais famosos de Lourenço Marques, o Continental. É muito engraçado, querida, no Continental, reúnem-se os adeptos do Sporting. Em Portugal chamam-lhe leões ou lagartos, aqui são conhecidos por chacais. etc.etc, etc, etc, etc, etc, etc, (ler no romance).....
Ah, com esta conversa, esqueci-me de dizer que do outro lado do Continental é outro famoso café, o Scala, onde se reúnem os adeptos do Desportivo. Para te ser sincera, não sei onde se reúnem os do Ferroviário...etc....etc...etc...etc...
- Estás a gostar da cidade?
- Sim, sim,estou a gostar muito, disse meio ensonada pelas tristes emoções porque acabara de passar na noite anterior. Mas, estava a achar a cidade tão bonita que não poderia deixar de acrescentar: as avenidas são largas, quase todas divididas ao meio por árvores frondosas, há prédios de rara beleza arquitectónica e a Baía...
- Baía do Espírito Santo, acrescentou a Lili.
- Pois, a Baía parece abraçar a cidade. É uma cidade muito bonita, como a Beira, acrescentei com o bairrismo característico dos Beirenses, mas Lourenço Marques é um pouco maior.
- Eu sei que a Beira também é muito bela. Todo o Moçambique tem encanto. Fiz há uns meses uma passeio até ao Norte, de barco, vi algumas cidades: Ilha de Moçambique, Ibo, Nacala, Porto Amélia, Nampula, Quelimane e Beira. Gostei muito de Quelimane. As cidades em Moçambique são mais novas do que em Portugal, por isso bem diferentes: ruas mais largas, alcatroadas, cheias de luz, com acácias ou outras árvores floridas nos passeios. Valeu a pena ter vindo a Moçambique, vou sempre recordar-me com saudade.
- Foi pena não ter ido a Vila Pery, no Chimoio. É uma vila com avenidas larguíssimas, tem nos passeios enormes jacarandás que, na altura da flor cair, cobrem os passeios de lilás. Felizmente,  etc...etc...etc...etc...
Lili apertou a minha mão carinhosamente, e perguntou-me:
- Estiveste em Téte também? Disseram-me que é uma cidade bonita mas muito quente.
Notando que eu ainda estava triste, acariciou-me novamente a mão e continuou: E Inhambane? Um dia hás-de visitar porque é perto de Lourenço Marques. Chamam a Inhambane a terra da boa gente, sabias?
- Sei, sim, respondi-lhe.
A Lili tinha tentado distrair-me com a sua conversa, para eu não pensar no meu pai. Mentalmente, senti-me grata pela sua bondade.
- Depois do almoço, vou levar-te a conhecer os bairros mais modernos de Lourenço Marques: Sommershield e Polana. Só pr'a gente rica, querida. só pr'a gente que tem dinheiro. Vais ver a igreja mais linda que podes imaginar: a Igreja de Santo António da Polana. Aquilo é o que eu chamo o sonho de um arquitecto inteligente. É a combinação de gomos de laranja e guarda-chuva aberto. Ou será um espremedor de laranja, talvez. Uma beleza! E os vitrais? Bom espera para ver, afianço-te que nunca viste nada igual ou até parecido, querida, já que nunca foste a Portugal onde há monumentos com vitrais antiquíssimos.  Noutro dia mostro-te o Jardim Vasco da Gama que tem uma entrada linda e o Jardim Botânico também vale a pena ser visto. Agora vamos almoçar que são horas, querida.

Frente ao mar, o restaurante Peter's era lindo e acolhedor. etc. etc.


Extraído do romance O MEU PECADO, registado na Sociedade Portuguesa de Autores sob o nº.24.698, em 21-09-2006. Publicado em Agosto de 2007.

 2ª. EDIÇÃO A SAIR EM SETEMBRO DE 2011

 pedidos à autora.

Celeste Cortez








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