quinta-feira, 15 de julho de 2010

VILA PERY - terra de jacarandás

2ª.EDIÇÃO do romance O MEU PECADO, em Setembro de 2011

VILA PERY TERRA DE JACARANDÁS
Moçambique Extracto de uma parte da descrição de Vila Pery, no início dos anos sessenta.Do romance "O MEU PECADO" - 2ª. edição a sair brevemente.
Ruas larguíssimas que não ficavam atrás das mais largas avenidas de Portugal, no Continente Europeu.
Nos anos 50, os enormes jacarandás tinham sido importados do Brasil, a pedido de um Beirense, quando em Vila Pery exerceu funções administrativas, o Sr. Oliveira da Silva.
As suas flores quando caíam, iam cobrindo os largos passeios. Às vezes, com o vento, voavam qual bailarinas em pontas de pés num rodopio musical, atapetando também o alcatrão da rua que ficava alcatifado de lilás e, quando as pisávamos, faziam um som estrepitoso como se a vila estivesse sempre em festa.
Parecia um cenário de um belo filme! Mas... os cenários são copiados da natureza mágica.
Recordei-me que em miúdo, ....etc.
VILA PERY, NO MEU TEMPO ERA ASSIM.
HOJE CHAMA-SE CHIMOIO. 
Pag.35 a 38 - Alguns anos passados, não me admirei que as ruas de Vila Pery fossem alcatroadas "com alcatrão preto", mas além das flores de jacarandá, os jardins das vivendazinhas amenizavam a cor do chão.
Ah, que se eu fosse dono do Mundo, as ruas seriam pintadas de cores garridas, às ricas, aos quadrados, às pintarolas! Pelo menos se um dia inventar histórias para os meus filhos e netos, as ruas serão assim .
Disseram-me os colegas do quartel que, em Vila Pery, toda a gente ia ao futebol. Quando o ouvi dizer pensei que me estivessem a gozar. Brincadeiras de tropas, mais uma vez! Convenci-me quando me deram a explicação que era um "ritual" principalmente para quem tinha filhas casadoiras. Uma forma de as mostrarem para que arranjassem casamento! E muitos se tinham feito, porque ali havia empresas grandes, que tinham contratado jovens engenheiros, desenhadores, arquitectos, economistas e pessoal para os quadros superiores das empresas, Sociedade Hidroeléctrica do Revuè, Soalpo - Sociedade Algodoeira de Portugal - onde as noivas iam comprar peças de tecido para o seu enxoval de noivado - as Brigadas de Fomento e Povoamento, que tinham por missão fixar colonos em grandes terrenos, que produziam tabaco. (e chá)
O campo de futebol era distante da sede, que era na vila, por isso, no fim do jogo, os carros dirigiam-se para a sede , tendo que atravessar a estrada nacional (que ia até à fronteira), esperando do lado da vila uns pelos outros em fila, como se fosse um acompanhamento aos noivos depois da saída da Igreja. Levou-me a pensar, se não seria um ensaio prévio, só que aqui não se sabia qual era o carro dos noivos porque não havia enfeites, nem lhes atiravam arroz ou pétalas de flores.
Depois do estacionamento em frente ou próximo da sede do clube, as mãos e filhas casadoiras saíam dos carros pavoneando os seus fatos domingueiros, dirigindo-se para uma sala-biblioteca onde ficavam a cavaquear. As mães dos mais pequenitos, preocupavam-se para que não corressem, podiam tropeçar. E para que tivessem cuidado com os carros:
"dá a mão à mãe Jorginho, chamava o Pedro Bastos e a Ivone Shirley, ao mesmo tempo. "Tochan, tem cuidado, não atravesses à frente dos carros", dizia a Ninete. O Marques ficava muito sério a olhar para o filho, a impôr respeito.
- Ó Géninha, despacha-te filha", dizia a Maria Augusta e o Ricardo, mas vendo que ela estava com a Lito da Ninete, já sabiam que iam ter uma tarde sossegada, porque as miúdas entendiam-se perfeitamente bem.
Havia uma sala enorme, polivalente, tanto servia para sala de cinema, como para os artistas-amadores da terra levarem à cena as suas peças de teatro.
Às vezes havia bailarico, com o conjunto "Oliveira Muge", prata da casa, ou com "Os Rebeldes" da Beira, que estava na berra, ambos de muita categoria.


Direitos reservados. Reproduzir apenas com consentimento escrito da autora. Celeste.Cortez@hotmail.com

NOTA DA AUTORA: Aqui deixo, mais uma vez, a minha homenagem à família da Maria Augusta, viúva do Ricardo, do Grémio, minha conterrânea, que faleceu em 2010, com avançada idade.
Tive em 2009 o prazer de falar telefonicamente com a Ivone Shirley ( irmã do Rui,que era jogador de futebol no Sports Clube de Vila Pery). O Jorginho, filho da Ivone Shirley e do Pedro Bastos, menininho de dois anos na altura, levou as alianças do meu casamento. Hoje, a viver na Africa do Sul e o irmão mais novo em Perth, na Austrália, este já se encontrou com minha filha mais velha, a Sami, que também vive em Perth com o marido e filho, num jantar da comunidade/ou na Academia do Bacalhau. A Sami também, como o Jorginho e o Luis Bastos, nasceram em Vila Pery.

Para todos e para os meus leitores, os meus desejos das maiores felicidades, Celeste Cortez

Autora: Celeste de Almeida Campos Cortez Silvestre - pseudónimo literário: Celeste Cortez








2 comentários:

Anónimo disse...

Olá Celeste,
Parabéns. Apanhei o título e fui atrás da escrita. Renasci e recordei, pois vivi em Vila Pery 20 anos. Ainda por cima, o meu pai, zelador da Câmara Municipal do Chimoio e tantos Jacarandás pudou!
Lembro-me de pisar as suas
flores e sentir os estampidos debaixo dos pés.
Beijinho
Manuel

Sami disse...

Gostei imenso de ler sobre Vila Pery, terra onde nasci, mas que mal conheci pois os meus Pais voltaram á Beira tinha eu 3 meses. De vez em quando iamos até Vila Pery e Gondola onde tinhamos amigos, passar uns dias de férias.

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