sexta-feira, 30 de julho de 2010

CÃO AMIGO DO HOMEM - O MOPPY



A todas as pessoas que perderam os seus amigos animais, com um sentido abraço do tamanho do abraço que eu preciso neste momento, enquanto escrevo este artigo e as lágrimas caem em cascata,  imediatamente depois do Moppy nos ter dito adeus. 
Portugal -  22-02-2009 - (entre as 12,30 e as 13 horas).

Num domingo, dia de sol, fresco e agradável, o Moppy deixou beijinhos para todos.
Se eu fosse capaz de ler a mente do nosso cão, do nosso Moppy, hoje dia 22 de Fevereiro de 2009, entre o meio dia e meia hora e a uma hora, sei que ele teria deixado beijinhos para todos.
Não levou rancores, nem ódios, nem tristezas, nem mágoas. Partiu com saudades, sabendo que as deixou também.
Ultimamente andava muito cansado, e dizia para si:
Como é possível ter sido tão alegre, brincalhão, ter corrido como uma gazela atravessando o jardim de Primrose e da Quinta do Conde... e agora custar-me tanto a andar! A velhice é muito triste, venha um cientista para modificar estas coisas desagradáveis. Até pode ser a Nadine e a Karina a começarem o projecto, o Michael, a Tania, o Roberto e o Nicholas todos ajudarão no projecto... Deixo-lhes o meu Bem-Haja amigos, sejam felizes. Mesmo que o projecto não resulte, foi apenas uma lembrança... quem sabe, um dia a velhice deixa de ter doenças!!!

Ainda me lembro do tempo em que apanhei carraças deixadas de outros cães.Aquela carraça única, que apanhei no enorme Parque perto de Bedfordview, em Joanesburgo, onde, pequenino, pequenino, andei a correr pela alegria que senti de andar à solta. Até me fez febre. Ou aquelas que apanhei na relva do jardim da vivenda dos avós, na 1ª.vez que fomos conhecer a casa e o jardim, na Quinta do Conde e que a Tania no carro, disse serem "coisinhas pretas a passearem"! E das pulgas que apanhava na rua quando ia passear! E a vóvó tinha de me dar banho com um champôo especial - e eu que tinha medo de ficar na banheira que me parecia uma piscina!...
Tenho até saudades de me coçar!... Quando deixamos de ter essas coisas, é mau sinal, estamos na velhice.
Usar fraldas como os bébés, faz confusão, mas depois de me habituar, já pedia para não me deixarem sem ela, nunca quiz dar trabalho ao vôvô e à vóvó nas limpezas da casa, não só porque sempre fui asseadinho como também porque gostei sempre muito deles. Não lhes queria dar trabalho. Que saudades tenho da galinha cozida, apesar de saber que só quando comecei a envelhecer é que tive direito a ela, porque as bolinhas rijas me faziam doer os dentes. Obrigado ao avô e à avó, que estavam sempre preocupados e tentaram o seu melhor para eu não sofrer.

Agora para sair da cama, dou um gritinho, porque as artroses fazem doer. Levanta-se o avô a resmungar - mas eu sei que é feitio, porque ele gosta muito de mim - obrigado avô pelo teu incondicional amor, mas não rezes esse tipo de "quechatice", a avó fica triste. Levanta-se a avó que me acompanha até à água, me faz andar, devagar, devagarinho, pondo uma mão de cada lado do meu corpo para eu não cair, mas estimula-se a andar, porque é um bom exercício para as pernas. Depois muda-me a fralda, deita-me, tapa-me por causa do frio. Tudo como o avô faz, afinal! Mas, sem resmungar. Realmente as mulheres são mais pacientes! Obrigada avó pelo teu amor paciente.
Cada vez mais me custa ir beber água, que está num recipiente inox, entalado entre o fogão e a parede para eu me sentir seguro e não a entornar, pouco distante da minha cama, mas nos ultimos dias parece que as pernas de trás se juntam, e eu faço um enorme esforço para não cair. Ultimamente caí algumas vezes, e, se estava sózinho levava algum tempo para me levantar... ou... achava que tinha preguiça e deixava-me ficar por ali. Eu sabia, sim eu sempre soube, que a minha avó ou o meu avô chegariam a qualquer momento para me darem uma mãozinha com o seu amor.
Eles diziam-me que não me davam nada que eu não merecesse, porque eu também tinha sempre sido amigo deles. Que me queriam retribuir todos os meus beijinhos, todos os meus carinhos, que eu tinha sido o cão mais inteligente do mundo. Disseram-me que eles agora eram a minha bengala, que me encostasse sem receio, que suportariam o meu peso até ao fim. Sei que se eu pesasse cem quilos, eles aguentariam, porque o amor faz milagres. Mas infelizmente para eles e para mim, o meu peso há 10 dias atrás, na penultima vez que fui à veterinária, era de pouco mais de 5 quilos.Para quem chegou a pesar 10 e teve de se habituar a ir comendo menos para não engordar... Fiquei depois com 8 quilos... parecia um manequim quando passeava com os meus fatos, muito bonitos, e ficava melhor ainda com o meu pelo tão bonito e lustroso.
Hoje, quando os meus avós me levaram e me deixaram pela ultima vez na veterinária, quando esta quis mostrar a sua sabedoria (pensa ela) e disse que eu, quando andava às voltinhas poderia ser um sintoma de tumor na cabeça, quando a avó sabe perfeitamente que é para eu saber o caminho que piso porque sempre gostei de andar por bons caminhos, a minha avó, antes de me pôr no colinho amigo do veterinário mais forte que se vê que tem muito amor aos cãezinhos desde pequenino, a minha avó... com a cara molhada ...sem que eu notasse que estava a chover lá fora... apertou-me tanto, que eu ouvi o seu coração a dizer ao meu: Amo-te Moppy, amei-te sempre. O meu coração, também já muito débil, respondeu-lhe: Também te amei sempre vóvó,a ti e a todos, e quero que fiques contente com o que te vou dizer:
- Agora que já sou crescidinho (nasci a 15-10-1991, quase 18 anos de canídeo é uma boa idade), embora pareça ter mirrado, decidi ir viver num jardim enorme cheio de relva e flores, árvores que filtram um sol radioso e de boa temperatura, com casinhas de cores onde repousaremos de noite, baloiços, carrinhos de corridas, lagos e fontes com água fresca, uma paisagem paradisiaca, que eu diria mais uma paisagem céudisiaca, um lugar onde não há dores, nem mesmo de dentes, nem cães cegos - e eu que sei bem o que é ser cego - nem cães com problemas de respiração, os ossos não doem, onde as artroses fazem parte do passado, nem tumores na cabeça nem na barriga, as pernas são sempre fortes e ágeis, nada há que possa atrapalhar-me para dar uma boa corrida como eu dava nos parques, para ir ver uns cãezinhos pequeninos, pequeninos como eu era, que eu estou a ver a correrem felizes para mim. Ah, são os cães da Nikki, os meus sete filhinhos. Lá vem ela atrás, toda pachorrenta. Lembram-se como ela era? Continua pachorrenta, a minha querida mulher. Resta-me a consolação de ao abraçá-la lhe poder dizer: Fui-te sempre fiel, desde o dia em que nasci. Tu foste a única mulher por quem me apaixonei. A tua beleza, Nikki, fez de mim o marido mais feliz do mundo.
E neste lugar que é destinado aos cães que foram toda a vida bons como eu e a Nikki, acompanhados por dois dos nossos filhos e esperando um dia os outros, aqui neste céu dos cãezinhos onde temos de viver para sermos sempre lindos e saudáveis, nunca nos esqueceremos de vós, não nos esqueceremos de todos os humanos que foram nossos amigos (e nós esquecemos as maldadezitas, não se preocupem, aqueles pontapézitos das crianças ), estamos a mandar -vos um lindo ramo das flores belas que aqui há, flores naturais que nunca secam e cheiram sempre bem, estamos a atirar-vos com a nossa patinha no ar... milhões de beijinhos e a dizer-vos Obrigado, obrigada, até sempre.
Céu dos cãezinhos, 22-2-2009 à tarde.
assinado: Moppy Silvestre Papadimitriou, Nikki e filhos

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